



Rating:0.0 (0 votos)
Mourinho foi apresentado no Real Madrid com muita pompa e circunstância q. b. Não seria de esperar outra coisa que não um treinador seguro e confiante. Também, de certa forma, humilde. Sabe que chegou ao maior clube do mundo e fez questão de posicionar-se estrategicamente na história: “Eu não tenho história no Real, Raúl tem.”
Primeiro piscar de olho ao peso do Santiago Bernabéu. Alfredo Di Stéfano, presidente honorário do Madrid, esteve na apresentação que Mourinho, e bem, não quis tão espampanante como a de um jogador. No museu do clube o português viu nove taças dos Campeões. Desta vez não se trata de chegar a um Chelsea que não ganhava em casa há 50 anos ou a um Inter que só provara as doçuras da Europa nos idos de 60. Trata-se de chegar onde a exigência está sempre nos limites e cada Liga espanhola não ganha é um fracasso. Cada Champions que não inclua pelo menos final um semi-fracasso.
Com tudo isto pode bem Mourinho, preciosamente ajudado pelos milhões de Florentino Pérez. Resta perceber até que ponto o português terá o director-geral Jorge Valdano do seu lado. O argentino escreve como ninguém sobre futebol e tem ideias muito próprias sobre o que deve ser o espectáculo. Quer ganhar e encantar. Mourinho é infinitamente mais pragmático: quer ganhar, ponto. Se puder fazê-lo a jogar bem tanto melhor, se tiver de consegui-lo com prejuízo do entusiasmo não hesita um segundo. Gosta de fazer a festa no fim. Como ele diz, sem margem para contestações, “são os resultados que dizem quem é o melhor”.
Valdano, rezaram as crónicas, terá estado perto de abandonar o Real nesta nova era florentina. Ficou e para já tem de engolir um sapo campeão europeu, estrela de telejornais e ídolo dos adeptos. Disse o que lhe sobrava: “O meu papel é defender Mourinho, sentimo-nos honrados por tê-lo connosco.” Cristiano Ronaldo, aliás, também teve um processo de aproximação interessante ao treinador, depois de muitas bolas trocadas com azedume quando ambos estavam em Inglaterra.
José Mourinho vai depender muito de Ronaldo, claro, mas é em Valdano que residem as maiores dúvidas: em caso de escorregadela, quanto tempo demorará o argentino a deixar passar avisos e descontentamentos por todos os canais de que dispõe? Em caso de sucesso imediato, como gerirá Valdano a subalternidade em relação a um português mais novo e atrevido?
Mourinho entrou numa nova galáxia e o campeonato espanhol recuperou o estatuto de número um da Europa. Estão lá os principais: Mourinho e Ronaldo de um lado, Guardiola e Messi do outro. Nunca mais começa?!




Rating:0.0 (0 votos)
Os grandes clubes portugueses devem ter um fascínio qualquer por gente fashion. Lê-se na edição de hoje de "O Jogo" que o FC Porto quer um treinador "sedutor", seja isso o que for. Que seduza o público com bom futebol, presume-se e deseja-se.
A prática tem-nos mostrado que esta apetência cíclica dos clubes por gente charmosa (vide Quique Flores no Benfica, também) tem alguma razão de ser: é que os adeptos afinal ligam mesmo à imagem, ou não fossem Jesualdo Ferreira e Fernando Santos dois exemplos dessa máxima. Ganham e trabalham bem, mas não caem nas boas graças nas bancadas. E tudo indica que é por sorrirem pouco e não serem especialmente fotogénicos.
Sobre Jesualdo ficámos conversados esta semana – resta perceber se vai mesmo deixar o Porto.
Sobre Fernando Santos conversa-se muito pouco porque está longe e sob holofotes menos espampanantes. Temos levado overdoses de Grécia, mas por razões bem menos ligeiras.
Ora, Fernando Santos, que foi considerado há semanas o melhor treinador da década no futebol grego, acaba de cometer mais uma proeza por lá: qualificar o PAOK para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.
Fê-lo com um orçamento que não passa de um terço dos do Olympiakos (eliminado) e do Panathinaikos (campeão nacional). Fê-lo na sequência de um plano de trabalho a três anos que culminou exactamente como ele previra, com a equipa a lutar por um lugar na Champions. Fê-lo e vai sair, porque as ambições do PAOK não permitem, realisticamente, lutar pelo título com as mesmas armas dos adversários de Atenas.
No FC Porto foi campeão e coleccionou taças; no Sporting apanhou os cacos do segundo ano de Boloni, construiu a matriz do 4x4x2 que perdurou até ao fim do reinado de Paulo Bento e foi despedido quando preparava a segunda temporada; no Benfica, com ele, os sócios reaprenderam o que é ganhar sempre em casa, mesmo com um banco que desafio as pessoas a recordarem. Foi despedido qando preparava a segunda época.
Voltou à Grécia, onde já fora feliz, para ser feliz outra vez. O mérito dele é o trabalho, e os gregos sabem-no.




Rating:0.0 (0 votos)




Rating:0.0 (0 votos)
Dizia-me o Miguel Cardoso Pereira, no domingo [27 de Maio de 2007], caminhávamos nós pela mata do Jamor em direcção ao estádio: «Tirar daqui este jogo é como pôr o Superbowl em Moscovo!»
Ainda estou novo, mas de uma coisa lembro-me: desde que se começou a falar em roubar a final ao Estádio Nacional sem ser por mera questão regionalista, nunca ali houve problemas de maior, à parte o triste very-light que podia ter sido atirado de outra bancada qualquer.
Acredito que a tarefa de organizar a segurança seja um pouco mais complicada que noutros lados, mas então a polícia tem feito excelentes trabalhos e pode continuar a fazê-los.
Quanto ao número de lugares, só três estádios em Portugal levam mais gente. Todos sabemos quais são e todos imaginamos a discussão pegada que ia haver todos os anos, consoante os finalistas e o recinto escolhido. Para o ano encontramo-nos outra vez no Jamor, está bem?




Rating:0.0 (0 votos)
Talvez nunca tenha chegado a valer os milhões todos que saíram da boca de Vieira há uns largos anos, quando ambos tinham ido de Alverca para a Luz. Mas foi, durante algum tempo, a esperança no futebol-explosão, a reificação semanal do jogo puro, ao mesmo tempo inocente e implacável para os adversários.
Era fácil prever um grande futuro a Mantorras, mas os joelhos não deixaram. Entrou fulgurante no Benfica, com 13 golos em 30 jogos de campeonato. Depois vieram as lesões sucessivas, os tratamentos falhados, os planos de recuperação infrutíferos.
Já vivia o angolano nesse calvário quando, em 2005, ajudou o Benfica de Trapattoni a ser campeão ao fim de dez anos de jejum. Apenas quinze presenças, muitas delas nos últimos minutos, e cinco golos que foram ouro para aquela equipa operária que se foi construindo como candidata jornada após jornada – não, como o Benfica de Jesus, construída de raiz para sê-lo.
E aqui está toda a diferença. Após mais três épocas de muito mais baixos que altos, foi ficando claro para todos – e antes de todos para Jesus – que Mantorras falhara como jogador de futebol e não podia integrar um grupo de ambições e objectivos bem definidos.
O internacional angolano não terá percebido as coisas assim. Umas vezes pareceu resignado, outras zangado. Ora, zangado seria a última coisa que Mantorras poderia estar com o Benfica, Luís Filipe Vieira sempre disse vê-lo como um filho e tratou-o de acordo com o que dizia, oferecendo-lhe um emprego bem pago quando ele, objectivamente, já não podia desempenhar a função ao mais alto nível.
Rezam as crónicas que Mantorras, ao não ser convocado para a festa do título, comprou um bilhete de avião e seguiu para Angola, onde se mantém alegadamente incontactável.
Não causam surpresa as notícias de que chegou ao fim da linha no Benfica. Fala-se de uma homenagem, mas com comportamentos deste tipo talvez o público benfiquista, que ele tanto conseguia empolgar bastando para isso saltar do banco para o aquecimento, esqueça a simbiose que tinha com ele. E o deixe, a ele, como uma página esquecida da história do clube, coisa que, contas feitas, o próprio Mantorras não merece.




Rating:0.0 (0 votos)
Bela entrevista de Domingos Paciência à Sport TV, esta segunda-feira. Alicerçado num discurso seguro e numa auto-estima justificadamente bem cuidada, o treinador do Braga foi bastante inteligente ao reconhecer o mérito do Benfica na obtenção do primeiro lugar do campeonato.
Saber perder – ainda que seja quase um crime falar em “perder” após esta brilhante temporada bracarense – é uma das virtudes exigíveis aos melhores.
Durante algumas semanas, Domingos resvalou perigosamente para um discurso de vitimização que em nada o beneficiava a ele ou ao seu clube.
Na referida entrevista o técnico manteve as ideias-base, sem se coibir de referir os castigos de jogadores fundamentais e a alegada má preparação da época com que se deparou ao chegar. Falou, inclusivamente, de machadadas anímicas provocadas por alterações de datas de jogos do Benfica, mas com a lucidez de afirmar que teria feito exactamente o mesmo e que o fará no próximo ano, desejando como deseja estar na Liga dos Campeões e ter, em consequência, um calendário mais apertado.
Mantendo, então, as razões de queixa que entende ter, Domingos soube fazê-lo com desportivismo, reconhecendo a superioridade do Benfica e admitindo, mesmo, que Di María foi o melhor jogador da Liga.
O treinador do Braga deu ontem dois passos em frente na consolidação como profissional de elite: este, do fair play, e um outro, quando reivindicou ser tempo de deixarem de conotá-lo com o FC Porto. O passado não se apaga, mas Domingos foi muito claro ao afirmar o que pretende – afirmar-se como treinador e não admitir que duvidem do seu profissionalismo por um minuto que seja. “Não ando aqui para beneficiar ninguém a não ser o clube em que trabalho”, eis a mensagem.
Quanto ao futuro do Braga, as cautelas necessárias: seria fanfarrão declarar-se como um dos principais candidatos ao título de 2011, mas fica-lhe muito bem dizer que pretende continuar a intrometer-se entre os grandes. O futebol português agradece.




Rating:0.0 (0 votos)
É inevitável que cada português interessado em futebol tenha a sua ideia sobre os 23 jogadores que deviam estar no Mundial-2010. Só um, porém, tem legitimidade para escolher. Carlos Queiroz escolheu e até leva numa primeira fase 24 futebolistas, mas já lá vamos.
Antes, a opinião de mais um português: Quim, João Moutinho e Nuno Gomes fazem falta a este grupo, por razões distintas:
Quim: é o melhor guarda-redes português. Titular do campeão nacional e com os mesmos golos sofridos que Eduardo. Um pouco mais experiente e sóbrio.
João Moutinho: a versatilidade no meio-campo e o andamento que tem após seis épocas de competição quase permanente aconselhavam a inclusão no grupo, isto para não falar de todas as qualidades que se lhe reconhecem. Para o que desse e viesse, inclusive ser titular na África do Sul.
Nuno Gomes: o jogador mais experiente entre os seleccionáveis. As participações em fases finais de grandes competições dão-lhe um conhecimento de causa que podia revelar-se importante para a equipa em determinados momentos. Mesmo admitindo-se que dificilmente poderia ser titular, dados os poucos minutos de jogo nesta temporada.
Nota-se, nesta convocatória, um desequilíbrio entre o número de centrais e de pontas-de-lança. É certo que deverá ser um defesa a não entrar nos 23 – Zé Castro ou Ricardo Costa. Mas com Bruno Alves, Rolando, Ricardo Carvalho e Pepe era mesmo preciso ter dois centrais em alerta?
Dirão que Pepe foi chamado como médio. É pena, porque com Pedro Mendes em pleno, mais as alternativas Raul Meireles, Veloso e Moutinho (se estivesse na lista), podia utilizar-se o central do Real Madrid onde ele é realmente bom (isto se estiver em condições e não for mesmo ele a sair do lote).
Quem coloca dúvidas deve também pensar em alternativas. Por isso aqui fica o exercício de bancada, que só vale exactamente como tal e comporta os desejos da melhor sorte possível aos escolhidos: Daniel Fernandes por Quim, Zé Castro e Ricardo Costa (havendo Pepe) por João Moutinho, Danny por Nuno Gomes. E assim ficavam 23 jogadores para o ataque ao Mundial.




Rating:0.0 (0 votos)
Lançados os foguetes, é altura de dizer que são justos. Portugal tem o campeão que melhor jogou, que se mostrou mais constante e, convenhamos, que tem o melhor plantel.
Desta vez, a qualidade nominal de uma equipa correspondeu ao que ela mostrou em campo durante quase um ano. Posto isto, e olhando para as soluções à disposição de Jorge Jesus, espanta pouco que o Benfica tenha conquistado o 32.º título da sua história. Até porque tem… Jorge Jesus, figura central do campeonato.
Como quase sempre, podem os adversários ficar a pregar por túneis e castigos, por sistemas manietados ou benefícios obscuros – chegou ao fim com mais pontos a melhor equipa. Raramente aconteceu o contrário, e o FC Porto, por exemplo, sabe por experiência própria o que é ver os seus feitos denegridos pelo mau perder dos outros.
Uma palavra para o Braga: com os pontos que fez, seria campeão na maioria das épocas que ficaram para trás. Cresceu muito este ano, veremos se o futuro traz continuidade. Mas convenhamos: o Benfica joga melhor futebol. O que é um consolo para quem gosta do jogo – afinal consegue-se ganhar aliando espectáculo e resultados.




Rating:0.0 (0 votos)
É verdade que gosto mais, confesso, de ver jogar o Messi. Adoro o Ronaldo, admiro-o profundamente - mais ainda que aquele talento inato e explosivo admiro a forma séria, muito séria, como encara a profissão, acreditando nos testemunhos de quem o viu ou vê trabalhar todos os dias e na espectacularidade com que parece a cada semana ser melhor jogador.
Mas há um encanto qualquer no futebol do Messi que o do Ronaldo não me transmite. Pode ser, acredito, um bracinho a acenar no subconsciente, um bracinho com um bom par de anos que me faz relacionar o Messi com o Maradona, esse inigualável jogador a quem até a mão na bola se pôde perdoar. Ou então é do pé esquerdo. O pé esquerdo que tentei aperfeiçoar durante uns anos até perceber que seria melhor dedicar-me a outras lides, que a vida de futebolista tem privações para as quais me senti impreparado logo ali pelos 18 anos.
Acompanho entusiasmado o pingue-pongue da recta final da Liga espanhola. Messi marca dois, Ronaldo outros dois. Ao fim de dois dias está o Messi a marcar mais dois, ao terceiro dia o Ronaldo responde com três (eles aqui ao lado são menos minuciosos com as teorias do descanso).
Sim, eu sei que o colega de equipa Higuaín tem mais um golo no campeonato que o Cristiano, mas convenhamos: o Real Madrid anda um ponto atrás da melhor equipa do mundo porque tem o Cristiano. E se for campeão sê-lo-á, acima de todos, pelo Cristiano. É chato e injusto, isto de uma estrela ficar com os louros aproveitando o trabalho de mais duas mãos cheias de operários, mas é a vida.
Entretanto penso cada vez mais no Mundial. Penso que adorava ver o Cristiano de Manchester e de Madrid levar Portugal ao colo até uma glória qualquer.
Na guerra aqui do lado (mais uma confissão) prefiro que ganhe o Messi. Porque é o melhor do mundo e joga na melhor equipa do mundo. E porque já chega, ao Barcelona, a injustiça artística de não estar na final da Champions.
Mas na África do Sul a história é outra. Espero que Portugal e Argentina se encontrem e que finalmente um dos nossos possa, no palco maior, ser melhor que o outro melhor do mundo. Já me chega ter visto o Figo, duas vezes, ser ultrapassado pelo Zidane à beira da meta.
Em 2010 gostava mesmo que o Ronaldo fosse melhor que o Messi. E que o seu futebol me passasse a encantar mais que o do Messi, a partir do momento em que me falasse ao coração e aos sentidos.




Rating:0.0 (0 votos)
Não era de esperar outra coisa: o Benfica vai ter de aguentar mais uns dias até festejar o previsível 32.º título de campeão português. Perdeu no Dragão e o Braga não facilitou. Claro que há sempre o espaço da dúvida e da incerteza, mas essa passará mais, nesta altura, por receios benfiquistas do que propriamente por esperanças bracarenses (e portistas, e sportinguistas). No domingo, os encarnados devem golear e fazer a festa, ainda que o Braga vença, como se espera, no campo do Nacional da Madeira.
Pronto, está feito o guião da semana que vem, com os riscos que as previsões têm – e cá estaremos para avaliar isso depois, que só assim é que tem graça.
Entretanto, vale a pena perceber como tudo, neste domingo, se passou como previa o guião da razoabilidade na semana passada:
Antes do jogo: pedradas, hostilidade, bate-bocas, notícias contraditórias. Autocarros que foram apedrejados, depois não foram e afinal tinham sido, vidros que atingiram a cara de jogadores que depois apareceram incólumes no banco, adeptos atacados por apoiantes rivais. Escoltas policiais, muitos ânimos exaltados, ódio latente. Polícias a falar mais do que deviam. Nada de novo.
Durante o jogo: nervosismo, ímpeto, tensão, os ingredientes próprios de um clássico. Árbitro baralhado a distribuir cartões à tripa-forra, até chegar à inevitável e discutível expulsão da ordem – mais um ingrediente habitual, mas este dispensável. Benfica a mostrar-se melhor equipa, FC Porto a encher-se de brios e a não permitir a festa do maior rival em casa própria. Bons momentos de futebol, bons golos. Muita pancada, alguma dela a pisar a fronteira mas quase sempre dentro do razoável. Objectos a voar da bancada, jogadores a responder na mesma moeda. Braga a ganhar ao Paços de Ferreira, dê por onde der (e já agora Sporting a perder em casa, algo que hoje já vai espantando pouca gente).
Depois do jogo: portistas exultantes, apesar de acabarem de perder o acesso à Liga dos Campeões em função da vitória do Braga. Benfiquistas meio frustrados, mas serenos perante o jogo da próxima semana com o Rio Ave. Treinadores zangados com o árbitro. Porta-vozes, comunicados e contracomunicados a manter o nível de hostilidade na fervura, como que a marcar encontro para uma próxima oportunidade, seja esta próxima vez no Porto, em Lisboa ou onde se disputar a Supertaça Cândido de Oliveira. Nada de novo...




Rating:0.0 (0 votos)
Duzentos e cinquenta polícias fardados e outros tantos à paisana, todos fora do Estádio do Dragão, serão suficientes para controlar os mais que previsíveis tumultos antes, durante e depois do FC Porto-Benfica deste domingo?
Melhor: algum número de polícias, por mais absurdo que fosse, chegaria para que tudo decorresse sem incidentes e sem parecer que vivemos num Estado policial em situação de guerra?
Desconfio bem que não. A verve incendiária de quem comanda os destinos do futebol português - mais ou menos dissimulada consoante as conveniências conjunturais e a felicidade momentânea dos resultados desportivos – essa verve, dizia, fabricou um país de adeptos fanáticos mas de boa vontade, na sua maioria, deixando contudo perigosas franjas nas margens. Gente cuja organização grupal foi alimentada anos a fio, e ainda é, porque nunca se sabe quando dá jeito para a manutenção ou alteração de determinados status quo.
As claques continuam perigosas, de facto. E por mais organizada que esteja a cadeia de segurança nos acessos e no próprio estádio, é virtualmente impossível patrulhar uma cidade inteira, auto-estradas, estradas nacionais, aeroportos, bombas de gasolina, bares, cafés, todo um país.
Qualquer festejo como o que se prevê que inunde o país quando o Benfica for campeão traz problemas e desacatos. Está na natureza humana, talvez. Mas a possibilidade de o Benfica conquistar o título nacional no campo do maior adversário dos últimos 20 anos é perigosa. Devia ser só desporto e rivalidade, mas não é, sabemos que não é – é inimizade também. E isso potencia o risco.
Vale, ironicamente, que a disparatada decisão de fazer disputar toda a jornada do principal campeonato português domingo à noite – enquanto a II divisão se decide sábado ao final da tarde, voilà! – pode ajudar a serenar ânimos, quanto mais não seja porque segunda-feira é dia de trabalho (o Papa só chega na semana seguinte).




Rating:0.0 (0 votos)
Uma das magias do futebol é conseguir, de quando em vez, contrariar as estatísticas. Vale a pena, contudo, olhar um minuto para as que se seguem. Oficiaizinhas da Silva, emanadas da UEFA:
Barcelona – 75% de posse de bola
Inter – 25% de posse de bola
Jogador com mais passes certos do Barcelona – Xavi, 108 (cento e oito)
Jogador com mais passes certos do Inter – Milito, 10 (dez)
O Inter está na final da Liga dos Campeões e é impossível consegui-lo sem mérito. Nem que o mérito seja o de impedir que a melhor equipa do mundo jogue ao seu nível. O mérito de conhecer as próprias limitações e a grandeza do adversário, juntar esforços, agradecer uma expulsão que legitimou o antijogo durante mais de uma hora (teria aparecido na mesma) e perceber que a única forma de bater o Barcelona era matando o futebol.
Sim, matando o futebol: o melhor passador da equipa fazer dez passes certos e a equipa só ter a bola durante um quarto do tempo de jogo faz lembrar o “futebol humano” que jogávamos na escola. Esse mesmo, o que jogávamos sem bola, apenas com movimentos de corpo que permitiam ir avançando no terreno, “fintar” e até marcar “golos”. O Inter fá-lo muito melhor (os golos fê-los na primeira mão da meia-final) - mas aqueles jogadores também ganham muito mais dinheiro que os miúdos do recreio.
O Barça caiu de pé, como os grandes. Quis a bola e jogou-a; resistiu a um falhanço monumental, daqueles que acabaria animicamente com qualquer equipa normal, aos 82 minutos; marcou aos 84; continuou a lançar ataques organizados; evitou o chuveirinho de bolas para a área e não foi à final pela unha de um negro – chutada a meio metro, a bola tocou na mão de Touré e o lance que daria o 2-0 foi interrompido pelo árbitro (a discussão sobre bolas na mão e mãos na bola fica para outra altura).
Venha o Inter-Bayern, dia 22. E o desejo de que nesse sábado haja duas equipas em campo a querer jogar.




Rating:0.0 (0 votos)
“Para nós é um sonho, para eles uma obsessão” – José Mourinho
“Temos grande respeito pelo Inter mas queremos ir à final” – Pep Guardiola
A pouco mais de 24 horas do jogo do ano, os dois treinadores mais influentes da actualidade lançavam assim (cortesia do site do “Público”) a segunda mão da meia-final da Liga dos Campeões que interessa ao mundo inteiro.
Mourinho, igual a si próprio e sentado sobre uma vantagem de 3-1, jogou na provocação. Falou na “obsessão antimadridista” do Barcelona. Procurou capitalizar o facto de a final ser no Santiago Bernabéu, casa do Real, para estigmatizar um adversário movido a regionalismo catalão durante décadas. Foi uma fase anterior a esta universalização que nem o Barcelona de Cruyff conseguira, mas estará sempre presente na matriz do “més que un club”.
Guardiola, igual a si próprio e sabendo que tem de vencer no mínimo por 2-0, relativizou palavras mais duras do seu central Piqué e abriu o jogo, como o seu Barcelona faz, há dois anos, de forma inigualável – ou, vá lá, daquela forma de que só a selecção espanhola se aproxima.
Mourinho, sagaz como poucos, atirou a responsabilidade para cima do Barcelona: “Têm os meios para dar a volta à situação. A melhor equipa do mundo não precisa de montar este drama para dar a volta a um 3-1.”
Guardiola, purista do futebol-espectáculo, não enjeitou essa responsabilidade: “A essência do Barça é jogar muito bem futebol. Trabalhar muito, recuperar a bola, abrir espaços, jogar o mais aberto possível. Não sei se seremos capazes de dar a volta ao resultado, mas sei que nos esforçaremos ao máximo, frente a uma grande equipa.”
O “drama” de que fala Mourinho – arbitragem de Olegário Benquerença na primeira mão à parte – foi um fortíssimo apelo aos adeptos catalães para ajudarem na “remontada” com que o Barcelona sonha. Sim, porque quem expressa arte como Messi e companhia o fazem não tem obsessões – corre justamente atrás de sonhos.
Montar uma teia que impeça o Barca de jogar, como tão eficazmente fez Mourinho na primeira mão, isso sim é obsessivo. Será a única forma de o Inter chegar à final de Madrid, e venha de lá o primeiro homem ou mulher capaz de atirar pedras a quem joga com as armas que tem, ainda por cima bem e capitalizando talentos próprios, que também abundam em Milão.
Como expressaram, na transparência dos seus discursos, os dois treinadores, estarão em confronto esta quarta-feira, no relvado de Camp Nou, duas filosofias futebolísticas. Cabe a cada um escolher a que mais aprecia, abrir a cerveja e sentar-se em frente à TV para duas horas que podem tornar-se inesquecíveis. Façam as vossas apostas!




Rating:0.0 (0 votos)
Não foram os 14 jogadores que nesta segunda-feira ainda se bateram por um balão de oxigénio em Guimarães; não foram os dois treinadores que andaram pelo Belenenses durante a época, para provar pela enésima vez que as chicotadas psicológicas resultam quando o rei faz anos, e mesmo assim nem em todos os aniversários; não foram, obviamente, os adeptos, que mesmo com o calendário a querer impedi-los de ir ao futebol continuam, alguns, bastante fiéis às bancadas do Restelo; foram, evidentemente, os dirigentes que cavaram a sepultura onde mais um campeão nacional se afunda. Os actuais e os do passado recente.
Mesmo que quiséssemos dissecar pormenores, tal seria impossível. Num clube onde ninguém se entende e as assembleias-gerais acabam em demissões nem os próprios dirigentes se entendem, quanto mais os sócios e quem observa de fora. Há apenas versões, à conveniência de cada facção.
Certo é que o Belenenses termina uma época que começou torta no sítio mais previsível: a II Divisão. De onde talvez, dizia o jogador Miguelito após a derrota final de Guimarães, a secretaria não o devesse ter tirado no final da temporada passada.
A equipa ia sem rumo há muito tempo, resta saber se o retomará na passagem sabática pela Liga de Honra. Ia tão sem rumo que dois jogadores, lesionados, foram comer picanha a um restaurante da Charneca da Caparica à hora do jogo que decidia o futuro. Claro que Devic e Beto são cidadãos como os outros e podem até ter combinado acompanhar a partida num sítio que conhecem bem. Por azar, o plantel do Benfica apareceu lá e um fotógrafo do “Record” também.
A descontracção de Beto e Devic, numa hora em que o normal seria terem acompanhado a equipa ou no mínimo escolherem o recato do lar, não é naturalmente causa de nada, antes consequência de tudo. Ainda assim é difícil, para um adepto que à mesma hora chorasse, perdoar a leviandade com que se assiste, até de dentro do plantel, à forma triste como o azul se desbota.




Rating:0.0 (0 votos)




Rating:0.0 (0 votos)
O Sporting de Jorge Mendes não começou bem o ataque à nova temporada. A contratação de Paulo Sérgio – méritos e competências à parte – teve o condão de não conseguir entusiasmar sequer a torre amarela que sustenta o Estádio José Alvalade do lado de Telheiras.
A nova estrutura ignorou que a fundamental recuperação psicológica dos adeptos depois de uma das mais desastradas temporadas de sempre exigia um nome forte e firmado para o comando da equipa. No limite, para apostar num jovem e motivar ao mesmo tempo, teria de socorrer-se de um ex-jogador que se identifique com a camisola.
Nada disto foi feito, e portanto resta aos apoiantes do Sporting acreditar que Paulo Sérgio é um talento por descobrir, que tem mãos para uma máquina gigante cheia de areia na engrenagem e que consegue (era bom não esquecer o pormenor) pôr a equipa a jogar bom futebol, essa força que estranhamente é mesmo aquilo que leva os adeptos ao estádio, sobretudo quando conjugada com vitórias.
Não havendo qualquer razão apriorística para duvidar das capacidades do ainda treinador do Guimarães (vamos esquecer que ainda luta pelo mesmo lugar que o Sporting no actual campeonato…), é preciso dizer que tudo está em aberto e o futuro passa, agora, pelos jogadores que chegarem. Paulo Sérgio terá de ser o primeiro a compreender que a componente técnico-táctica não esgota as condições de contratação: tem de chegar gente que empolgue. Quaresma, por exemplo, encaixa como uma luva nesse pressuposto. Tiago também ajuda.
Jorge Mendes, Bettencourt e Costinha só terão decidido dar de barato a capacidade de mobilização do treinador por se sentirem ancorados na influência de mercado do agente de Ronaldo. Os sportinguistas não esperam menos de dois/três nomes que possam segredar aos filhos e que façam as crianças quererem comprar bilhetes e camisolas.
Enquanto esperam, os sportinguistas resignam-se em votos de confiança no trabalho de Paulo Sérgio - embora saibam que ao segundo empate e à primeira derrota serão os primeiros a exigir a sua cabeça. Cabe à estrutura, nesse caso, ser coerente com os princípios que devem estar presentes quando se assina um contrato de dois anos.
Sem jogadores e sem paciência, vem aí mais do mesmo.




Rating:0.0 (0 votos)A discussão vai longa, os erros dos árbitros vão-se acumulando (e continuarão a acumular-se), mas desta vez a iniciativa do jornalista Rui Santos chegou à Assembleia da República. Sete mil signatários clamam pela introdução de tecnologias no futebol para minimizar erros penalizantes para jogadores, equipas, clubes, federações.
A intenção é naturalmente boa e seria no mínimo tonto ignorar a discussão. Que é na verdade o que têm feito a FIFA, a UEFA e o International Board. A petição entregue a Jaime Gama tem a vantagem de colocar o assunto na ordem do dia. Pouco mais efeitos se verão.
A discussão: um fórum que escutei hoje na TSF trouxe à evidência o pimeiro dos factores que devemos ponderar: a clubite ultrapassa a racionalidade. A questão em debate era a tecnologia – um ouvinte queria Olegário Benquerença com a PJ a porta do balneário depois do Benfica-Nacional; outro dizia que meio país (fez mal as contas aos seis milhões...) anda desvairado porque o Benfica joga bem. Ou seja, nem todos quiseram discutir os chips, os videos, os olhos de falcão.
Pedro Henriques, árbitro, foi ponderado: apelou à utilização do video-árbitro, sistema que permitisse rever uma jogada em caso de dúvida. E apenas em casos de penálti, fora de jogo ou expulsão.
É a posição que parece fazer mais sentido. Ainda assim fica a pergunta: quantos lances estão vistos, revistos e repisados por todos os ângulos televisivos e informáticos e merecem unanimidade na sua avaliação? OK, a mão de Thierry Henry que colocou a França no Mundial foi evidente e é chocante. Mas quantos milhares de situações dúbias sobram? Em que situações se aplicaria a videovigilância? As equipas teriam limite de pedidos? E se uma que já não possa apelar sofre um golo com a mão no último minuto sem o árbitro ver, não é injusto na mesma?
Depois há a questão do tempo: os espectadores no estádio e em casa vêem filmagem da cabina do quarto árbitro e assiste à decisão? Ou entram em campo as cheer leaders, outra ridícula importação dos Estados Unidos?
Finalmente, o essencial: a democraticidade do futebol. Não é por acaso que se tornou desde o berço o desporto mais popular do mundo. É porque se joga sob quase todas as condições atmosféricas, em qualquer bocadinho de terreno, com chuteiras ou descalço, pedras e paus podem fazer de baliza e meias rotas de bola. O segredo: as regras são as mesmas – poucas, simples e universais (na rua não usávamos o fora-de-jogo, pronto...)
Introduzir teconologia só seria possível em provas internacionais e (eventualmente) nos campeonatos profissionais de alguns países do primeiro e do segundo mundo. E o fosso entre ricos e pobres, que já vai tão grande, acentuar-se-ia até ao limite de tornar o futebol um espectáculo de elite ao qual só alguns desportistas poderiam ter acesso. Chama-se a isso matar o futebol.
Já faltou mais, agora que para os miúdos o jogarem já precisam de ter pais que possam pagar 40 ou 50 euros por mês numa escola fina...




Rating:0.0 (0 votos)
A Taça da Liga, para mais complicada como é, serve basicamente como prémio de consolação para quem a pouco mais aspira ou cereja no topo do bolo se for ganha por quem conquista algo de realmente importante. É a terceira prova do calendário português e a quarta dos clubes mais fortes que se mantêm na Europa (será, Sporting?).
A jornada deste fim-de-semana tinha, contudo, alguns aliciantes: veio depois de uma paragem na Liga e trazia no calendário dois jogos interessantes de seguir, mais pelo significado dos estados de espírito do que propriamente pelos pontos que valiam nos grupos da dita taça.
O primeiro prato de domingo para os ressacados da paragem competitiva trouxe um Benfica-Nacional um tudo-nada mais equilibrado que o 6-1 do campeonato. O Benfica, como de costume, atacou mais e como de costume teve dificuldades, em casa, perante uma equipa bem estruturada defensivamente. Aos 78 minutos, Jesus lançou mão de uma pérola e resolveu o jogo. Sim – aos 33 anos, Nuno Gomes ainda sabe fazer coisas em campo que os outros companheiros de ataque têm dificuldades em executar. No caso fala-se de antecipar a ocupação de espaços e saber jogar ao primeiro toque. E aqui foi literalmente o primeiro dele no jogo: passe para Saviola, golo. Tudo decidido. O velho Nuno ainda mexe, Carlos Queiroz (perdão pela insistência) devia olhar bem para ele até ao Mundial.
Prosseguiu a tarde/noite com o Sporting-Braga. Um fantasma cheio de pontos de visita a Alvalade, onde já ganhara este ano. Carvalhal com algum tempo (ainda que poucos jogadores) para instalar os métodos de trabalho em Alcochete e a curiosidade de ver o novo Sporting, ainda que sem as mais recentes contratações.
Apesar do futebol fraquinho, o Sporting teve um domínio do jogo como há algum tempo não se via. Depois voltou a si próprio, no início da segunda parte, e deixou que o Braga se sentisse grande em casa de um grande. Depois... apareceu o talento de Veloso. Segundo grande golo desta época, a mostrar um Miguel que andava arredado de Alvalade desde o início do ano passado e que esta época percebeu – Paulo Bento explicou-lhe – ser impossível ir longe sem mostrar aplicação e qualidades com a camisola que agora veste.
Barcelona será miragem, Manchester United sonho, quem sabe se um dia? Mas só com este novo Miguel a família Veloso pode ambicionar uma liga de primeira.




Rating:0.0 (0 votos)




Rating:0.0 (0 votos)
Manuel Fernandes, treinador do União de Leiria, acha que não foi penálti. Jorge Jesus, treinador do Benfica, acha que foi. Óbvio – e idem aspas para os adeptos das duas equipas (na verdade para os do Benfica e os outros). Ambos os técnicos falaram depois de ver o lance na TV.
Vamos aos jornais da especialidade: "A Bola" e "Record" admitem o espaço da dúvida, mas são categóricos – foi penálti. "O Jogo" deixa a análise para os três ex-árbitros que formam o seu habitual painel de comentadores. Jorge Coroado e Rosa Santos dizem que não foi penálti, António Rola afirma que sim. Todos, claro, viram as imagens televisivas. E muito mais vezes que os treinadores, pelo menos até domingo à noite, altura em que as opiniões foram emitidas.
Imagine-se agora, por momentos, a posição de Jorge Sousa, o árbitro que teve de decidir sem repetições. Decidiu, num segundo, porque se convenceu de ter havido uma falta merecedora de grande penalidade.
De que serviriam, neste caso, os apregoados como necessários meios tecnológicos de apoio às decisões do árbitro? De pouco ou nada, evidentemente. Jorge Sousa, provavelmente, manteria a sua opinião, os treinadores, os jornalistas, os adeptos e os ex-árbitros também.
Há, no futebol, discussões quase intrínsecas. Se até na lei do fora-de-jogo, que apesar de complicada é objectiva, duas pessoas conseguem discordar vendo TV, como resolver as diferenças de visão em penáltis, agressões, mãos na bola e bolas na mão? Resposta: de nenhuma forma. Deixando ao critério subjectivo de um árbitro pago para decidir e fazendo, depois, o esforço civilizacional possível por aceitar as decisões dele.
Meios tecnológicos? Sim – um chip que garanta infalivelmente se uma bola passou ou não o risco de baliza e recurso a imagens para punir agressões não vistas pela equipa de aribtragem. O resto é irrisório: gasta-se muito dinheiro, uma imensidão de tempo (para interrupções já bastam as normais) e passaríamos a vida a discutir na mesma.




Rating:0.0 (0 votos)
Na quarta-feira era dia de Inter-Barcelona. Acontece que também era dia de reunião de pais na escola da criança, e nisto da vida ainda há prioridades, pelo menos enquanto eles ou elas são menores.
Deixei o jogo a gravar, mas algo que me dizia que nunca iria vê-lo. Nem mais: bastou assistir ao último quarto de hora e ouvir os óptimos comentários do Nuno Dias na Sport TV para perceber tudo. A sério que isto não é embirração pessoal - eu não conheço José Mourinho. Quando muito poderia ser inveja. Faz sentido, quem quiser que pense assim.
Vamos aos factos, já brilhantemente explanados pela pena do Rui Miguel Tovar no i de quinta-feira: uma vez mais (e já são muitas) uma equipa de José Mourinho impediu um bom adversário de jogar futebol. Tirou essência ao jogo. Pelo menos para quem ainda acredita que a essência vai um bocadinho além dos resultados. O Inter empatou em casa, a zero, com um alegado adversário directo na luta pelo primeiro lugar no grupo. No fim, Mourinho mostrou-se satisfeito com o resultado. O que significa, muito pragmaticamente, que lhe chega ser segundo e qualificar-se para a fase seguinte. Que se danem os muitos mil que pagaram bilhete para ver um espectáculo. Do George Clooney não tenho tanta pena, porque a entrada foi oferecida.
Mourinho ganha, Mourinho sabe, Mourinho é bom. Nem o maior invejoso do mundo dirá o contrário. Mas na maioria das horas da verdade prejudica quem faz sobreviver a indústria – os adeptos. Viva Pep Guardiola!
E por cá…
Boa entrada dos portugueses na ex-Taça UEFA. Como que a provar a tese de que aquele é o sítio deles, Benfica e Sporting entraram a ganhar na Liga Europa. Os da Luz sem o brilho a que vão habituando mal os seus adeptos, os de Alvalade a jogar mal na mesma mas com Liedson mais perto de si próprio.
Foi pena o Nacional, mas a secção de milagres, provavelmente, já fechou este ano com a eliminação do Zenit de Sampetersburgo. Ter estado perto de não perder com o Werder Bremen, convenhamos, já é de se tirar o chapéu aos homens da ilha, que ainda por cima são sistematicamente secundarizados, em favor do Marítimo, na democracia perfeita do dr. Jardim.
O FC Porto foi quase grande em Londres. Perdeu mas jogou. De peito bem aberto, o que se calhar nem nos tempos de Mourinho fazia…
Este fim-de-semana (ou coisa parecida, porque afinal aquilo de não haver jogos à segunda-feira foi tudo propaganda de Verão da Liga) volta o campeonato nacional. E dificilmente haverá surpresas.




Rating:0.0 (0 votos)
NACIONAL: Notável proeza ao ultrapassar o Zenit no play off da Liga Europa. Talvez precisemos de uns dias para assimilar bem o significado do feito. Pena que o presidente do clube esconda o bom trabalho de Manuel Machado e dos jogadores por causa de guerras financeiras sem sentido com as televisões.
SPORTING: Já se lhe viram piores noites este ano. Noutros anos já se viram bem melhores. Os jogadores são os mesmos, portanto a explicação dos empates e das derrotas só pode estar na má forma de elementos-chave. Começou com sete jogadores da Academia e acabou com oito. Não se pode ter tudo na vida. Transformar em “contestação” os insultos de duas pessoas, entre dez ou quinze que estavam no aeroporto quando a equipa chegou a Lisboa, é no mínimo um exagero. No máximo é manipulação.
BENFICA: Tal como o Sporting, está na competição europeia que mais se lhe adequa. Falar em vitória na Liga Europa, para qualquer um dos dois, é no mínimo um atrevimento. No máximo é demagogia. Claro que não há impossíveis em futebol, mas à Liga Europa vão chegar os terceiros classificados da fase de grupos da Champions. E as atenções do Benfica, por razões óbvias, estarão no campeonato nacional. Mas não há impossíveis no futebol – já tinha dito isto hoje?
FC PORTO: Não foi a equipa do pote 2 do sorteio da Champions mais bafejada pela sorte. Há segundas linhas noutros grupos bem mais acessíveis. Também não foi açoitada pelo infortúnio. Escapou a Milan, Barcelona, Bayern e Manchester United. Tem o Chelsea, sim. Mas no futebol não há impossíveis, sobretudo para o FC Porto. Portanto, pensar no primeiro lugar é no mínimo realista. No máximo é exigível. O Atlético Madrid? Caiu às mãos do dragão há meses, porque não há-de cair outra vez?
SELECÇÃO: Nuno Gomes voltou. Não é coerente, mas em alturas de aperto a coerência nem sempre é o que mais conta. No caso de Queiroz, aliás, conta muito poucas vezes no que respeita a escolhas de jogadores. Liedson chamado. Mesmo a jogar bastante mal. Podia Queiroz não o fazer, depois da naturalização dele? Talvez não. E nunca se sabe quando o Levezinho regressa à normalidade. Ponto positivo: estive ontem num programa de TV e o tema veio a lume. Nem uma frase sobre o facto de ser um ex-não português. No mínimo é bom senso. No máximo um sinal de evolução de mentalidades.




Rating:0.0 (0 votos)
Se tivesse ficado no Sporting, muito provavelmente Silvestre Varela seria segundo suplente. Ou terceiro. Hoje é titular do FC Porto. Veremos, dentro de meses, se continuará a sê-lo e deixemos para outra altura a reflexão sobre a passagem de júnior a sénior, problemática que raramente atingiu o FC Porto. (Raramente ou nunca?)
Falemos por hoje de Nuno Gomes. Saiu novinho do Boavista, afirmou-se no Benfica, teve uma aventura italiana mas não resistiu ao canto da sereia de Vale e Azevedo. Depois ficou no Benfica. Como se nunca de lá tivesse saído. Continuou a jogar, a marcar, a falhar e – atente-se bem – a fazer os outros jogar.
Atravessou o deserto, participou activamente no título de 2005, chegou a capitão. Mas ficou sempre no Benfica. E é tratado como normalmente os adeptos tratam estes jogadores: sentem-se tão à vontade com a presença e a dedicação deles, é uma relação tão cheia de certezas, que os transformam facilmente nos primeiros alvos sempre que os fígados se revoltam com um mau resultado ou um golo falhado. Para depois, num qualquer jogo a seguir, o Nuno marcar um golo e cada adepto jurar ao da cadeira ao lado que nunca o colocou em causa, e o amigo sabe bem, que fica sempre aqui à minha beira nos jogos e pode confirmar que eu não embarco nessas coisas dos assobios sempre que qualquer coisita corre mal. “Meu rico Nuno Gomes”.
O mesmo “rico Nuno Gomes” que apurou Portugal para meias-finais de Europeus e fez pela selecção o que poucos terão feito se nos deitarmos a contas de dividir entre minutos jogados, golos marcados e assistências para colegas brilharem.
O campeonato vai no início e é muito cedo para se ter ideias consistentes - quanto mais conclusões - sobre os três candidatos ao título, o que valem hoje e o que podem valer no futuro. Mas como o futebol e a vida, no fundo, são momentos, apetece-me deixar dois factos registados: Nuno Gomes entrou no Benfica-Marítimo, havia 0-1 e o Benfica empatou; Nuno Gomes entrou no Guimarães-Benfica, havia 0-0 e o Benfica ganhou.




Rating:0.0 (0 votos)
Com muito mais fé que razão (em tom coloquial dir-se-ia com piada e a-propósito “com mais sorte que juízo”), o Sporting continua na luta por um lugar na Liga dos Campeões.
A história é conhecida e nem sequer inédita – a mesma Holanda, em 2005, já fora palco de um golo nos descontos que deu a final da Taça UEFA.
Passada a euforia que só a irracionalidade do futebol no momento do golo permite extravasar, os adeptos sportinguistas não estarão contudo descansados. Longe disso. A exibição voltou a ser pobre e a equipa desenvolve pouco. Metade da explicação está na ausência do verdadeiro Liedson. Sabe-se que o brasileiro, muito para lá dos golos que marca, é fundamental para o Sporting dos últimos anos. Por agora vai lutando como sempre, mas falhando lances banais como quase nunca.
A outra metade da explicação entra no campo especulativo, sobretudo para quem não é Paulo Bento e não conhece a equipa e os seus segredos como ele.
Para já, sobra de factual a ausência de vitórias até ao momento (com a devida licença do Atlético do Cacém) e o cinzentismo dos jogos. Sobra também a curiosidade aguçada por meia hora de Caicedo – bons detalhes no capítulo da garra, precisamente o que ia faltando à equipa.
O Twente foi melhor na eliminatória. Mesmo tendo jogado com dez durante um terço dos minutos, criou mais e melhores oportunidades de golo. Teve azar.
Sim: por mais científicos que sejam todos os treinos e cálculos e contas, há este factor meio aleatório que o futebol reserva para si (nos outros desportos é muito raro o melhor não vencer).
O Sporting, que só perto do fim a procurou com a ânsia que se impunha, teve a sorte do seu lado. Ao contrário de Liedson, que tem dado tudo e anda azarado, o Sporting deu pouco e teve grande fortuna. Como não a mereceu até agora, tem, no mínimo, a obrigação de saber merecê-la daqui para a frente.




Rating:0.0 (0 votos)
Desportivamente haverá muito para discutir em torno de uma eventual chamada de Liedson à selecção portuguesa. Como há para discutir na chamada de qualquer outro jogador, mas um pouquinho mais. A saber: quando a equipa precisar de um guarda-redes (e precisa...) ou de um lateral-esquerdo (e precisa...) a Federação vai tentar promover uma naturalização mais à pressa ou espera que algum brasileiro talentoso caia de maduro no país para se tornar português? As naturalizações prejudicam ou não a formação local?
O resto é igual para todos: vale a pena apostar num novo avançado aos 31 anos? Vale a pena deixá-lo de fora quando é claramente melhor que os outros e marca muito mais golos? O seu estilo de jogo coaduna-se com o da selecção?
Questões desportivas à parte, não há discussão possível. A lei é a lei, Liedson vive há seis anos em Portugal e tem direito à nacionalidade. Não foi sequer um processo martelado à pressa. Quis ser português e tem, como qualquer outro cidadão que reúna para tal condições, direito a sê-lo.
A partir do momento em que se torna cidadão nacional é exactamente igual aos outros portugueses. Aos que têm sotaques (todos!), aos que nasceram no estrangeiro e têm pais portugueses, aos que nasceram em Portugal e têm pais estrangeiros, aos que nasceram em Portugal e têm pais ainda mais portugueses. Todos com os mesmos direitos e deveres. Dizer o contrário era dar muitos passos atrás no progresso civilizacional.
A decisão, portanto, é apenas desportiva. E cabe a Carlos Queiroz, a quem apenas se acrescenta mais uma dor de cabeça.




Rating:0.0 (0 votos)
Situemo-nos: há um par de semanas o Sporting-Benfica que decidia o campeonato nacional de juniores foi interrompido devido a desacatos nas bancadas (ou melhor, numa bancada e em todo o baldio que rodeia o campo da academia do Sporting).
Ontem, o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol decidiu punir as duas equipas com derrota. A consequência disto foi que o Benfica conquistou o título na secretaria, porque tinha dois pontos de avanço antes do jogo e portanto manteve-os.
O Benfica é assim campeão, salvo diferente e melhor decisão do Conselho de Justiça (há recurso), mas podia perfeitamente ser ao contrário. É irrelevante para o que quero dizer. Como é irrelevante o facto de terem sido os adeptos do Benfica a causar os problemas. Como sabemos, as claques de qualquer clube, nomeadamente dos três principais, seriam perfeitamente capazes de fazer exactamente o mesmo.
Nada nos diz que o Benfica não empataria ou ganharia o jogo – seria campeão na mesma. E é aqui que entramos nos princípios devassados:
- É lamentável que uma prova nacional tenha um campeão sem jogo, sobretudo se o jogo estava por disputar. Casos houve em que factos conhecidos a posteriori determinaram alterações em classificações. Antes de se jogar é que é complicado.
- O jogo foi interrompido, portanto qualquer dose normal de bom senso apontaria para a realização de novo jogo ou o reatar daquele que se disputava e foi interrompido durante a primeira parte
- Trata-se de uma competição jovem, disputada por jogadores e homens em formação. Que aprenderam eles com isto, que exemplo se lhes deu?
- De hoje em diante quantas vezes os adeptos de equipas a quem convenha que os pontos fiquem como estavam antes dos jogos vão tentar interrompê-los recorrendo ao mesmo expediente?
- Sem duvidar de que o CD seguiu os regulamentos, a pergunta é simples: entre multas, suspensões, jogos à porta fechada, repreensões e castigos não seria mesmo possível deixar os miudos decididrem o campeonato dentro de campo?
Tem a palavra o Conselho de Justiça




Rating:0.0 (0 votos)
É verdade que os números assustam um pouco. Quer os 94 milhões da transferência do Manchester United para o Real Madrid, quer os 12 milhões livres de impostos que se diz ir ganhar o português.
Irrita, no entanto, a baratíssima demagogia de quem se põe a fazer contas a números de refeições que podiam pagar-se a meninos do terceiro mundo ou quantidade de hospitais que poderiam construir-se, ou todas essas derivas fáceis, tão fáceis como o pé que foge para o chinelo quando chega o calor.
Às vezes faz-se a mesma confusão entre submarinos e escolas, comboios e hospitais, idas à lua e fome em África.
Na última lista das 100 celebridades mais poderosas do mundo, segundo a revista Forbes, estão mais de dez desportistas. NBA, golfe, ténis, automobilismo, futebol americano... Entre os 100, dois futebolistas apenas: Ronaldinho Gaúcho e David Beckham.
Não me lembro, contudo, de ter alguma vez lido, a propósito dos ordenados do basquetebol americano ou do golfe – ou mesmo dos actores e actrizes de Hollywood – que são uma imoralidade; tão altos que serviriam para erradicar a sida do planeta e dar uma perna na luta contra o cancro.
A explicação é simples: o futebol é o fenómeno desportivo mais acompanhado do mundo. O desporto universal por excelência. O único que acede a esse patamar. E isso tem custos para as suas estrelas, mesmo que grande parte delas continue a ter, em média, ordenados de mordomo das estrelas da NBA.
Demagogia por demagogia, prefiro a de Tony Carreira na entrevista dada hoje a "A Bola": "Para mim, chocante são os 2 mil milhões de euros de buraco do BPN." Voilà!




Rating:0.0 (0 votos)A vida é muito mais que desporto, está escrito no enunciado do blogue e vai sendo tempo de fazer justiça ao que aqui um dia me trouxe.
Mas a vida é pouco mais que livros. Muito pouco. Sobretudo se tratarmos de um livro como este, que além (ou apesar!) de ser escrito por um amigo é muito bom de ler, reler e reflectir.
Os futebóis estão a banhos - entram agora em campo os advogados, os solicitadores, os agentes, os dirigentes, os donos das carteiras mais recheadas, as fotografias dos jogadores em férias com amigos e amigas mais ou menos sociáveis, consoante a sorte e a vontade de se exibirem.
Jorge Jesus nunca mais é oficializado no Benfica – vê-se como tudo foi mal preparado, nada de novo.
Cissokho, em seis meses, pulou do Setúbal para o Milan – o Porto viu antes dos outros, nada de novo.
No Sporting pouco ou nada acontece – não há dinheiro, nada de novo.
A busca do novo no mundo do desporto, e do futebol em particular, é o ganha-pão do Miguel Cardoso Pereira, jornalista de “A Bola” desde os tempos em que só precisava de fazer a barba uma vez por semana. Agora até precisava mais vezes, mas só faz quando tem de ser. Há coisas mais importantes nos dias.
O jornalismo, para ele, é o ganha-pão mas não só: é um trabalho que abraça com entusiasmo, seriedade, rigor, qualidade e paixão. Porque o jornalismo, desculpem, há-de ser sempre paixão, pleno de todos os extremos com que a paixão nos tortura.
Abraça a causa, o Miguel, sobretudo com talento. Pode fazer-se muito floreado sem ele (dá e sobra para viver, está provado por aí aos magotes), mas há coisas que só com talento se alcançam. A escrita do Miguel é uma delas. E por isso era preciso algo mais. Ele sabia-o, nós sabíamo-lo, os milhares que o lêem em ”A Bola” calculavam.
Quando, daqui a uns muitos anos, recordar a apresentação do primeiro livro, este sábado, em Lisboa, o Miguel há-de sorrir e pensar para ele, ou partilhando o pensamento com quem tiver ao lado nessa hora, quem sabe se em frente a uns caracóis e cheio de netos à volta: “Corri Seca e Meca para publicar o ‘Amor dos Babuínos’, agora correm atrás de mim e eu sem querer publicar à velocidade que eles gostavam. Eles que esperem. Mais uma imperial, por favor!”
O Miguel Cardoso Pereira é meu amigo. Claro que é meu amigo. A partir do momento em que nos cruzámos era impossível não sê-lo. Era impossível, pelo menos, eu não querer ser amigo dele. Tentei e consegui.
Escreveu um belo livro, que aconselho para lá das fronteiras da nossa amizade, com toda a parcialidade de que óbvia e felizmente me invisto ao falar do “Amor dos Babuínos”.
É um livro difícil. Não esperem daqui a trivialidade da escrita a metro que vende por aí como ginjas. Quem ler, vai ter de pensar e sentir. Pensar e sentir é uma maravilha, não é? Mesmo ao domingo.
Mais informações em http://www.temas-originais.pt/index.htm




Rating:0.0 (0 votos)
A exibição da selecção nacional na Albânia foi, objectivamente, uma vergonha. Não vale a pena mascarar a realidade, dizer que o mundo está muito mais difícil hoje do que era há uns anos, lembrar que o objectivo foi cumprido. Foi, sim senhor: no último minuto, um bocado sem se saber como, visto que até então os caminhos da baliza albanesa tinham estado tapados. Um milagre, portanto.
O objectivo foi cumprido mas a jogar daquela forma Portugal não pode sequer sonhar com uma vitória na Dinamarca. E na Hungria, provavelmente, também não.
Não vale a pena entrar na guerrilha Scolari-Queiroz. Já não é disso que se trata. Trata-se apenas de lamentar vermos uma equipa arrastar-se daquela forma, tão parecida com a forma como se arrastou pelos jogos anteriores. Sem chama, sem garra, com o pretenso melhor jogador do Mundo a empatar a vida aos outros e valores de mais no banco. E com pouco, muito pouquinho valor dentro da área de decisão.
Portugal ainda pode ir ao Mundial. Se esta selecção se encontrar a tempo ou se até Setembro se encontrar uma nova selecção.
Desculpem, mas por mais difícil que seja hoje ganhar à Albânia (?), não queria ter visto os jogadores de Portugal festejarem como se se tivessem qualificado para a final de um Mundial. No sábado, o mínimo que se lhes pedia era que, mal soasse o apito final, corassem todos até à raiz dos cabelos e fugissem para o balneário. Dantes era assim, e Portugal andava longe de se achar tão bom como se acha hoje...




Rating:0.0 (0 votos)




Rating:0.0 (0 votos)
O presidente do FC Porto teve, no mínimo, piada nas observações que deixou sobre o gosto que Cristiano Ronaldo sente em marcar golos ao seu clube.
"O Cristiano diz que gosta muito de marcar golos ao FC Porto e eu gostava muito era de o ver marcar golos pela selecção. Infelizmente, o FC Porto sofreu um golo a 35 metros numa baliza onde uns dias antes falhou um golo a 35 centímetros. Portanto, eu ficaria bem mais contente, e todos os portistas e todos os portugueses, se marcasse golos pela selecção em primeiro lugar."
Por mais que diga que se todos jogassem como ele na selecção Portugal seria campeão do Mundo (o que é obviamente mentira), a verdade é que Cristiano tarda em mostrar-se ao nível do Manchester United. O que no fundo ate é natural, por uma série de razões que é escusado enumerar aqui.
Compreenda-se, então, que o contexto não é o mesmo, mas exija-se que Ronaldo jogue mais e fale menos quando vem à selecção. O estatuto de melhor do mundo defende-se em campo.




Rating:0.0 (0 votos)
Ou anda mais de meio mundo louco, ou Quique Flores vai mesmo deixar de ser treinador do Benfica no início da próxima semana. Rui Costa, que ia abraçar a carreira de dirigente desportivo para ser diferente, vai afinal, logo no primeiro ano, fazer exactamente o mesmo que toda a gente faz há séculos: despedir o treinador quando as coisas não correm conforme o esperado. Até aqui tudo normal, embora se lamente a falta de ar fresco.
Apesar da indefinição (?), o Benfica anda a contratar jogadores para a próxima época. O que significa, se mais de meio mundo não andar louco, que boa parte do plantel (pelo menos relevante parte do plantel) vai ser escolha dos dirigentes e não do novo treinador. As vantagens e desvantagens são discutíveis. Mas ter um grande treinador, de nome feito, raramente liga bem com pouca autonomia na escolha dos jogadores.
Há outra hipótese: Jorge Jesus (ou qualquer outro) está contratado e já trabalha em consonância com quem manda na Luz. Coisa muito pouco fresca e saudável, quando ainda há um homem a cumprir um contrato.
Se, ao contrário do que parece, andar mais de meio mundo louco, então esqueça-se as linhas de cima e tire-se o chapéu a Filipe Vieira, Rui Costa e Quique Flores — nesse caso estarão a preparar a nova época em tempo muito útil. E isso sim, seria uma lufada de ar fresco.
.




Rating:0.0 (0 votos)



Rating:0.0 (0 votos)



Rating:0.0 (0 votos)
Mário Jardel, 35 anos, é uma criança grande. Continua uma criança grande.
Mário Jardel, 35 anos, foi o jogador mais espantoso que vi passar no futebol português nos últimos 25 anos. O melhor. A opinião, claro, é discutível. A marca de Jardel não: títulos, glória e golos, muitos golos. De toda a forma e feitio, marcados de cabeça ou com qualquer dos pés. De peito, joelho, coxa, calcanhar. Até, jura-me um treinador que com ele trabalhou no FC Porto, com o rabo! Aconteceu num treino que lhe corria mal como tantos outros... até à hora de empurrar para a baliza. A bola, quando o encontrava no caminho, sabia onde tinha de chegar. E chegava.
Jardel foi títulos, glória e golos quase até ao fim. Criança grande, ao que parece bom de coração e influenciável, caiu na má vida. Arrastou-se no segundo ano de Sporting, saiu para Inglaterra, andou por mil lugares e a magia dos golos não voltou. Ainda regressou ao Beira Mar, sem sucesso. Jardel continuou títulos e glória, a imagem ainda assim intocada.
Jardel, com muito menos anos, nunca escondeu que gostaria de ter jogado no Benfica. E disse muitas vezes o óbvio: "Comigo o Benfica era campeão."
Mas os óbvios também se esbatem no tempo. Jardel, 35 anos, faria alguns golos e empolgaria a bancada, mas dificilmente faria do Benfica campeão.
Jardel, 35 anos, é uma criança grande. E por isso perdoa-se-lhe outra vez a insistência. Mas já chega, não?




Rating:0.0 (0 votos)
A Europa e o Mundo vão ter a final da Liga dos Campeões que o futebol merece: Manchester United-Barcelona.
O Chelsea passou uma vez do meio-campo na primeira mão e empatou a zero. Depois marcou cedo na segunda mão, em casa, e foi desmontando o futebol letal do Barcelona. Mas só até aos 93 minutos.
Pelo meio, é verdade, o árbitro prejudicou os ingleses. Não cabe aos árbitros exercer a justiça divina, por isso teremos sempre de lamentar o sucedido.
Mas confessemos: não há um certo prazer perverso em ver uma equipa cheia de cuidados defensivos ser eliminada no último minuto precisamente na sequência de um erro na zona fatal?




Rating:0.0 (0 votos)
Hermínio Loureiro está optimista naquilo a que chamou “intervalo” da discussão sobre punições para clubes que não pagam ordenados (a Assembleia Geral da Liga de segunda-feira terminou sem conclusões, dia 30 há mais). Aliás, o presidente da Liga é normalmente optimista, e é sobretudo isso que o tem feito correr no cargo. Com interessantes conquistas no percurso, é preciso dizê-lo.
No ponto dos salários em atraso, todavia, está a pisar muitos calos de uma vez. E todos sabemos como somos capazes de deixar a moral de lado quando nos pisam os calos. De acordo com os estatutos do futebol, cabe aos clubes definir as regras de acesso às competições e respectivos regimes disciplinares. Custa a crer, portanto, que os clubes concordem num sistema realmente punitivo para os faltosos. Porque cada um deles, ou uma larga maioria, sabe dos riscos que corre de um dia lhe faltar a liquidez. Vão encontrar uma solução de fachada para manter o decoro, mas deixarão mil escapatórias para o tradicional contorno da lei.
Era bom sinal enganar-me – e cá estarei com gosto para dar a mão a essa palmatória – mas os clubes vão continuar a viver acima das suas possibilidades. E tirando um ou outro caso tipo Salgueiros, Campomaiorense, Farense, Boavista ou, provavelmente, Estrela da Amadora, continuarão a ser os jogadores as maiores vítimas. Vão continuar a jogar muitos meses sem receber, sabendo que o atrevimento de rescindirem contratos com justa causa pode fechar-lhes portas em muitos outros lados. Porque lá nisso ainda vai havendo associativismo, corporativismo ou o ismo que lhe queiramos chamar: «Vou contratar aquele que rescindiu com o x? E se um dia lhe falho, vai-se embora daqui também?»




Rating:0.0 (0 votos)
Dizia-me um amigo no fim das favas de sábado: «Se queriam homenagear o Giggs que arranjassem um prémio carreira tipo Hollywood, ou coisa assim.»
No essencial o Miguel tem razão. O fabuloso galês jogou pouco nos últimos tempos e talvez não tenha sido, de facto, o melhor jogador da época em Inglaterra. Mas os companheiros de profissão entenderam prestar-lhe esta homenagem, num daqueles actos colectivos de cavalheirismo e elevação que o futebol inglês, mesmo hipercolonizado, consegue manter. Votaram, de forma secreta, e elegeram Ryan Giggs como futebolista do ano.
É fantástica esta réstia de pureza que por lá se revela de vez em quando. A essência do futebol enquanto disputa de gentlemen a contaminar a legião estrangeira que nos últimos anos deu à Liga inglesa uma importante dimensão estética. Dimensão esta que, convenhamos, lhe fazia falta para poder juntar-se à paixão e à emoção inimitáveis daqueles estádios.
Por tudo isto, faz sentido que Giggs tenha sido coroado. Pelo exemplo de desportista, pela dedicação ao Manchester United e pelo facto de simbolizar, assim de repente, o tipo de jogador que os canhotos das duas últimas gerações gostariam de ter sido quando sonharam ser futebolistas.




Rating:0.0 (0 votos)
Luiz Felipe Scolari já ganhou muito dinheiro na vida. E gosta de ganhar, porque além de humano é daqueles humanos para quem o pragmatismo é lei sagrada.
Luiz Felipe Scolari já ganhou muitos títulos e honrarias na vida. Gosta de ganhá-las, porque além de pragmático é vaidoso e guarda aquela pontinha de orgulho de quem "vindo de baixo, teve de lutar muito para chegar cá acima" [vox populi].
Fica difícil de entender, portanto, o que pode levá-lo a aceitar o cargo de seleccionador de Angola. Títulos? Difícil. Honrarias? Possível, mas muito complicado. Afinal Angola já esteve num Mundial, e não se prevê que Felipão consiga fazer algo parecido com o que alcançou à frente da selecção portuguesa. Na Taça das Confederações Africanas? Talvez um dia. É esta a ponta solta no campo das motivações desportivas.
Dinheiro? Mais fácil, sem dúvida. Em Angola, embora só pareça nalguns nichos de boa vida do país, há muito. E é para distribuir selectivamente. Scolari tem tudo para enriquecer mais um pouco em África. Sobretudo se estiver farto de ganhar provas e souber colocar em campo e na vida social a faceta de conquistador das massas. Nem que seja preciso deixar jogar o Mantorras.




Rating:0.0 (0 votos)
Há entre eles honrosas excepções, mas os italianos foram pioneiros e mantêm-se como grandes mestres da estratégia defensiva, do cinismo, do futebol maravilhosamente táctico para quem gosta de comparar o jogo a xadrez e infinitamente aborrecido para os restantes. Estão contudo longe, nos dias que correm, de ser únicos, e já nem sequer aparecem nas meias-finais da Liga dos Campeões.
O Chelsea é, desde os tempos de Mourinho, um dos paradigmas desse futebol interesseiro e resultadista. De vez em quando mascara-se de espectacular, porque tal como o dos italianos de topo é interpretado por grandes jogadores. Mas nas horas da verdade revela-se na sua plenitude. Uma delas foi em Barcelona. Frente à melhor equipa mundial do momento, os ingleses retraíram-se como ratos, arrancaram um empate a zero e, num fogacho, até podiam ter conseguido a vitória. Pronto, é verdade que o Bayern tinha apanhado quatro em Camp Nou e o Real Madrid, logo a seguir, foi atropelado por 6-2 perante o fabuloso Barça. O Chelsea até pode, porque há na equipa valor para isso, bater os catalães na segunda mão e chegar à final.
Será eterna, e com tendência a agudizar-se, a luta de argumentos entre os defensores do futebol-espectáculo e os pragmáticos do meio a zero. Estes ganham muitas vezes, mas aqueles, quando ganham - quando desamarram os espartilhos à custa de talento e gosto pelo jogo - deixam-nos em paz com o futebol. É seguramente pelo que oferece o Barcelona que muitos milhões assistirão pela TV à segunda mão da meia-final. E a maioria, razões do coração à parte, torcerá para poder ver uma final com a melhor, mais bonita e mais entusiasmante equipa da actualidade.
Actividade em ionline