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O Ronaldo da NBA, Dwight Howard e as polémicas do Twitter

Publicado em 11 de Maio de 2011

Ronaldo não passa a bola e só pensa em marcar? Então o que dizer de Russell Westbrook, o base dos Oklahoma City Thunder? Westbrook tem sido o wingman de Kevin Durant nos últimos anos mas nestes playoffs tem-se assumido como o principal pilar dos Thunder. Quer queiram, quer não. No último jogo, frente aos Grizzlies, com três prolongamentos, fez 33 lançamentos de campo. A estatística vem confirmar a tendência dos últimos jogos de Westbrook sobrepor-se ao melhor jogador da equipa e um dos melhores marcadores da liga dos últimos tempos. Os primeiros sinais de descontentamento de Durant começam a manifestar-se e um eventual ambiente pesado poderão roubar a oportunidade de ouro de chegarem pela primeira vez a uma final da NBA.

 

Em 1992, um tal de Shaquille O’Neal começou a dominar a NBA na Florida, ao serviço dos Orlando Magic. Esteve lá quatro anos mas precisou de sair para a Califórnia, para os LA Lakers, para conquistar os primeiros três títulos da carreira. Dwight Howard apareceu na NBA em 2004, também na Florida. Desde então, tem seguido as pisadas de Shaq. É um poste dominador e tem criado uma equipa à sua volta. Conseguiu uma final da NBA mas perdeu, frente aos Lakers em 2009. O futuro dos Magic não está brilhante e Dwight Howard poderá estar de saída. O próprio poste acusou a imprensa de Orlando de lhe estar a fazer o mesmo que fez a Shaq, antes de este sair. Se acontecer, os Lakers acenam com Kobe Bryant e a possibilidade de um anel. Não vai haver um Verão como no ano passado, mas pode dar muito que falar.

 

O jornalismo está mais difícil no acesso às grandes estrelas do que estava nas décadas de 80 e início das de 90. Os gabinetes de comunicação fecham os jogadores e servem de protecção a entrevistas que possam conter declarações que suscitem polémica. Nos EUA, a política é mais aberta mas mesmo que não fosse havia o Twitter para combater a situação. O número de polémicas por declarações na rede social continua a aumentar e agora é a vez de Reggie Bush, jogador de futebol americano dos New Orleans Saints. Depois de praticamente ter anunciado que estava de saída do Louisiana, agora veio dizer que o lockout é uma bênção para não ter que estar a treinar duas vezes por dia, debaixo de um calor abrasador e a pôr o corpo em risco sem sentido nenhum.  Mais tarde veio dizer que era apenas uma brincadeira, mas no Twitter como em qualquer outro sítio, os desmentidos caem sempre no esquecimento.

O fim do ciclo dos Lakers, a emoção e o catenaccio no boxe

Publicado em 10 de Maio de 2011

Os campeões tornam-se irritantes para todos os outros. Os Lakers continuam a ser os campeões. Além de serem a segunda equipa com mais títulos na história da NBA, logo a seguir aos Celtics, são também os bicampeões em título e com três presenças consecutivas em finais. É fácil gostar-se dos Lakers, quando se é adepto da equipa de Los Angeles, mas torna-se ainda mais simples não gostar deles, ou mesmo odiá-los, quando se é adepto de outra equipa.
No último fim-de-semana, os Lakers foram eliminados dos playoffs da NBA com quatro derrotas em quatro jogos frente aos Dallas Mavericks. Além de todo o simbolismo da eliminação, houve também espaço para alguns anti-Lakers darem asas à sua imaginação. Para isso, basta aceder ao site didthelakersgetswept.com. Por outras palavras, “os Lakers foram varridos (eliminação de uma série sem vencer um único jogo?”. O site é simples. Sim, puramente isso.

 

Depois de uma primeira ronda absolutamente emocionante nos playoffs da NHL, a segunda ronda começou por ser uma desilusão. Ao contrário dos vários jogos 7 e inúmeros prolongamentos, as meias-finais de conferência ficaram desde logo marcadas pelos 4-0 dos Boston Bruins e Tampa Bay Lightning aos Philadelphia Eagles e Washington Capitals. Se no Este, está tudo decidido, o Oeste está agora a dar luta, com destaque para os Detroit Red Wings. A equipa do Michigan parecia ter tudo perdido com 0-3, mas com duas vitórias nos últimos dois encontros, acredita agora mais que é possível conseguir o que poucos conseguem nos playoffs. A emoção agradece.

 

Catenaccio no boxe? O combate entre Shane Mosley e Manny Pacquiao era um dos pontos altos do fim-de-semana mas os 12 assaltos limitaram-se a um jogo entre o Barcelona, representado por Pacquiao, e uma equipa dos anos 60 do escalão italiano de futebol, por Mosley. Feitas as contas, Pacquiao só conseguiu vencer por pontos, algo que já se adivinhava porque nos 12 assaltos, Mosley limitou-se a tentar 13 socos. O pugilista filipino, considerado um dos melhores de sempre, continua a somar triunfos e justifica o porquê de ter ganho 32 milhões de dólares por dois combates no ano passado. É uma pena que o confronto com Floyd Mayweather Jr. nunca se tenha concretizado. Por agora, tem mais um combate agendado, para Novembro. Falta saber o adversário. Por agora, pode começar a fazer contas aos 20 milhões de dólares que ganhou apenas por este primeiro.

Brett Favre. Ele dança ao som de Michael Jackson e Vanilla Ice mas não joga

Publicado em 03 de Janeiro de 2011
Isto é um caso para os caça-fantasmas. Durante 900 anos, uma cidade paquistanesa chamada Moenjodaro foi o coração da civilização. Uma espécie de Paris na Belle Époque ou de Nova Iorque dos tempos modernos. Por volta de 1700 a.C., essa cidade, já em declínio económico, foi atacada por um exército armado que devastou tudo o que lhe apareceu pela frente. Moenjodaro foi ficando desocupada, até que desapareceu por completo. E só seria reencontrada em 1923, pelos arqueólogos, debaixo de areia. Agora, no século xxi, os visitantes podem visitá-la e apreciar centenas de ruas e casas. Todas desertas, claro.

Com Detroit é basicamente o mesmo. Who you gonna call? Ghostbusters. Pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, com o incremento da indústria automóvel, era a quarta cidade mais populosa dos EUA, com 1,85 milhões de habitantes. Meio século depois, a Detroit outrora resplandecente tornou-se uma cidade fantasma com o fecho de todas as fábricas e agora só há 920 mil almas.

A solução para acordar a cidade desta letargia autodestrutiva estava marcada para ontem à uma da tarde (18 horas em Portugal), com o jogo Lions-Vikings, para a última jornada da regular season da NFL, liga de futebol americano. Não pelo jogo em si, porque quem perdesse ficava em último lugar da conferência, mas pela expectativa em redor da despedida oficial de Brett Favre, um dos melhores jogadores de sempre.

Who you gonna call? Ghostbusters. Sim, os caça-fantasmas, porque Favre não quis arriscar uma lesão e despediu-se de 20 épocas na NFL com um aceno no relvado. Muito pouco para quem marcou uma era na NFL, "mas a lesão não é para brincadeiras", justificou Favre, famoso ghost, que aparece e desaparece como lhe dá na cabeça. É a terceira vez que diz adeus ao futebol norte-americano. Será que é desta? A idade (41 anos) aconselha-o. A lesão (no ombro) também. Mas estamos a falar de Favre, o homem que dá o dito por não dito. E que apareceu em todos os treinos desta semana só para dançar ao som dos altifalantes do estádio (Michael Jackson e Vanilla Ice) e desapareceu no dia de jogo. Quem se assustou foi ele.

A NBA segundo LeBron. Abalou Cleveland e quer menos equipas na liga

Publicado em 29 de Dezembro de 2010
Que Cleveland já não pode sequer ouvir falar em LeBron James não é novidade. A decisão de rumar a Miami deixou os Cavaliers a ver navios e desde logo a contestação subiu de tom. A atitude não foi bem vista e é raro o pavilhão onde James jogue sem ouvir um coro de assobios constante. O extremo dos Miami Heat não se importa e continua fiel a si mesmo, mas esta semana voltou a entrar directamente para o centro da polémica.

A frase da discórdia? "Imaginem se o Kevin Love saísse dos Minnesota Timberwolves e se juntasse a uma equipa melhor. Ou que se pegasse no Brook Lopez ou no Devin Harris [ambos dos New Jersey Nets] e em vez de jogarem em equipas que têm dificuldades, fossem para aquelas que são boas. Não estou a dizer para acabarem com os Timberwolves ou com os Nets, mas, vejam, vocês não são estúpidos e eu não sou estúpido. Seria óptimo."

A ideia de LeBron James era evitar o actual "nivelamento por baixo" na qualidade do campeonato e fazer com que se recuperasse o espírito da década de 80 quando, com menos equipas, havia mais jogadores talentosos juntos. Mas, em menos de nada, o país uniu-se contra LeBron e criticou a forma como o basquetebolista se expressou a favor de uma eventual contracção da liga, especialmente numa altura em que os jogadores estão a negociar um novo contrato colectivo de trabalho. As negociações não estão fáceis, o acordo prevê-se muito complicado e uma greve que anule a próxima época pode ser uma realidade.

Avery Johnson, treinador dos Nets, foi um dos primeiros a reagir. "Se calhar era ao contrário. A liga seria melhor se os grandes jogadores estivessem bem espalhados pelas equipas", afirmou, em alusão ao alegado plano que Dwyane Wade, LeBron James e Chris Bosh elaboraram para jogarem juntos. Derek Fisher, o base dos Lakers que acumula a função de presidente da associação de jogadores, considerou os comentários "surpreendentes", mas não considera que possam vir a complicar a negociação.

Com o peso do mundo novamente em cima dos ombros, LeBron James emitiu na madrugada de ontem um esclarecimento para evitar mais desentendidos: "Isso é uma loucura. Não tinha sequer ideia do que a palavra ''contracção'' [termo técnico utilizado para cada vez que há uma redução de equipas na NBA] significava até procurar na internet. Nunca disse isso sequer. Essa palavra nunca saiu da minha boca. Estava apenas a dizer como era a liga na década de 80 e como poderia ser novamente agora. Nunca disse que era para reduzir o número de equipas."

Qual é a conclusão que se pode tirar das declarações de LeBron? A liga está nivelada por baixo porque há equipas em dificuldades, mas o segredo não é uma redução de equipas. É muito melhor tirar as principais estrelas e integrá-las noutro sítio. Tudo pelo bem do próximo. Segundo LeBron James.

Tuesday Night Football. Por causa da neve, 64 anos depois

Publicado em 28 de Dezembro de 2010
Não é preciso ser um atento adepto de futebol americano para saber a importância que o Monday Night Football tem nos Estados Unidos. Semanalmente, durante a época regular da NFL, há sempre um jogo marcado para segunda-feira com honras especiais de transmissão televisiva para todo o país. Tem uma importância tão grande que muitas vezes as personagens de filmes e séries têm diálogos que remetem para o Monday Night Football. "Tuesday Night Football" é que é um conceito completamente novo.

A história diz que já aconteceu no passado mas o último desses 23 episódios aconteceu a 1 de Outubro de 1946, quando os New York Giants derrotaram os Boston Yanks por 17-0, numa altura em que a NFL dava os primeiros passos e as transmissões televisivas eram muito raras. Agora, no final de 2010, a tempestade de neve que se abateu sobre a cidade de Filadélfia, na Pensilvânia, obrigou o mayor Michael Nutter a declarar estado de emergência. A NFL foi atrás e, através do porta-voz Greg Aiello, confirmou que o jogo entre Philadelphia Eagles e Minnesota Vikings, originalmente marcado para domingo, só se ia disputar na madrugada de terça para quarta-feira: "Devido a preocupações com a segurança por causa do estado de emergência declarado, o jogo foi adiado. Devido à incerteza sobre a gravidade da tempestade e do seu rescaldo, o jogo será disputado na terça-feira, dando tempo para assegurar que as estradas, os parques de estacionamento e o estádio estejam limpos." Como em todas as decisões, os críticos não demoraram a surgir. O governador da Pensilvânia, Ed Rendell, foi um dos primeiros: "O futebol americano é assim, disputado nestas condições. Acho que os fãs iam estar no estádio, o metro ia funcionar e as principais ruas da cidade iam continuar abertas. É normal que alguns adeptos ficassem em casa, mas neste desporto joga-se independentemente do tempo." Rendell foi mais longe e disse mesmo que Vince Lombardi, uma das figuras eternas da modalidade e das mais importantes no seu crescimento, deveria estar a "rir-se e a gozar com esta decisão".

O passado do futebol americano mostra alguns casos que dão razão ao governador da Pensilvânia. A 31 de Dezembro de 1967, no Wisconsin, Green Bay Packers e Dallas Cowboys jogaram com uma temperatura de 25 graus negativos. A partida, que ficou conhecida como Ice Bowl, figura ainda hoje como uma das melhores de sempre. Quinze anos depois, no Ohio, a 10 de Janeiro de 1982, Cincinnati Bengals e San Diego Chargers participaram na Freezer Bowl, uma partida disputada com 23 graus negativos e com a brisa no estádio com 38 graus negativos. E para o caso de duvidar, as temperaturas estão na escala de Celsius.

Shaq. 5 297 razões para Deus dizer que ninguém é perfeito

Publicado em 27 de Dezembro de 2010
Shaquille O'Neal é um dos jogadores com mais dinheiro da NBA e, como não poderia deixar de ser, possui na garagem um parque automóvel de fazer inveja a qualquer stand. Ele é Hummers, ele é Cadillacs, ele é Rolls Royces, até um Lamborghini Gallardo, que alargou à medida para conseguir encaixar o corpinho de 2,16 metros e 147 quilos. Mas, se um dia fosse possível, havia algo que o poste gostaria de encurtar: a distância da linha de lance livre para o cesto. Pelo menos, as probabilidade de falhar seriam menores (embora reais, tamanha é a falta de técnica no acto de lançamento) e evitaria o recorde negativo de 5297 tentativas falhadas em 11208 tentativas. Calma, se pensa que isso afecta o jogador mais velho da NBA (faz 39 anos em Março) está enganado. E, como tudo, é motivo de piada: "Essas percentagens são só uma forma que Deus tem de dizer que ninguém é perfeito".

Desde dos primeiros anos de NBA, em 1992, que O''Neal assume que gostava de ser como Wilt Chamberlain. "Quero ser assim, forte e dominador", dizia. Conseguiu-o pelo pior: cumpre-se nesta quadra dois anos que Shaq se tornou o segundo atleta de sempre a bater a marca dos 5000 lances livres falhados (já vai nos 5297), apesar de estar longe do recorde: 5805. Do inevitável Chamberlain, claro. Agora, numa entrevista à "Squire", gozou com um assunto que lhe mexia com os nervos. "Nunca vou pedir desculpas nem nunca pedirei! Sinceramente! Nunca fui um lançador mas faço muitas outras coisas bem no jogo e disso parece que não gostam de falar...", lamentou, após uma derrota por um ponto, o único jogador que conseguiu falhar as 11 tentativas na linha de lance livre num encontro (também em Dezembro mas do ano de 2000).

Tentativas para corrigir o monstro que quer ser conhecido como "O Grande Aristóteles" - apesar de ter dezenas e dezenas de alcunhas, foi o próprio que criou mais uma - não faltam. Rick Barry, um ex-jogador que lançava "à padeiro" (em vez de colocar os braços com a bola para cima ganhava força no movimento contrário, puxando-a para baixo das pernas), foi logo recambiado. "Prefiro continuar a falhar mas assim é que não lanço", disse. Agora surgiu Ted St. Martin, um recordista de 75 anos que, em 1996, conseguiu fazer 5221 lances livres seguidos em sete horas (Guinness Book), a prometer percentagens de 90% para quem quisesse cumprir o seu plano de treinos, mas a resposta de Shaq foi a mesma: "No way!"

POLÉMICO O poste tem tanto de divertido como de polémico. É rapper, actor, apresentador, xerife etc. Acima de tudo, tem uma língua afiada. "Os jogadores da NBA vão sempre parar a clubes de striptease. É o lugar mais seguro e tranquilo quando és milionário, tens tempo livre e estás numa cidade desinteressante", confessou (nota: Chamberlain admitiu ter dormido com 20 mil mulheres. Será essa a outra "inspiração" de Shaq?). "Muita gente acha que sou estúpido pelo tamanho e maneira de ser. Mas não me calo nem debaixo de água", completa. E assim será mais três ou quatro anos, "o tempo que ainda terei com corda para jogar..."

O reinado de Brett Favre termina 6652 dias depois

Publicado em 15 de Dezembro de 2010
Brett Favre chegou à NFL em 1991. Os Atlanta Falcons escolheram-no na 33.a posição do draft. Como rookie, teve pouco para se gabar e nem o treinador confiava nele. Jerry Glanville não aprovou a escolha e disse mesmo que só a queda de um avião faria com que Favre fosse titular. O futuro mostrou--lhe que estava enganado, mas o presente, aquele presente, dava-lhe razão. Durante a época em Atlanta, tentou cinco passes, foi interceptado duas vezes e os restantes três foram incompletos.

A carreira nos Falcons ia chegar ao fim e os Green Bay Packers chegaram-se à frente, apesar de os exames médicos terem apontado uma necrose vascular na anca [diminuição do fornecimento de sangue ao osso]. O risco ia valer a pena e o quarterback do Mississípi estreou-se a titular a 27 de Setembro de 1992, no mesmo dia em que o Benfica venceu fora o Sporting de Espinho por 3-0. O onze de Tomislav Ivic foi formado por Silvino, Samuel, José Carlos, Hélder, Paulo Madeira, Veloso, Vítor Paneira, Isaías, Schwarz, Pacheco e Rui Águas. Ou seja, qualquer um destes jogadores terminou a carreira entretanto, tal como os suplentes utilizados: Fernando Mendes e João Vieira Pinto. E Brett Favre? Época após época, continuava a jogar e sempre como titular, independentemente das lesões que foi sofrendo.

Um ano depois, em 1993, já Jerry Glanville tinha abandonado a NFL. Brett Favre, esse, estava apenas no início. Começava a conquistar o carinho dos adeptos e percebia-se que estávamos perante um jogador que ia entrar para a história. A 26 de Janeiro de 1997 alcançou o momento mais alto da carreira ao vencer a Super Bowl com um triunfo por 35-21 sobre os New England Patriots. Entre Setembro e início de Fevereiro, período do ano em que se disputa a NFL, passou a ser tradição ver Brett Favre como quarterback titular dos Packers. E a acumular distinções.

As épocas foram passando e o fim da carreira parecia aproximar-se mas Favre continuava a ser titular. Partia ossos, entrava em campo com dores e até de luto. Nada o impedia de continuar a aumentar a maior série de jogos consecutivos como titular, nem mesmo quando abandonou os Packers e assinou pelos New York Jets em 2008. Ou quando saiu dos Jets e assinou pelos Minnesota Vikings em 2009. Os clubes passavam, mas Brett Favre continuava intocável.

Já esta época, depois de completar 41 anos, esteve próximo de falhar um jogo por lesão, mas declarou-se disponível para entrar em campo e pressionou o treinador Brad Childress, que assim se sentiu obrigado a utilizá-lo, apesar de não ter a melhor das relações com o jogador. Aliás, essa relação complicada foi uma das causas que levaram ao seu despedimento a 22 de Novembro de 2010.

Na madrugada de ontem, a série de Brett Favre terminou quando foi anunciado que não iria jogar frente aos New York Giants. Foram 297 jogos como titular durante 19 temporadas. A lesão no ombro direito foi mesmo impeditiva e pôs fim à maior série de sempre de um jogador de qualquer posição no campeonato. "Até me espanta como é que isto não aconteceu antes. Não voltarei a jogar se não me sentir bem", afirmou Brett Favre, que agora já não tem recordes para alimentar. É o princípio do fim.

157-57. West Virginia Tech dá um cabaz de Natal a Ohio State Mansfield

Publicado em 14 de Dezembro de 2010
É difícil dizer quando e onde começa o Natal. Ou o espírito natalício. O ditado popular diz que é quando um homem quiser e até faz algum sentido. Em tempos, começava em Dezembro, logo no início quando surgiam os primeiros enfeites nas casas e nas ruas. Entretanto, começaram os interesses comerciais e o pontapé de saída começou a ser dado em Novembro, pelo menos tendo em conta as grandes superfícies comerciais do país.

Nos Estados Unidos, não deverá ser diferente. Mais do que para reunir famílias, o Natal tem um enorme impacto comercial e não há ninguém que não o tente aproveitar. Este fim-de--semana, a equipa de basquetebol universitário de West Virginia Tech, também conhecida por Golden Bears, mostrou que está perfeitamente dentro do espírito e decidiu aplicar um verdadeiro cabaz de Natal a Ohio State Mansfield Mavericks de 157-57, ou seja, 100 pontos de diferença.

E no caso de estar em dúvida se já não leu esta notícia há uns meses no i, garantimos que não. Mas esta grande desvantagem é algo que não é propriamente inédito. A 3 de Fevereiro de 2010, leu aqui também o calvário que a equipa do Nápoles atravessava, por culpa da falta de dinheiro e por jogar com juniores. Na altura, a derrota mais pesada da equipa tinha sido por 101 pontos, frente à Lottomatica Roma, por 37-138.

No Nápoles, os culpados são a falta de dinheiro e de jogadores. E nos EUA, como se poderão justificar os jogadores dos Mavericks? Primeiro que tudo, não são propriamente aspirantes à NBA e têm um registo que não podia ser mais negativo, com derrotas em todos os onze jogos. Depois, o passado de vitórias largas dos Golden Bears (105-85 sobre Salem International) também podia ajudar.

Ainda assim, o que se assistiu em Montgomery, na Virgínia ocidental, não deixa de ser surpreendente. Ou melhor, só o foi durante muito pouco tempo, porque assim que a bola começou a saltar, percebeu-se o que ia acontecer. No final da primeira parte (nestas divisões, um jogo de basquetebol é composto por duas partes de 25 minutos), os Golden Bears já venciam por 83-23. O parcial do segundo tempo foi mais equilibrado com 74-34 para a equipa da Virgínia ocidental e que completou o 157-57 final.

O marcador traz mais uma coincidência, neste caso à moda do Porto. No Dragão, é comum o número de espectadores oficial terminar com o número da camisola do jogador do FC Porto que marcou o primeiro golo do jogo. A milhares de quilómetros de distância, esta goleada dos Golden Bears foi presenciada por 157 espectadores. Tantos como os pontos marcados.

Com tanto ponto, houve espaço para toda a gente brilhar. Donald Robinson fez 35 pontos, Josh Stricker 33, Roi Buchbinder 22 e Nicholas Kjaerholt terminou com 21. O quarto melhor marcador do jogo foi da equipa adversária: Jamall Marsh fez 20. Talvez como prenda de Natal.

A cidade parecia deserta. Estavam todos no estádio

Publicado em 13 de Dezembro de 2010
"Abre los ojos! Open your eyes!" Tom Cruise acordou no seu apartamento em Nova Iorque e começou mais um dia de trabalho. Pelo menos era o que pensava. Assim que saiu da garagem com o seu carro percebeu que a cidade estava diferente. Não havia ninguém nas ruas, toda a gente tinha desaparecido. Contudo, aquilo não passava de um sonho. Falamos das cenas iniciais de "Vanilla Sky", filme em que Cruise contracena com Penélope Cruz.

"Vanilla Sky" foi rodado numa das cidades mais famosas do mundo há cerca de dez anos, mas poderia ter sido feito este fim-de-semana em Ann Arbor, uma cidade no Estado do Michigan. Os norte-americanos são loucos por desportos universitários; as assistências fazem corar até as dos jogos da Liga dos Campeões na Europa. Se se tratar de um grande dérbi estadual (Michigan Wolverines contra Michigan State Spartans), o cenário ganha uma nova dimensão. O jogo era de hóquei no gelo mas, à semelhança do que a NHL faz todos os anos na passagem de ano, foi realizado num estádio de futebol americano, o Michigan Stadium, inaugurado em 1927 a pensar na equipa de futebol americano da Universidade do Michigan.

O adversário? Michigan State. A assistência? Saiba desde já que não é uma gralha: 113 411 espectadores. Impressionante? Muito, sobretudo porque na cidade de Ann Arbor vivem apenas 114 mil pessoas. O anúncio do recorde foi feito durante o último período do jogo. "Todos ficámos com pele de galinha. Foi simplesmente espantoso ver todas aquelas pessoas no ambiente mais barulhento em que alguma vez já estive", afirmou Carl Hagelin, jogador dos Wolverines.

O jogo entrou para a história como a partida de hóquei no gelo com maior assistência, batendo a anterior marca de 77 803 espectadores que tinham assistido a um jogo do Mundial disputado na Alemanha este ano. Este fenómeno ocorre numa altura em que Detroit, a principal cidade do Estado, vive uma das piores crise da história, especialmente por causa das dificuldades da indústria automóvel. Ainda assim, a paixão pelo desporto universitário falou mais alto. A ideia de entrar para a história moveu adeptos de toda a região, surpreendendo o treinador Red Berenson. "Não sei onde arranjaram tantas cadeiras novas. Isto é bom para o Michigan. Ter um jogo deste tipo num Estado onde a economia está mal dá-nos razão para nos sentirmos bem", lembrou o técnico, que está habituado a um pavilhão com uma lotação máxima de 6637 lugares.

Para alguns adeptos, a única motivação foi fazer parte da história de um jogo que ia entrar para o "Guinness": estavam demasiado distantes para ver alguma coisa significativa. No entanto, foi usado um sistema de som para amplificar os sons do disco e dos patins de modo que a experiência fosse partilhada desde a primeira à última fila. Por fim, para a história fica também o resultado do jogo: a actuar em casa, o Michigan bateu o rival Michigan State por 5-0 .

Rocky Balboa. Stallone entra para o Hall of Fame do boxe sem nunca ganhar um Óscar

Publicado em 10 de Dezembro de 2010
Sylvester Stallone não é um actor do outro mundo. Não faz parte do grupo elitista de membros de Hollywood que parecem ter mel para as estatuetas douradas e tem tendência para agarrar quase sempre o mesmo tipo de papéis. Sempre foi assim e nunca se importou. Jim Carrey está mais vocacionado para as comédias (apesar de também mostrar que sabe fazer outros papéis, como em "Número 23" e "O Eterno Despertar da Mente") e Stallone para os filmes de acção. É isso que se espera dele, tal como de Chuck Norris ou Jackie Chan.

Sylvester Stallone tem algo que o diferencia de todos os outros: a importância que teve na dinastia Rocky, com seis filmes entre 1976 e 2006. O actor norte-americano, nascido a 6 de Julho de 1946, escreveu o argumento do primeiro filme numa altura em que era um completo desconhecido e tentou vendê-lo a um estúdio de Hollywood com uma condição: a de desempenhar o papel de Rocky Balboa, figura principal de todo o enredo.

Provavelmente ninguém sabia, mas estava a assistir-se ao começo de um mito. O Hall of Fame do boxe acolheu Rocky Marciano em 1990, Rocky Graziano em 1991 e Rocky Kansas em 2010, mas nunca ninguém pensou que Sylvester Stallone poderia juntar mais um Rocky à lista. Os responsáveis do Hall of Fame sabiam que estavam a fazer uma escolha polémica, mas nem por isso deixaram de o incluir na lista de 12 nomes que vai ficar eternamente na história a partir de 2011.

E porquê Sylvester Stallone? Pela contribuição que teve para a modalidade, pela inspiração e pela forma como atraiu adeptos de boxe por todo o mundo. Tudo por assistir aos golpes de um pugilista que nunca existiu mas que conseguiu ultrapassar todas as adversidades, fosse para derrotar Apollo Creed, Clubber Lang ou Ivan Drago.

Por todo o lado, as primeiras vozes críticas começaram a surgir. No "Sacramento Bee", um jornal da Califórnia, Victor Contreras reagiu com ironia: "Stallone merece tanto estar na Hall of Fame do boxe como Mike Tyson devia ganhar um Óscar. Se é assim, Kevin Costner também deveria estar na do basebol por causa de todos os filmes que fez." O sarcasmo de Contreras é tanto que sugere ainda mais possibilidades, como a de Tom Cruise na NASCAR, por causa do filme "Dias de Tempestade", em que desempenhou o papel de Cole Trickle.

Sylvester Stallone nunca ganhou um Óscar e provavelmente nunca teve esse sonho. Ainda assim, o primeiro filme da saga foi nomeado para nove estatuetas. Conseguiu vencer as de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Edição, mas perdeu nas duas que o envolviam directamente: a de actor e argumento original.

A marca que a saga deixou não se ficou por aquilo que se pode ver, mas também pelo que se ouve. O tema "Eye of The Tiger", dos Survivor, foi encomendado para o terceiro filme da saga e é hoje fonte de inspiração para muitos atletas, especialmente o tenista Lleyton Hewitt, que já admitiu que gosta de o ouvir antes de cada jogo.

A polémica das 12 figuras escolhidas para 2011 não se fica por Sylvester Stallone. Mike Tyson chega a ser mais criticado do que o actor. A forma como geriu a carreira, escolhendo quase sempre adversários desconhecidos para ganhar prestígio e manter os títulos e a ausência de vitórias contra adversários significativos estão a ser argumentos usados contra si. Mas, no fundo, a mística que ganhou pelo aparecimento súbito e até, por que não, pela dentada que deu na orelha de Evander Holyfield foram decisivas. "Yo, Adrian! They did it!"

NY Towers. O tamanho afinal não interessa nada

Publicado em 09 de Dezembro de 2010
O cesto de uma tabela de basquetebol está localizado a 3,05 m de altura. O de-senvolvimento do jogo fez com que se tornasse mais propício aos jogadores mais altos, mas o tamanho é algo que interessa pouco. Ou nada. Os New York Towers comprovam-no todos os dias. A equipa formada no Verão de 2009 é totalmente composta por anões e tem ganho destaque recentemente nos Estados Unidos, especialmente depois de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Norte-Americanos da Associação Atlética de Anões, disputados este ano em Nashville, no Tennessee.

Clinton Brown é o director-geral da equipa e explicou em entrevista ao i que os New York Towers foram criados para permitir a jogadores anões que tivessem uma plataforma desportiva adequada para competir. "A equipa foi um sonho concretizado para estes jogadores que sempre tiveram o desejo de fazer parte de uma equipa", afirmou.

Se na teoria são uma equipa criada para competir com outros anões, o endereço online dos Towers abre o convite a eventuais jogos contra qualquer equipa, desde que se obedeça a um conjunto de duas regras: a equipa adversária não pode agarrar um ressalto sem que a bola toque primeiro no chão, contudo os New York Towers podem fazê-lo directamente; quando a equipa adversária troca a bola, tem de o fazer sempre através de passes picados, de forma a que os Towers tenham a possibilidade de roubar a bola. Qualquer infracção a estas regras é castigada com uma perda de bola. No entanto, todas os outros pormenores são iguais a um jogo da NBA, por exemplo. Desde regras e tamanho do campo à altura do cesto.

Para Clinton Brown, um dos grandes momentos da história da equipa foi há "alguns meses". "Quando acabámos um treino no ginásio, estávamos a sair com um grupo de jogadores à espera para entrar. Eles tinham estado a ver o final do nosso treino e como tinham falta de jogadores, convidaram dois dos nossos bases para se juntarem a eles. E foi assim que, durante a hora seguinte, dois jogadores dos New York Towers de apenas 1,32 m foram os bases de duas equipas de jogadores de alturas normais. Foi um momento brilhante para nós, ver que éramos capazes de merecer o respeito de outros atletas, independentemente da nossa altura", contou.

Earl Boykins. "Tenho de ser melhor do que todos os outros em todos os aspectos do jogo"

Publicado em 08 de Dezembro de 2010
Não é fácil ser o atleta mais baixo em qualquer competição. Rui Barros tem apenas 1,58 metros e isso nunca o impediu de ser campeão nacional pelo FC Porto e chegar à selecção, além de várias aventuras pelo estrangeiro. Como diz o anúncio, o tamanho não importa. Por outro lado, há desportos em que a altura tem mais importância. Aliás, não é ao acaso que Pierre de Coubertin, o pai do espírito olímpico, surgiu com o lema "Citius, Altius, Fortius". Ou seja, mais rápido, mais alto, mais forte. Earl Boykins pode ser mais rápido e até poderia ser mais forte, mas mais alto é algo que nunca será. Aliás, talvez o melhor termo que se lhe pudesse aplicar fosse "baixius".

Earl Boykins só tem mais sete centímetros do que Rui Barros. Outro termo de comparação: olha praticamente olhos nos olhos com José Dominguez, outro jogador que fez furor nos anos 90, também por ser muito baixo. Onde está a novidade? É que Earl Boykins joga na NBA, o campeonato dos gigantes, o campeonato que se disputa nas alturas, em que cada ressalto é disputado até ao limite e onde, quer se queira, quer não, a altura também interessa. O base dos Milwaukee Bucks é um dos jogadores que comprovam que, afinal de contas, não interessa assim tanto. Tem 1,65 metros, pesa 60 quilos, mas nunca o usou como desculpa para o que quer que fosse. Destacou-se na universidade de Eastern Michigan e, apesar de não ter sido escolhido no draft, chegou à NBA: New Jersey Nets, Cleveland Cavaliers, Orlando Magic, LA Clippers, Golden State Warriors, Denver Nuggets, Charlotte Bobcats, Washington Wizards e Milwaukee Bucks, onde joga actualmente. Esta semana deu uma entrevista ao i, a um jornalista com 1,80 metros e 70 quilos, mas sem qualquer talento para a NBA.

Como ultrapassou as dificuldades de ter apenas 1,65 metros?

Acho que acima de tudo é preciso ter confiança, estar confiante nas tuas capacidades e também ter a noção de que se tem apenas 1,65 metros. Tenho de perceber que tenho de ser melhor que todos os outros em todos os aspectos do jogo. É preciso driblar melhor do que o adversário, lançar melhor do que o adversário. O mais importante é ter confiança e compreender o jogo, como se deve agir a cada momento do encontro.

Alguma vez falou com Muggsy Bogues [jogador mais baixo de sempre na história da NBA com 1,60 metros e na liga de 1987 a 2001]? Ele deu-lhe algum conselho sobre como pode um jogador mais baixo do que todos os outros ter sucesso na prova?

Sim, falei com ele algumas vezes mas nunca me deu nenhum conselho. Apenas os parabéns por ter chegado à NBA e ter conseguido sobreviver.

Além da NBA, também jogou em Itália durante um ano [Virtus Bologna, de 2008 a 2009]. Como foi a experiência?

Foi óptima. Foi uma grande experiência de aprendizagem para mim. Pude viajar pela Europa e ver coisas que até então só tinha podido ver através da televisão. Foi inacreditável.

O Earl é natural de Cleveland, Ohio. Como é que acompanhou a história de LeBron James e a decisão de abandonar os Cleveland Cavaliers?

Para mim é diferente porque sou um atleta profissional. Limitei-me a ver a decisão como uma opção de um jogador a tirar vantagem do sistema dos jogadores livres.

Alguns dos seus melhores anos na NBA foram em Denver, com os Nuggets, de 2003 a 2007. O que recorda melhor desse período?

Fui verdadeiramente abençoado por estar rodeado por jogadores tão talentosos. Além disso, o George Karl foi sempre um excelente treinador. Ele foi, e ainda é, um dos melhores treinadores que andam por aí. Quando se tem bons jogadores e um bom treinador, é fácil ter sucesso. Lembro-me do primeiro ano em que lá estive, que foi o primeiro ano do Carmelo Anthony. Toda a gente dizia que íamos ficar em último na divisão porque éramos muito novos. Chegar aos playoffs logo no primeiro ano foi uma excelente sensação.

Quando esteve nos LA Clippers [2001-2002], tornou-se num dos jogadores queridos dos adeptos, contudo é uma cidade onde os Lakers roubam todo o brilho. Como é jogar pela "outra equipa"?

É diferente. Quando se está em Los Angeles, percebe-se que há uma razão pela qual os Lakers têm tantos adeptos. Eles ganham campeonatos. No final, os adeptos torcem é pelos vencedores. Eu compreendia o que se passava, mas também me apercebi de uma certa diferença entre os adeptos. Os Clippers têm a nossa secção de fãs. Acho que, quando vemos bem isso, os Clippers têm mais adeptos das classes mais trabalhadoras enquanto nos Lakers são mais as celebridades. Há uma certa diferença nos adeptos e nas assistências durante os jogos. São completamente diferentes.

Aos 34 anos, quais são os seus principais objectivos para esta temporada?

Chegar aos playoffs, apenas isso. A razão pela qual assinei pelos Milwaukee Bucks foi a oportunidade de jogar pelo campeonato e chegar aos playoffs.

E espera jogar até quando?

Até não conseguir mesmo jogar mais. Vou jogar sempre enquanto for possível. Acho que quando se tem 1,65 metros e já não se pode ajudar uma equipa, eles dizem-te. Vou esperar que sejam eles a decidir até quando vou jogar.

Acha que Boykins é baixo? Amanhã leia sobre a equipa que é ainda mais baixa.

Harlem Globetrotters. Este Natal oferecemos o cesto de 4 pontos

Publicado em 07 de Dezembro de 2010
Um treinador de basquetebol é obrigado a tomar decisões. A cada momento de um jogo, seja da liga portuguesa ou da NBA, há desafios que exigem uma resposta pronta e sem espaço para hesitar, especialmente nos segundos finais de um encontro. Descontos de tempo são pedidos sucessivamente, tentando trocar triplos por dois lances livres, de forma a reduzir a desvantagem até chegar à vitória final. Tudo seria mais fácil se, de repente, surgisse um lançamento que pudesse dar quatro pontos.

Ainda não existe, mas vai existir e, uma vez mais, os pais da ideia são os Harlem Globetrotters, a equipa de verdadeiros artistas da bola criada em 1926 com o nome de Chicago Globetrotters. "Temos estado na linha da frente da evolução no basquetebol durante toda a história do desporto. Desde o alley-oop ao afundanço, passando pelo passe por trás das costas, os Globetrotters têm trazido inovações que actualmente são alguns dos pilares do jogo. Estamos confiantes que o cesto de quatro pontos vai mudar a história do basquetebol a curto prazo", afirmou Kurt Schneider, o actual director executivo da equipa.

E de que se trata exactamente o cesto de quatro pontos? Em que situações é que pode ser alcançado? E de que distância? A partir de quando? Tecnicamente, a ideia já foi posta em prática, neste domingo, durante um jogo disputado contra os rivais de sempre, os Washington Generals, em Orlando, na Florida. Num jogo com direitos de transmissão televisiva para todo o país, Dizzy Grant conseguiu o primeiro cesto de quatro pontos da história, contudo a entrada em definitivo da regra só vai ser implementada a 26 de Dezembro, quando começar a digressão norte-americana, inspiradamente apelidada de "4 Times the Fun" ["O Quádruplo da Piada", em tradução livre].

Desta vez, a notícia foi vista com bons olhos por todos, inclusive os Washington Generals, os fiéis companheiros de campo que servem de saco de pancada desde Janeiro de 1971, altura em que venceram o último jogo contra os Harlem Globetrotters. "Venha de lá essa regra", disse Red Klotz, presidente da equipa e autor dos dois pontos da vitória de há quase 40 anos. "Os lançamentos de longa distância sempre foram uma imagem de marca dos Generals e já estamos a criar várias novas jogadas para aproveitar essa vantagem. Se esta regra vier alterar alguma coisa, será certamente para nos tornar mais fortes", avisou.

Curly Neal, antigo jogador dos Globetrotters, lamentou o atraso na criação desta regra: "Se ao menos ela existisse na altura em que eu jogava. Ia incendiar o marcador com pontos durante toda a noite". Os dados, e a bola, estão lançados. Será que a NBA está à espreita?

Quádruplo A linha de três pontos num campo na NBA está a 7,25 metros da tabela. Agora, com a inovação dos Harlem Globetrotters, haverá quatro locais de eleição (dois para cada lado) a 10,6 metros. Em Espanha, dizem que os quádruplos só poderão ser utilizados nos últimos três minutos de cada período mas, para já, não passa de uma possibilidade que as notícias dos Globetrotters não confirmam. A nova regra pretende que o jogo se torne mais aberto e obrigue as equipas a defender mais atrás no campo.

O que se pode esperar dos Chicago Bulls?

Publicado em 02 de Novembro de 2010

Quando comecei a ver NBA não gostava dos Chicago Bulls por uma razão muito simples. Tinham começado uma hegemonia que relegava para segundo plano os Boston Celtics. Na altura, ainda muito novo, era uma relação de causa e efeito. Hoje, em dia vejo-o de outra forma. De uma forma tão diferente que me habituei a gostar desta nova geração dos Bulls.

A óbvia relação com os Celtics nem é a principal explicação, apesar de terem ido contratar o adjunto de Doc Rivers, Tom Thibodeau, e o extremo Brian Scalabrine, que fazia pouco em campo em Boston mas era um dos ídolos dos adeptos.

Esta época, os Bulls têm tudo para ir longe nos playoffs. É cedo para dizer se poderão competir com o Big Three da conferência (Miami, Boston e Orlando), mas a vitória na divisão (parecem mais fortes do que Indiana, Cleveland, Milwaukee e Detroit) não deve fugir. Se o fizer, terá o factor-casa na primeira ronda e depois, quem sabe, poderão ser o primeiro teste de fogo aos Miami Heat.

E aí, o que poderão fazer Derrick Rose, Carlos Boozer, Joakim Noah e companhia? Antes dos jogadores, está o treinador. Tom Thibodeau é um dos pais da defesa de Boston e sabe melhor do que ninguém como travar LeBron James. Depois, com a forte presença junto da tabela, com Noah e Boozer em destaque, muita coisa pode acontecer.

Ainda assim, no final o grande factor será a capacidade de Derrick Rose em se afirmar definitivamente como um dos melhores bases da liga. E, já agora, perceber até que ponto este regresso aos bons velhos tempos de Luol Deng é para manter.

Se há dois anos, com uma equipa mais fraca, os Bulls conseguiram fazer suar os Celtics, este ano tudo pode acontecer. Inclusive provocar a maior surpresa da temporada.

Os Cavaliers ainda não estão mortos. Longe disso

Publicado em 28 de Outubro de 2010

A saída de LeBron James foi um balde de água fria nos Cleveland Cavaliers. Por todos os Estados Unidos, nasceu a ideia de que a equipa estava acabada. O agora jogador dos Heat era considerado a alma da equipa do Ohio e o abismo agora estava próximo.

Tive alguma dificuldade em entrar nesse espírito, na ideia de que iam ser a equipa com pior registo da divisão, conferência e liga e que podiam começar a fazer contas à primeira escolha do draft da próxima temporada.

Outros factores foram ignorados. A saída de LeBron veio abrir espaço a alguns talentos que estavam escondidos ou que tinham menos oportunidade para tocar na bola com frequência. Verdade seja dita, é óbvio que os Cavaliers não vão lutar pelo título. Não há um jogador que seja verdadeiramente um símbolo, mas o colectivo poderá vir a fazer diferença, especialmente tendo em conta o valor do treinador, Byron Scott, uma das melhores contratações da equipa.

Além de LeBron James, os Cavaliers também ficaram desfalcados no frontcourt, com as saídas de Zydrunas Ilgauskas e Shaquille O'Neal. Aqui, nem foi preciso mexer: Anderson Varejão é um jogador com muita energia e JJ Hickson está finalmente a ter bons minutos para entrar na estatística (21 pontos e seis ressaltos na vitória com os Celtics).

Depois, são as várias soluções que podem fazer diferença. Nas posições de base, Daniel Gibson, Ramon Sessions, Mo Williams e Anthony Parker são boas alternativas de lançamento.

É claro que a vitória sobre os Boston Celtics no primeiro jogo da época não é elucidativa, mas mantenho a opinião que já tinha antes de a época começar: dizer que os Cavaliers vão chegar aos playoffs é muito arriscado, mas já apostei (apostas de amigos) que vão ficar nos dez primeiros lugares.

O herói de sempre

Publicado em 22 de Junho de 2010

Já não há dedos livres numa das mãos de Kobe Bryant. O jogador dos Lakers tem todos ocupados por anéis de campeão, juntando-se a Magic Johnson e Kareem Abdul Jabbar no restrito clube dos pentacampeões.

A conquista não foi fácil. Aquilo que começou com o three-peat com Shaq no início da década, terminou este ano com uma batalha duríssima com Boston, que limitou o nº 24 a 41% de lançamentos de campo. O último jogo foi um espelho dessas dificuldades, com Kobe a acertar apenas seis dos seus 24 lançamentos, apesar de ter agarrado 15 importantes ressaltos e acertado 11 lances livres.

 Os admiradores dizem que Kobe está finalmente a aproximar-se da grandeza de Michael Jordan, o jogador afinal a partir do qual Kobe moldou o seu jogo. Os críticos dizem que o jogo 7 das Finais foi a prova que Kobe não pertence ao mesmo nível.

(Nota: Quando Jordan jogava eram proibidas as mais eficazes defesas à zona, Jordan nunca enfrentou o nível atlético da NBA de hoje em dia, nem uma especialização em defesa como a da equipa dos Celtics. Mais que isso, apesar de termos gravada uma imagem de grandeza de His Airness, Jordan nem sempre foi brilhante: 5-19 e 6-19 no jogo 4 e 6 contra Seattle nas Finais de 1996; e 9-26 no jogo 5 contra Utah nas Finais de 1998, por exemplo.)

Dificilmente Kobe algum dia será consensualmente considerado melhor que MJ. Jordan deixou uma marca demasiado forte na imaginação dos fãs. No entanto, a discussão pode agora ser tida sem ser considerada blasfémia. Este ano, Kobe ficou apenas a um título de Jordan. Mais um ou dois e será difícil alguém dizer, com o nível de talento de Bryant, que não está no mesmo patamar que MJ.

Uma coisa é certa, com este anel, ele ultrapassou para muitos (Jerry West, Shaquille O’Neal) Magic Johnson como o maior Laker de sempre. Um dos passos obrigatórios para chegar a GOAT (Greatest Of All Time).

Este último dado é o mais assustador para quem o odeia: Kobe venceu o seu 5º título com 31 anos. Jordan fê-lo com 34.

Nuno Aguiar

Herói improvável

Publicado em 22 de Junho de 2010

Está feito. Vingança completa de 2008 e da forma mais épica possível: um jogo 7 renhido no Staples Center, com os Lakers a correrem atrás do prejuízo até aos seis minutos do último período.

 O 16º título da equipa de LA foi conseguido num jogo em que Lakers e Celtics tiveram performances ofensivas terríveis. Kobe Bryant, o MVP das Finais, fez provavelmente o seu pior jogo dos playoffs atirando 6-24 do campo, apesar de ter marcado dez pontos decisivos no quarto período (oito deles da linha de lance livre).

Mas neste dia, o herói foi outro: Ron Artest. O homem veio este ano para Los Angeles atrás de um anel de campeão. Embora tenha estado bem defensivamente, Ron Ron lançou muito mal durante os playoffs (menos de 40%), levando os fãs a questionar se não seria melhor ter ficado com Ariza em vez de Artest. 48 minutos depois, tudo isso seria esquecido.

A um minuto do fim, com os Lakers a ganharem por três pontos, Kobe penetra, a ajuda vem e a bola é passada a Artest, livre na linha de três pontos. O mesmo lançamento que lhe esteve disponível durante todos os playoffs e que Artest falhou tantas vezes, o mesmo lançamento que Phil Jackson o desaconselhou vezes sem conta a lançar. Artest lançou e acertou o cesto mais importante da sua carreira, fechando com chave de ouro a sua performance como MVP do jogo 7.
A estrada da redenção foi longa para Artest. Passaram-se seis anos desde o infame dia em subiu às bancadas do pavilhão dos Detroit Pistons para uma famosa sessão de pancadaria com fãs. Foi suspenso para o resto da época (86 jogos). No dia da vitória, o ciclo completou-se e Artest parecia uma criança durante os festejos.

Nas entrevistas, agradeceu ao bairro em que nasceu, à sua psiquiatra e convidou os jornalistas para ir à discoteca com ele, presenteando-nos com alguns dos momentos mais divertidos de sempre dos playoffs. Há coisas que nunca mudam. E ainda bem.

 

Nuno Aguiar

Killing you softly

Publicado em 04 de Junho de 2010

Soft (adj.) – mole, brando, macio, suave, débil. Estes foram alguns dos adjectivos que acompanharam durante meses Pau Gasol depois das Finais da NBA de 2008, em que foi totalmente dominado por Garnett, Perkins e P.J. Brown no garrafão. Numa palavra: soft.


Claro que o anel de campeão ganho no ano passado contra o melhor poste da NBA (Dwight Howard) ajudou a afastar o rótulo, mas o reencontro com a némesis verde teve o condão de fazer regressar os velhos receios de que o estilo finesse de Gasol (também apelidado de Gasoft) não conseguisse suster a agressividade dos Celtics.


No entanto, nem os Celtics estão a jogar de forma tão agressiva (a diferença que um Kevin Garnett com um ou dois joelhos bons faz…) nem Gasol é mesmo jogador de 2008. No primeiro jogo das Finais deste ano, os Lakers dominaram por completo os Celtics em ressaltos (42-31), pontos no garrafão (48-30) e pontos de segunda oportunidade (16-0). E Gasol foi uma das grandes razões para o domínio com 23 pontos, 14 ressaltos (oito ofensivos) e três desarmes de lançamento. O seu oponente directo, Garnett: 16 pontos, 4 ressaltos.


Claro que ter Bynum a roubar espaço no garrafão, Artest a lançar olhares assassinos aos adversários e Kobe a fazer a sua melhor imitação de Michael Jordan ajuda, mas a chave para esta série é Pau Gasol. Se ele continuar a jogar como o segundo melhor jogador em campo (como é) e meter o Garnett no bolso, os Lakers podem não ter de voltar LA depois de Domingo.

 

Nuno Aguiar

"Beat LA! Beat LA! Beat LA!"

Publicado em 03 de Junho de 2010

A cronista do LA Times em Boston está fascinada com o grau de envolvimento da cidade com o feito dos Celtics. Numa cidade que dá a vida pelo basebol desde o início do século XX, o basquetebol parece ter assumido uma dependência total. O que até poderá parecer estranho, se nos lembrarmos que nenhuma equipa de Boston tem tantos títulos profissionais com os Celtics.

A possibilidade de ganhar um título num ano em que poucos acreditavam quando os playoffs começaram contagiou o estado de Massachusetts e por momentos o basebol passou para segundo plano. Nesta madrugada, os adeptos dos Red Sox fizeram questão de deixar uma mensagem durante a partida com os Oakland Athletics (curiosamente da Califórnia). A equipa tinha recuperado de uma desvantagem de 0-3 e a vitória estava ainda em dúvida, mas no pensamento estava já a final da NBA: "Beat LA! Beat LA! Beat LA!" começou a ouvir-se nas bancadas do Fenway Park, prolongando-se durante mais de um minuto e acompanhado por cada vez mais vozes.

A Red Sox Nation, uma das massas de adeptos mais fiéis do desporto mundial, está rendida a Rajon Rondo e companhia e quer mais um título. Pode ser que os Lakers não caiam na conversa...

O terrível legado de Féher

Publicado em 27 de Maio de 2010

Lembro-me como se fosse hoje daquela noite de domingo de Janeiro. De ver Féher cair no relvado e pressentir desde o primeiro momento que alguma coisa tinha acontecido. De ter dito para o pai, que preparava ainda o jantar: "Queres ver que este morreu aqui?" Da incredulidade dos jogadores do Benfica e dos inconsoláveis Camacho, Tiago e Fernando Aguiar. E dos elogios ao realizador da transmissão televisiva que evitou os grandes planos. E não só... das mensagens que recebi a perguntar se era aquilo que me poderia ter acontecido antes de ser operado e do silêncio sepulcral do treino de juniores do dia seguinte.

Ninguém falava, ninguém precisava falar. O momento tinha chocado o país inteiro, especialmente os que tinham assistido em directo. Sentia-se uma solidariedade geral entre aqueles que todas as semanas treinavam para jogar ao fim-de-semana. Não era a primeira vez que acontecia. No ano anterior, estava de costas para a televisão quando Marc-Vivien Foé morreu em campo. E a história de Pavão estava distante.

Féher acordou-nos para um drama, o da morte súbita em directo. Os tempos que se seguiram não ajudaram. Em Maio, foi Bruno Baião. De todo o mundo começavam a surgir notícias de casos parecidos. Hugo Cunha, José António, Antonio Puerta. Em menos de nada, algo muito grave parecia tornar-se numa banalidade. Os testes médicos foram colocados em causa e a verdade é que se a inovação nos permite testar partes do nosso corpo como nunca antes fora possível, também é verdade que cada vez mais o homem está sujeito a esforços e a condições diferentes. A medicina evolui cada vez mais mas nestes casos está sempre um passo atrás.

E o que tem isto a ver com este blogue? Os segundos de arrepiar de ontem no jogo entre os Boston Celtics e os Orlando Magic. A equipa de Boston precisava de reagir e percebeu-se que faltava um jogador no ataque. Era Glen Davis que estava no chão. Uma primeira imagem mostra o basquetebolista a patinar no chão enquanto tentava levantar-se. Pouco depois, já de pé, um completamente desequilibrado Davis só pára nos braços de um árbitro.

A verdade é uma: o mais provável (e o que acabou por acontecer) era Glen Davis ter ficado desorientado depois de levar uma pancada na cabeça, mas o legado de Féher é demasiado pesado para ver um jogador desequilibrado em campo sem pensar no pior. Felizmente (?), Davis sofreu apenas uma concussão na cabeça. Ainda assim, há momentos que marcam a forma de vermos as coisas para sempre. A morte de Féher em directo é um deles.

O 3-1 mais perigoso da história do basquetebol?

Publicado em 26 de Maio de 2010

Nunca uma equipa da NBA recuperou de uma desvantagem de 3-0 para ganhar a série. A tradição está a favor dos Boston Celtics, mas a derrota na madrugada de segunda-feira em casa pode ter deixado algumas marcas na equipa de Doc Rivers. Mais do que isso, pode ter tido um efeito muito positivo nos Orlando Magic.

Continua a ser preferível estar a vencer por 3-1 do que a perder, mas a margem de manobra dos Celtics passou, de um momento para o outro, para uma insignificância. Esta noite, joga-se o quinto encontro em Orlando. É óbvio que os Magic é que estão piores, que já não têm margem de erro, mas a motivação poderá ter um papel fundamental.

Os adeptos da equipa da Florida não devem ter esquecido as declarações de Paul Pierce que, após o jogo 2, garantiu que os Celtics venciam 4-0 e que já não regressava a Orlando. Pois bem, hoje vai regressar. E pode apostar que vai ter uma recepção especial. Diferente.

E se os Magic ganharem hoje? Viajam para Boston ainda mais motivados e com a energia extra de vencer apenas mais um jogo para arrastar a decisão para o jogo sete, que está marcado para Orlando. E do outro lado? A confiança dos Celtics só pode ser cada vez menor se a série se prolongar.

Nunca uma equipa da NBA recuperou de uma desvantagem de 3-0 para ganhar a série. Mas no desporto profissional norte-americano, a cidade de Boston sabe bem o que isso é. Foram eles os responsáveis pela reviravolta mais impressionante do basebol quando os Red Sox conseguiram dar a volta aos New York Yankees. E já este mês foram eles que ficaram de mãos a abanar no hóquei no gelo quando os Bruins perderam a vantagem e foram eliminados pelos Philadelphia Flyers.

É esta incerteza que torna o desporto emocionante. Mas vá, chega de incertezas. Que ganhem os Celtics hoje. E que possam esperar pelos LA Lakers depois.

Sol de pouca dura?

Publicado em 25 de Maio de 2010

Esta noite joga-se o quarto jogo das finais da Conferência Oeste (duas da manhã para os viciados). Depois de dois jogos em que a defesa dos Suns foi totalmente varrida pelos Lakers, Alvin Gentry encontrou no terceiro uma fórmula para bater os campeões em título no terceiro jogo. Hoje à noite estará a jogar-se a enorme diferença entre a série ficar 2-2 ou 3-1.


Alimentando-se da energia do público no jogo 3 (foi o primeiro em casa), os Suns defenderam à zona, dificultando a tarefa ofensiva dos Lakers, que nunca se conseguiram adaptar e não pararam de lançar triplos - 32 para ser mais preciso, acertando apenas 9 (28,1%). No ataque os Suns foram muito mais agressivos e beneficiaram da explosão de Amare Stoudemire que marcou 42 pontos. A agressividade e o factor casa ficaram bem explícitos na diferença de lances livres: os Lakers tiveram direito a 20, os Suns a 42.


A questão que resta agora responder é: foi um golpe de sorte? Dificilmente os Suns voltarão a ter um jogo de 42 pontos de Stoudemire, é pouco provável que voltem a ter uma vantagem de 20 lances livres, o que deverá diminuir os problemas de faltas de Bynum e Odom e os Lakers deverão adaptar-se à defesa à zona e parar de lançar triplos por cima dela, sem penetração. Ou eu posso estar totalmente enganado.


O jogo de hoje irá provar se a vitória de Domingo foi um golpe de sorte ou se esta série está para durar.

 

Nuno Aguiar

A culpa é sempre do treinador?

Publicado em 24 de Maio de 2010

Os Cleveland Cavaliers decidiram despedir o treinador Mike Brown que, em cinco anos como treinador da equipa do Ohio, o máximo que conseguiu foi chegar a uma final da NBA.

Curiosamente, fê-lo numa altura em que LeBron James estava praticamente sozinho na equipa. Nos anos seguintes, Cleveland deu-lhe quase tudo. Primeiro Shaquille O'Neal e Mo Williams, depois Antawn Jamison.

Mike Brown não conseguiu fazer melhor. Melhor, nem sequer conseguiu repetir a presença na final. Com a mais do que inevitável saída de LeBron James, os Cavaliers vão entrar num novo ciclo e poderá fazer sentido que Mike Brown dê lugar a um treinador novo.

"Toma lá, dá cá" sai caro a árbitro da NBA - vídeo

Publicado em 21 de Maio de 2010

Joe DeRosa é um árbitro da NBA e atingiu o "boiling point" da paciência ao intervalo do jogo entre Boston Celtics e Orlando Magic. Farto de ouvir os protestos de um adepto, decidiu atirar-lhe a bola (sem violência).

O gesto causou espanto ao adepto, Franz Hanning, que decidiu passar a bola de volta ao árbitro. Em menos de nada, o caso ganhou visibilidade e DeRosa foi agora suspenso por um jogo.

 

Quanto vale tomar um banho em directo na internet?

Publicado em 20 de Maio de 2010

Para Darnell Dockett, um jogador de futebol americano dos Arizona Cardinals, a resposta correcta é mil dólares. O atleta de 28 anos armou-se em Greg Oden, jogador de NBA dos Portland Blazers, que há uns tempos tirou uma fotografia nu para mostrar via webcam a uma admiradora que não era um mito o que se dizia de "homens grandes e afro-americanos", e despiu-se de preconceitos (é um lugar-comum gasto, sim) para ganhar uma aposta que tinha feito em como não teria a coragem para o fazer em directo através do UStream.

A evolução foi a mesma de sempre. Polémica, o país virou-se para a notícia e o pedido de desculpas: "Peço desculpa à minha equipa, aos meus jogadores. Percorri um a um, no balneário, para pedir ajuda", disse, antes de prometer que nunca mais volta a tomar banho. Em directo.

A evolução das espécies segundo Rajon Rondo

Publicado em 19 de Maio de 2010

Paul Pierce já lá estava desde 1998. Ray Allen foi o primeiro a chegar em 2007. Depois veio Kevin Garnett. Num espaço de um mês, os Boston Celtics apostavam no revivalismo para encontrar um novo "big three". A base era óptima, mas era preciso encontrar pelo menos mais dois jogadores, um base e um poste, que pudessem acompanhar a equipa na ambição de chegar ao título.

Durante as trocas de Allen e Garnett, Rondo foi cobiçado, mas Danny Ainge quis mantê-lo. As expectativas eram muitas, tal como a margem de progressão. E Rondo tem cumprido.

Em 2007/08, os Celtics foram campeões, mas Rondo ainda era um jogador diferente, tímido. Com uma companhia de luxo, as suas tarefas podiam praticamente limitar-se a transportar a bola para o ataque e passar ao primeiro "decisivo" que encontrasse. E tendo em contas as boas percentagens de lançamento de jogadores como Pierce e Allen, o número de assistências de Rondo cresceu.

Rondo também estava para crescer, mas os Celtics precisaram de ir buscar alguém que pudesse ser uma boa alternativa no playoff. E chegou Sam Cassell, vindo dos LA Clippers. Cassell teve a sua importância, mas Rondo mostrou, pela primeira vez, que aquele lugar era dele.

Desde esse título, a capacidade de Rondo para surpreender e dar espectáculo tem crescido a cada momento. Aquilo que em 2007 era uma grande dificuldade, como defender jogadores mais experimentes como Chauncey Billups, por exemplo, agora é uma vantagem - foi nomeado para a melhor equipa defensiva da temporada.

E o ataque? Rondo deixou de ser um pau mandado, Rondo passou a mandar. Passou a decidir, passou a dar espectáculo, passou a ser temido pelos adversários. Continua a pecar nos lances livres e no jogo exterior, mas compensa na capacidade atlética, improviso e inspiração para os grandes momentos. Rondo é um bom jogador para a época regular, mas melhora ainda mais nos playoffs. Rondo tornou-se num jogador empolgante, tornou-se num dos melhores bases da liga. Evoluiu, basicamente, e a um ritmo constante. E os Celtics agradecem. E muito...

 

Carreira de Rondo na época regular
2006/07 - 6,4 pontos, 3,8 assistências e 3,7 ressaltos
2007/08 - 10,6 pontos, 5,1 assistências e 4,2 ressaltos
2008/09 - 11,9 pontos, 8,2 assistências e 5,2 ressaltos
2009/10 - 13,7 pontos, 9,8 assistências e 4,4 ressaltos

Carreira de Rondo nos playoffs
2007/08
- 10,2 pontos, 6,8 assistências e 4,1 ressaltos
2008/09 - 16,9 pontos, 9,8 assistências e 9,7 ressaltos
2009/10 - 17,8 pontos, 10,6 assistências e 6 ressaltos

 

Rui Pedro Silva

Feitiçaria

Publicado em 19 de Maio de 2010

Os Washington Wizards bateram as probabilidades e vão ter direito à primeira escolha do draft da NBA. Partindo para o sorteio com apenas 10,3% de possibilidades de ter a primeira escolha, a sorte acabou por sorrir à organização depois de um ano para esquecer.

A decisão agora não parece ser difícil: o base John Wall é a primeira escolha consensual do draft deste ano. Wall é daqueles jogadores que pode virar um franchise ao contrário. Entusiasmante, explosivo e com imensa margem de progressão, os olheiros dizem que é uma mistura de Derrick Rose com Jason Kidd (companhia nada má...).

Nos Wizards, Wall deve ter muito espaço para crescer, provavelmente no cinco inicial ao lado de Gilbert Arenas, embora os Wizards adorassem poder trocar o "Agent Zero" e o seu contrato de 80 milhões de dólares. Depois de se terem visto livres a meio da época Jamison (Cavs), Butler e Haywood (Mavs), a equipa perdeu imenso star power, embora tenha alguns jovens com potencial, como Blatche, McGee, Al Thornton, Foye, Young e veteranos como Mike Miller.

Confesso que estava a torcer pelos New Jersey Nets: escolher o Wall dava-lhes a oportunidade de trocar o Devin Harris por um bom jogador para o cinco inicial, restando ainda espaço para aliciar o LeBron James e talvez um jogador mais barato como Boozer para jogar ao lado de Brook Lopez. Seria uma equipa bem excitante, mas não vai acontecer.

Enquanto esperamos para saber mais sobre a estratégia das equipas para esta off-season, em baixo fica um vídeo com alguns dos melhores momentos de John Wall.

Kobe eclipsa os Suns

Publicado em 18 de Maio de 2010

“Acabaram-se os tempos em que o Kobe conseguia marcar 30 pontos por jogo”, dizia Charles Barkley há uns dias quando os Lakers estavam a ser puxados até ao limite por uns jovens e incansáveis Thunder. Durante os últimos dias, os holofotes voltaram a estar sobre Bryant. O LA Times noticiava que a lesão no joelho tinha piorado e tinha sido necessário drenar algum fluido (isto para não falar do dedo partido na mão de lançamento, as dores no calcanhar e os problemas nas costas). Como é que Kobe responde? Com 40 pontos e um terceiro período de 21 contra os Phoenix Suns no primeiro jogo da final da Conferência Oeste. É o sexto jogo consecutivo que Kobe marca mais de 30 pontos. Por favor partam-me o dedo e dêem-me pontapés no joelho.


A tão falada melhoria defensiva dos Suns foi eclipsada pela mestria de Bryant e do resto dos Lakers que terminaram o jogo com uma percentagem de 58% em lançamentos de campo. Além de terem o jogador mais talentoso do mundo do lado deles, os Lakers são simplesmente maiores que os Suns e dominaram o jogo interior: Lamar Odom acabou o jogo com 19 pontos e 19 ressaltos e Pau Gasol com 21 pontos (10-13 em lançamentos). Os Lakers venceram 128-107, num jogo que já estava resolvido no início do quarto período.


Só quem não segue o percurso de Kobe Bryant pode duvidar que este primeiro jogo serviu para realçar: 1- ninguém dos Suns me consegue defender; 2- isto não é 2006 nem 2007 (anos em que os Lakers foram eliminados por Phoenix) com a ajuda que tenho da minha equipa, vocês não têm hipóteses; 3- o LeBron pode ter ganho o MVP, mas eu ainda sou o top dog da NBA. Perguntaram-lhe se o jogo serviu como uma mensagem: “Eu só quero mais um título”, disse rindo.


Pode estar a sorrir, mas não há jogador mais orgulhoso que Kobe Bryant. Ele ouviu os comentários do Barkley e leu os colunistas a escreverem as primeiras linhas do seu obituário na NBA. Ele quer igualar o número de títulos de Magic Johnson (cinco) e aproximar-se dos seis de Michael Jordan no seu caminho para ser considerado o melhor jogador de sempre - e que ninguém duvide que ele acha que consegue. “As pessoas fizeram o Kobe ficar zangado. Devem-lhe um pedido de desculpas. Ouvi o Chuck [Charles Barkley] dizer que ele está a ficar velho e que não conseguirá fazer as mesmas coisas. E ele fê-las”, disse Deron Williams depois de os Jazz terem sido varridos (4-0) pelos Lakers.
Os Suns já perceberam que vão ter de enviar double teams para conter um Kobe “velho e lesionado”, o que vai dar ainda mais espaço a Gasol, Odom, Artest e aos triplos do Fisher. “Se eles mandarem dois jogadores para me cobrirem, fiz o meu trabalho. Vamos estar preparados para isso”, explicou Kobe. Decisões complicadas para os Suns nos próximos jogos.


Ah! E as equipas do Phil Jackson estão 45-0 quando ganham o primeiro jogo de uma série…

Nuno Aguiar

Jamison e o flop dos Cavaliers

Publicado em 17 de Maio de 2010

Foram a melhor equipa da fase regular e queriam o título. Estava na hora. Depois de perder a final em 2007, os Cleveland Cavaliers de LeBron James chegaram aos playoffs com 61 vitórias e acreditavam que tinham, mais do que nunca, uma equipa capaz de conquistar o campeonato.

Em 2006/07, na final com os San Antonio Spurs, o cinco inicial tinha Daniel Gibson, Sasha Pavlovic, LeBron James, Drew Gooden e Zydrunas Ilgauskas. Três anos depois, as melhorias eram, aparentemente notórias. Mo Williams é mais experiente e mais atirador que Gibson. Anthony Parker é melhor do que Pavlovic e Shaquille O'Neal já não é capaz dos feitos de outrora, mas continua a ser um jogador importante numa equipa que lute pelo título. Ainda assim, os Cavaliers acharam que não era suficiente e foi numa aposta clara para ganhar tudo que chegou Antawn Jamison, dos Washington Wizards.

As culpas caíram todas em cima do treinador, Mike Brown, e de LeBron James, mas Jamison esteve irreconhecível na série com Boston, principalmente nos últimos dois jogos, onde fez um total de 14 pontos, 11 ressaltos e uma assistência. E este era o jogador que durante a época regular teve uma média de 18,7 pontos e 8,4 ressaltos.

Jamison foi a escolha dos Cavaliers. Arriscaram bastante, quiseram deixar uma imagem de força, mas agora, à distância, entende-se que Amare Stoudemire teria sido uma melhor aposta.

Rui Pedro Silva

Made in USA

Publicado em 17 de Maio de 2010
Futebol, o americano, basquetebol (a NBA e a WNBA), basebol e hóquei no gelo. E, por que não, o soccer? Este é novo blog do desporto do i e junta o melhor do desporto que se faz do outro lado do Atlântico.