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Escolher um clube não é difícil, nunca foi. A dificuldade está em convencer alguém a optar por um clube. Vamos por partes, convencer crianças inocentes a ser do clube do pai, do tio ou do avô em troca de um chocolate Regina ou de uma bicicleta com rodinhas não entra neste esquema.
Há inúmeras situações que nos fazem escolher um clube. Na cultura portuguesa, ser dos melhores é um passo quase fundamental para a escolha final. É raro encontrar uma criança de seis anos a dizer que é do Farense só porque sim. Por outro lado, a partir do momento em que a escolha está feita, dificilmente é alterada.
Quantos de nós entraram numa discussão, ainda crianças, sobre qual seria o melhor clube? Quantos de nós terminámos essa discussão com um resignado "Tens razão. O teu clube é muito melhor que o meu, vou mudar"? Isso não acontece, a escolha de um clube é algo pessoal e, salvo raras excepções, não se encontram pessoas na rua a dizer que eram do clube x e passaram para o y pouco depois.
As crianças têm várias razões para escolher um clube. A influência dos pais está no topo. Há quem faça os filhos sócios desde o nascimento para evitar confusões no futuro. Por outro lado, também já ouvi amigos dizerem que quando tiverem um filho, a primeira coisa que vão fazer é torná-lo sócio do FC Porto para não terem de sofrer o mesmo que os pais sofreram.
Não havendo influências exteriores, as crianças tendem a escolher as equipas que ganham. Naquelas idades, ninguém gosta de ser o bobo da corte, ninguém gosta de ser da equipa que termina com uma descida de divisão ou invariavelmente fora da luta pelo título. Apoiar aqueles que ganham até pode ser um importante factor na construção de uma auto-estima considerável. Sofrer por uma equipa que perde sempre nos últimos minutos e é vítima do azar leva a criança às lágrimas.
Depois, há a experiência. Aqueles que são de um clube porque quando eram pequenos tiveram um episódio que os marcou. "Tinha seis anos, passava a vida a jogar futebol e o meu tio levou-me a um jogo do Belenenses. O estádio era bonito, via-se o Tejo e a ponte e no meio-campo havia um médio que fazia delícias com a bola. E marcou um canto directo" pode ser suficiente para encantar uma criança e torná-la adepta.
Sou de uma geração, nascida em 1985, em que era muito difícil ser do Sporting. Ainda assim, sempre tive muitos sportinguistas na minha turma. É natural que alguns fossem influenciados pelos pais, mas outros ficaram leões apenas por Balakov. Ou Figo. Ou Sá Pinto. Um jogo, uma exibição, uma filosofia poderão ser suficientes para ganhar adeptos. Mesmo que não haja títulos.
O Barcelona está prestes a ser tricampeão espanhol e já conquistou fãs por todo o mundo. Mesmo aqui no i, há quem sofra e tenha discursos tão facciosos como qualquer outro benfiquista, sportinguista ou portista. Há várias razões para seguir o Barcelona desta forma mas não se trata apenas de uma questão de ganhar ou perder. Regressando mais uma vez à minha geração, houve um período em que os jogos da Liga Espanhola davam na TVI. Na altura, os catalães davam espectáculo e havia um tal de Ronaldo que somava maravilhas de golos atrás de maravilhas de golos. Só o cromo da Panini valia o espanto durante a semana na escola. E, feitas as contas, esse Barcelona de sonho ficou atrás do Real Madrid. Apesar disso, naquela altura, eram mais os fascinados pelo Barcelona do que os que tinham ficado adeptos dos campeões.
É este o encanto da escolha de um clube. Felizmente, posso dizer que não sou de um clube só porque o meu pai me levou a isso (sinceramente, serão poucos os da minha idade que sejam genuinamente do Atlético Clube de Portugal) ou porque foram os que ganharam quando comecei a ver futebol. No meu caso, tudo se deveu a uma experiência. E não me importo de descer em anos consecutivos porque há ligações que não acabam.




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O problema do Sporting não é o terceiro lugar deste ano. Nem o quarto lugar do ano passado. Aliás, arrisco-me a dizer que o problema do Sporting, pelo menos o grande problema, nunca foi a classificação. É óbvio que uma equipa campeã ajuda a dar uma dinâmica diferente a um clube, que junta mais adeptos e, quase por inerência, mais sócios.
Nasci em 1985, logo no início do grande jejum do Sporting, e sempre andei em turmas com muitos sportinguistas. Podiam ser menos que os benfiquistas, mas existiam. E cresceram assim, independentemente da sátira insistente de nunca terem visto o seu clube ser campeão. Resistiram sempre e, ao contrário do que se poderia pensar, alguns deles não eram do Sporting por causa da família. Eram do Sporting porque sim, porque se identificavam, porque gostavam do clube, dos seus jogadores e do espectáculo.
Essa é a geração que se habituou a crescer com jogadores como Balakov, Figo, Cadete ou Juskowiak. Que tinha Peixe, Valckx, Sá Pinto ou Cherbakov. Esse Sporting não ganhava, esse Sporting fixava-se quase sempre em terceiros e quartos lugares, mas era um Sporting que entusiasmava. Era um Sporting que atraía pessoas ao estádio e que, apesar do mito do Natal, permitia aos adeptos serem sportinguistas o ano inteiro. Era um Sporting que no final do ano permitia que os adeptos dissessem "para o ano é que é". E diziam-no acreditando.
Este Sporting está longe, muito longe desse Sporting. As figuras do plantel já não existem. Liedson foi o último dos verdadeiros símbolos dos últimos anos a abandonar. As crianças de hoje não crescem boquiabertos com as jogadas de Salomão, com os golos de Postiga ou a genialidade de Matías, especialmente se os compararmos com Figo, Cadete ou Balakov. Hoje os adeptos já não dizem "para o ano é que é" e, se o disserem, provavelmente não acreditarão.
É duro dizer cabalmente que o Projecto Roquette falhou. O Sporting seguiu um caminho que FC Porto e Benfica também enveredaram. Que clubes estrangeiros seguiram ou já tinham seguido. O Projecto Roquette falhou porque falhou nos resultados, porque tem falhado na capacidade de aliar resultados, porque confundiu prioridades e, por que não, porque nem sempre conseguiu ter os melhores intérpretes à frente do Sporting.
O mérito de Bruno de Carvalho foi este. O candidato da lista C fez os sócios acreditar que era possível regressar a tempos melhores. Não prometeu títulos, não prometeu um futuro brilhante e sem problemas, mas criou um cenário que permitiria pelo menos pensar num Sporting dos anos 90. Um Sporting de união, com melhores intérpretes e de sucessiva melhoria até ao renascimento total. Independentemente de inconformidades durante as eleições, o candidato vencedor teria sempre um universo de quase 65% contra si. Recordou-me um amigo que no caso de Bruno Carvalho esses 65% seriam 4511 sócios eleitores. Recordou-me outro que uma oposição desses 4511 seria mais decisiva que a oposição dos mais de 6000 que votaram em Bruno de Carvalho.
Não sei o que vai acontecer agora. Sei que Godinho Lopes tem uma tarefa difícil. Presumo que seja o único presidente da história que ouviu protestos para se demitir mesmo antes de ser empossado. Se tudo se mantiver assim, terá três anos a ferro e fogos e com a obrigatoriedade de apresentar resultados. O anterior candidato da lista A, sócio há 17 anos (sensivelmente desde a mesma altura que o projecto Roquette entrou em marcha), gabou-se várias vezes de ter conquistado dois títulos enquanto desempenhou funções nos leões. Agora, para poder ter um segundo mandato, terá de conquistar pelo menos um. Se o Sporting se mantiver nesta toada morna de prioridades trocadas e excessiva dependência da banca, Bruno de Carvalho terá tudo para ser mesmo presidente, desde que o queira. Contudo, em vez de o ser com 39, será com 42.




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Hoje, 7 de Outubro de 2010. O futebol português está em alvoroço por causa das arbitragens e pelo habitual conflito FC Porto-Benfica. O Benfica sente-se prejudicado, Vítor Pereira confirma-o, e protesta. Protesta pelos erros que o prejudicam nos seus jogos e pelos erros que entende beneficiarem o FC Porto nos jogos dos dragões. Segundo Luís Filipe Vieira, há algo que leva os árbitros a nunca assinalarem penáltis em duas ocasiões: contra o FC Porto ou a favor do Benfica.
Na segunda-feira, Villas-Boas voltou a entrar em acção numa polémica que já deu pano para mangas, inclusive aqui no ionline. O treinador do FC Porto juntou-se às críticas, retratou-se, mas acabou por manter que, mesmo não havendo grande penalidade no famoso minuto, a arbitragem continuou a ser fraca.
Respondeu Luís Filipe Vieira. "[Villas-Boas] tem toda a razão", ironizando sobre uma alegada grande penalidade que ficou por marcar contra o FC Porto. Em entrevista à Antena 1, Vieira voltou a falar do jogo do Dragão e das preocupações com a segurança, especialmente havendo um historial de apedrejamentos ao autocarro. Foi assim quando saíram do Porto em direcção a Guimarães na quarta jornada e volta agora a ser tema de discussão. "Peço a Deus que não nos apedrejem o autocarro, senão podem ter uma surpresa muito grande", salienta Vieira com algum enigmatismo, continuando: 2Não vamos confundir as pessoas do Porto e os adeptos do Porto com um bando de malfeitores, que de uma forma cobarde se entretêm a apedrejar o nosso autocarro".
O clima entre os dois clubes com mais títulos no futebol profissional em Portugal está cada vez mais tenso e ainda falta um mês para o clássico. Felizmente, as próximas duas semanas deverão ser mais calmas, com os jogos da selecção e eliminatória da Taça de Portugal, mas ainda assim corremos o risco de assistir a cenas desagradáveis. Especialmente se a fogueira continuar a ser alimentada de um lado e do outro.




Rating:0.0 (0 votos)André Villas-Boas não quer ser uma cópia de Mourinho mas soube aprender o melhor do técnico do Real Madrid. O jovem técnico sabe exactamente o que precisa e como deve lá chegar. Ontem, em Guimarães, muitos consideraram que lhe tinha saltado a tampa com a eventualidade do primeiro jogo sem vencer, que finalmente se estava a ver o verdadeiro Villas-Boas com o aparecimento da primeira adversidade. Já as bicadas ao Benfica tinham sido vistas pela incapacidade de o técnico estar fechado no seu casulo no Dragão.
Villas-Boas está mais à frente do que isso. Vamos por partes. Recordemos a célebre expressão "quem não chora, não mama". Quando os pais têm um filho a chorar, a atenção aumenta necessariamente. Assim que começaram a surgir as críticas do Benfica à arbitragem, o clube da Luz tornou-se num bebé chorão. Mais do que isso, o Benfica fez de bebé chorão queixinhas. Deixou de ser apenas importante os lances em que eram prejudicados mas também os lances em que o FC Porto era beneficiado. E foi exactamente por isso que a 21 de Setembro, Rui Gomes da Silva, administrador da SAD do Benfica entrou em acção: "O nosso principal concorrente, o FC Porto, beneficiou de quatro penáltis não assinalados contra si. Recordo: Naval, Rio Ave, Sp. Braga e Nacional."
Villas-Boas não se meteu nos assuntos do Benfica, simplesmente reagiu às provocações. Villas-Boas é ponderado e, apesar de poder não ter declarações bonitas com uma visão romântica do futebol que deixou de fazer sentido há muitas décadas, tem um leque de habilidades para atenuar as situações. E foi isso que fez ontem em Guimarães. Se dois pais jovens têm dois bebés a chorar, a atenção vai ser repartida. Às lágrimas e ao choro da Luz, juntou-se agora o Dragão. Villas-Boas até pode acreditar que não foi prejudicado, que foi apenas um jogo infeliz, mas isso pouco importa. Acima de tudo era importante deixar uma posição bem vincada. Estar na frente com várias vitórias consecutivas não impede a equipa de protestar caso não vença.
E sejamos honestos: qual é o clube que não protesta quando é prejudicado? E, mais do que isso, alguém acredita que perde a legitimidade de protestar só porque anteriormente já possa ter sido beneficiado? Não é assim no FC Porto de Villas-Boas, não é assim no Benfica e não é assim no Sporting. Nem em qualquer outro clube. Português, pelo menos.
O técnico do FC Porto está sob fogo mas não se importa com isso. Tal como era Mourinho, tal como era Robson, o técnico quer, acima de tudo, defender o grupo de trabalho, defender os jogadores. E eles sentem-no. E se for preciso mais tarde, dão o dobro pelo treinador. Não foi ao acaso que Villas-Boas "decidiu" ser expulso no preciso momento em que Fucile foi para a rua por acumulação de amarelos. O uruguaio não se sentiu sozinho e os próprios jogadores devem ter sentido um estímulo adicional.
É bonito? Naturalmente que não. Mas Villas-Boas não está preocupado com questões estéticas, apenas com a eficácia. E aí, os números falam por si.




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Garantir a presença na Liga dos Campeões foi um passo histórico para a equipa bracarense. Eliminar o Sevilha na Andaluzia com uma vitória chocou a Europa e deixou o Sp. Braga e Domingos Paciência num estado de graça.
A excelente capacidade de António Salvador em reciclar treinadores e equipas (Jesualdo saiu para o FC Porto via Boavista, Jesus saiu para o Benfica) tem sido uma constante na última década e Domingos é apenas o último rosto de um projecto que começa a ter cada vez mais ambições.
No entanto, Portugal é um país de memória curta. Um grupo com Arsenal, Shakhtar e Partizan deixou os arsenalistas, os do Minho, a sonhar com uma presença nos oitavos-de-final. Seria difícil discutir uma partida com o Arsenal, mas ucranianos e sérvios podem estar ao alcance dos minhotos.
O confronto directo será decisivo, como quase sempre, e por isso o encontro de hoje é quase um tudo ou nada para o Sp. Braga. Porquê? Porque o estado de graça está a perder-se. Portugal é uma coisa, mas para fora há a necessidade de limpar a imagem deixada na Europa no rescaldo da goleada de Londres.
E mesmo por cá, os minhotos estão abaixo do nível evidenciado na época passada. Em seis jogos, já perderam sete pontos (derrota com FC Porto e empates com P. Ferreira e V. Setúbal) e têm o líder a sete pontos. Não chega a ser preocupante, até porque estão no segundo lugar, dividido com Académica e os rivais de Guimarães, e à frente dos grandes de Lisboa, mas criou-se uma tendência de esperar sempre por mais.
Jogar hoje em casa com o Shakhtar e na Luz com o Benfica no domingo vai ajudar a perceber que Sp. Braga podemos esperar este ano. Duas vitórias e teremos de novo um Bragão, mas também pode sair um Sp. Braga a lutar pela Liga Europa, quer no campeonato, quer na Liga dos Campeões. E se assim for, terão de lutar também contra a memória curta dos portugueses. Os mesmos que criticam Portugal, Sporting, Scolari e Peseiro por terem perdido finais em casa depois de um caminho brilhante até lá chegar.
São estes os momentos que os grandes clubes também passam.




Rating:0.0 (0 votos)Tive o meu primeiro treinador com oito anos. Na altura, futebol era apenas o que se via na televisão. Na escola, o recreio era usado para jogar à bola. Recordo-me dos momentos que antecederam o primeiro treino como se fosse hoje. Era natural. Na altura, o futebol e o meu clube, o que jogava e o clube pelo qual torcia, eram praticamente a minha vida toda e nada me interessava mais do que uma bola nos pés. E é por isso que me lembro de um dos primeiros desafios propostos pelo meu primeiro treinador: "Qual é a melhor forma de jogar para não sofrer golos?"
A pergunta era mais complicada do que parecia e, se calhar, ainda hoje o leitor poderá não aparecer com a resposta na língua. As respostas, de crianças ingénuas de oito e nove anos, sucediam-se. Ouviu-se de tudo, desde defender bem, estar concentrado a defender com superioridade numérica (sim, confesso que na altura não utilizávamos estes termos tão profissionais e maduros). Por mais respostas que déssemos, parecíamos estar cada vez mais longe da resposta certa. Até que ela surgiu da boca do próprio treinador: "A melhor forma de não sofrer golos é ter a bola. Não deixar que o adversário tenha a bola". Confesso que na altura, e recordo que estamos a falar de 1993, um ano em que Portugal foi arrasado pelo catenaccio italiano rumo ao Mundial-1994, a solução tão procurada passou-me um pouco ao lado.
A aprendizagem continuou e novos treinadores vieram. Três anos depois, cruzei-me com o mesmo treinador. As palestras antes dos jogos continuavam a ter esse conselho precioso: "Lembrem-se que só há uma forma de não sofrermos golos: ter a bola na nossa posse". Por cada ano que passava, aquelas palavras faziam mais sentido. E, de repente, estamos em 2006. Já tenho 21 anos, já não jogo, mas agora sou o treinador. Eles, os jogadores, eram mais velhos do que eu era, tanto em 1993 como em 1996, mas o desafio continua a deixá-los boquiabertos. Curiosamente, um ano depois, fiz um trabalho para a faculdade com o mesmo treinador: afinal de contas, estava no 30.º ano consecutivo a treinar escalões de camadas jovens. Foi com um sorriso no canto da boca que o ouvi dizer novamente a mesma coisa, antes de um jogo.
Voltando a este DeLorean que nos faz avançar e recuar no tempo à boa moda de Michael J. Fox, ou Marty McFly, se preferirem, estamos em 2010 e a Espanha acaba de se sagrar campeã mundial. Ao lado, vejo o Filipe Duarte Santos falar do "catenaccio ofensivo" e não consigo deixar de concordar de imediato. Nem mais. E lembro-me do tal desafio.
A Espanha foi o intérprete perfeito dessa filosofia. É verdade que perdeu com a Suíça e até sofreu um golo com o Chile. É verdade que chegou a tremer, durante alguns instantes, em todos os jogos a partir dos oitavos-de-final, mas para a história ficam as quatro vitórias por 1-0, a Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda. Em todos os jogos, o domínio na posse de bola não chegou a estar em causa sequer. Em todos os jogos, jogadores como Xavi e Iniesta brilharam ao mais alto nível. É um luxo a uma equipa ter jogadores com esta qualidade, que conseguem trocar as voltas aos adversários, seja no meio-campo defensivo ou no ofensivo. Xavi, Iniesta, Busquets e companhia conseguem jogar apoiado e com segurança até à área do adversário. É verdade que não criam tantas oportunidades como desejariam, mas quantas vezes foi a Espanha encostada às cordas depois de ficar em vantagem?
A Espanha veio dar uma nova alma à expressão do catenaccio. Quem jogava contra a Espanha sabia de imediato que sofrer um golo era estar com a cabeça na guilhotina. Como se rouba a bola a uma equipa onde todos os jogadores, talvez tirando Puyol, têm uma qualidade técnica muito acima da média? A vencer, a Espanha não recuava, não punha o autocarro em campo. Pelo contrário, avançava no terreno e trocava a bola junto à baliza adversária. Dava significado a cada passe efectuado, a cada segundo que passava, que a melhor forma de não sofrer golos é... ter a bola no pé. E passá-la. E passar a mensagem de que aquele jogo já não foge. Que está ganho. Que vão ser campeões do mundo. Mesmo que esse golo só surja a três ou quatro minutos do fim.
No futebol já não há nada para inventar. Acredito que este primeiro treinador não seja o dono da filosofia da bola no pé. A diferença é que esta Espanha de 2010 executou na perfeição essa teoria. Preferia outro campeão mundial mas confesso que não consigo evitar um sorriso quando me lembro do desafio de há 17 anos. Ele tinha razão.




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Uma das vantagens de escrever sobre desporto, ou especificamente futebol, é passar muito do tempo livre a pensar naquilo que se trabalha. No último dia de folga, um amigo veio falar comigo com uma ideia "arrojadora" (uma mistura de arrojada com inovadora) sobre os próximos mundiais de futebol. O Pedro, o nome dele, ganha a vida a fazer rir os outros e, volta e meia, arranja propostas hilariantes, inovadoras e brilhantes para as mais variadas situações. Aliás, na rubrica de "Uma ideia para Portugal" da edição impressa, propôs que se realizasse um referendo nacional para decidir o número oficial de beijinhos que se dão quando se cumprimenta uma pessoa. Com que finalidade? Evitar que uma das pessoas ficasse pendurada por ficar à espera de receber outro.
Voltando ao que interessa, sugeriu que se enviasse um e-mail à FIFA a propor a qualificação directa de uma selecção do Resto do Mundo para os próximos mundiais. Pode parecer louco e até impossível (é a mesma modalidade em que para alterar uma regra é preciso esperar que um grupo de britânicos com idade para ser avôs do futebol concordem), mas assumo que gostei bastante da ideia.
Basicamente, ia permitir que alguns dos melhores jogadores de sempre na história do futebol pudessem participar. Ryan Giggs, George Weah, entre outros, concordariam certamente. Assim que estivessem encontrados os 31 apurados para a fase final, entrava em acção o Resto do Mundo, onde se poderiam incluir apenas jogadores das selecções não apuradas.
Para evitar o monopólio, estabeleceu-se que cada país poderia dar um máximo de três jogadores à equipa. E para haver uma representação justa, teria de haver pelo menos um futebolista por fase de qualificação.
Ou seja, é óbvio que o seleccionador (ficámos por decidir como se encontrava o seleccionador, até porque a primeira sugestão foi que a FIFA nos oferecesse o posto na primeira edição pela ideia brilhante) estaria atento a Giggs, Arshavin, Ibrahimovic ou Kanouté. Mas teria um grande desafio a encontrar um jogador que pudesse ser um bom contributo vindo da Oceânia. E daí... que tal chamar Osea Vakatalesau, das Ilhas Fiji, que marcou 12 golos durante o apuramento?
Sejamos realistas: é algo que nunca irá acontecer. Mas a verdade é que consigo encontrar inúmeras vantagens reais que poderiam tornar a prova mais aliciante para treinadores, jogadores e até adeptos.




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A sabedoria popular dos últimos tempos pegou num boato e transformou-o em verdade: José Mourinho é um treinador defensivo. Bicampeão em Itália, o técnico português combate diariamente contra as acusações, que cresceram ainda mais após o Barcelona-Inter.
José Mourinho pode ser considerado um treinador resultadista, mas daí a dizer que é defensivo vai uma grande distância. Aliás, Mourinho é um treinador tão defensivo como o Jardel era mau a cabecear. E Mourinho sabe defender-se sem ajudas: "As minhas equipas jogam um futebol equilibrado. São equipas competitivas, jogam futebol, são agressivas e não têm medo". E se nesse carácter competitivo se incluir ir ao Camp Nou defender com um Airbus, Mourinho não tem problemas.
As equipas de Mourinho fazem aquilo que têm de fazer. Começando por Portugal, na primeira época completa como treinador, fez 34 jogos, divididos entre U. Leiria (34 golos marcados e 17 sofridos em 19 jogos) e FC Porto (35 golos marcados e 16 sofridos em 14 jogos). O total? 69 golos marcados (o Sporting foi o melhor ataque da época com 74 golos - 42 de Jardel).
A partir de 2002, Mourinho fez quase sempre épocas completas. Num FC Porto de sonho, onde o grande mérito é dele, foi o segundo melhor ataque em 2002/2003 (73 golos em 34 jogos contra 74 do Benfica, numa média superior a dois golos por jogo). No ano seguinte, baixou o registo para 63 golos marcados mas conseguiu ser o melhor ataque, com mais um golo do que o Benfica. E venceu a Liga dos Campeões, marcando, pelo meio, três golos ao Mónaco na final, três golos ao Manchester United e cinco ao Lyon.
Em Inglaterra, Mourinho foi inglês. O Chelsea era considerada a equipa que melhor atacava e as estatísticas davam os blues como a equipa mais rematadora (há vídeos da reacção de Mourinho no YouTube). Depois de marcar 72 golos na priméira época (mais 14 que o Manchester United de Ferguson e Ronaldo mas menos 15 que o Arsenal irreverente de Wenger), Mourinho repetiu o feito na segunda época, novamente com 72 golos.
Em Itália, Mourinho foi italiano. É essa a diferença de um dos melhores treinadores da actualidade e que se arrisca, em muito pouco tempo, a entrar para os melhores de sempre. Mourinho joga com o que tem e com o campeonato onde está. No "defensivo" futebol de Mourinho em Itália, o Inter chegou ao fim da época com o melhor ataque: 75 golos. Na época anterior, tinha marcado 70 golos e dividido o melhor ataque com o Milan.
Mourinho incomoda muita gente. Um Mourinho campeão e com sucesso incomoda ainda mais. Se for para Madrid, Mourinho saberá adaptar-se ao futebol espanhol. Os intérpretes que tem no Santiago Bernabéu serão explorados até ao mais ínfimo detalhe. O Real Madrid vai continuar a marcar muitos golos e a disciplina e o dedo de Mourinho farão a defesa mais sólida.
Mourinho é assim. Único e sem medo de adaptar a mentalidade da sua equipa ao campeonato a que pertence. É algo que não está ao alcance de todos.




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Os árbitros portugueses são envoltos em polémica ano sim, ano sim. É aceite por todos que não têm o mesmo nível dos melhores árbitros europeus, mas ainda assim vão merecendo algum reconhecimento como a chamada de Olegário Benquerença para a meia-final Inter-Barcelona e para a fase final do Mundial.
Ainda assim, em Portugal, isso não é suficiente. Olegário Benquerença comete erros. Muitos erros, talvez. E os outros árbitros portugueses também. Seja num FC Porto-Benfica onde se decida o título ou num Linda-a-Velha-Lourel da distrital de Lisboa. Independentemente disso, os erros dos árbitros estão sempre em análise. A culpa é sempre do árbitro, fala-se sempre em interesses obscuros e de pagamentos indevidos.
Pelo menos é assim que parece pensar o português comum. Malhar no "boi preto", como foi tratado durante muitos anos enquanto não havia as modernices de vestir de amarelo ou de branco, passou a ser uma tarefa demasiado fácil. A mentalidade portuguesa passou a enquadrar-se na perfeição dos versos que a Galp fez para o hino do Euro-2004: "Por que é que o país se queixa do que podia ter sido? Mas nunca é. E a culpa nunca é nossa.É do árbitro, é do campo, é de quem nos deu uma coça."
As queixas tornaram-se contagiosas. Até a decisão de uma subida de divisão no escalão de infantis passou a ser contestado porque o árbitro se chamava João e não José e porque treinava no campo do A e não do B. Qualquer coisa serve para crucificar o árbitro. Antigamente, elogiava-se o árbitro que não interrompia o jogo, agora critica-se. Antigamente, criticava-se o árbitro que era rigoroso no local dos lançamentos e das faltas, agora critica-se. Ou vice-versa. Aliás, o futebol em Portugal ganhou uma dimensão em que qualquer coisa que o árbitro faça, é mal feita. Pior, qualquer erro que o árbitro cometa, é premeditado. E o exemplo, que vem de cima, passa para as divisões secundárias e depois para os escalões juvenis. Qualquer dia, a primeira palavra de uma criança deixará de ser "bola" para passar a ser "ladão". Para não dizer mais...
Malhar no "boi preto" é demasiado fácil e está na moda. Mesmo quando as camisolas pretas já são tão démodé.




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A época de Quique Flores no Atlético Madrid foi tudo menos fácil. Contratado com a época a decorrer, o antigo treinador do Benfica encontrou uma equipa que teimava em não conseguir chegar aos resultados desejados. Depois de empatar no Chipre com o APOEL para a Liga dos Campeões, Quique traçou o diagnóstico: gripa A.
O técnico comparou a equipa de Madrid a "um doente que está numa situação liimite". "Agora o rim falhada, depois é o fígado e assim é complicado".
Tudo parecia mal, mas Quique descobriu o antídoto para a gripe A, que até na "vida real" pareceu não passar muito mais do que uma pandemia de pânico.
A chegada de Tiago pôs a equipa a jogar melhor, mas o triunfo na Liga Europa nada teve a ver com o internacional português. Com Paulo Assunção e Raúl García no meio, os colchoneros conseguiram ultrapassar Galatasaray, Sporting, Valência e Liverpool sempre devido aos golos fora. Sempre com 2-2 no agregado.
Na final, ontem, o Atlético Madrid atingiu o ponto alto do clube na última década. O título conquistado por Radomir Antic na década de 90 com jogadores como Camiñero, Pantic e Kiko já faz parte da história e Antonio López teve a responsabilidade de erguer não só o troféu da Liga Europa, mas também um clube que parece abandonado pela sorte. Agora, ainda há uma final da Taça de Espanha que poderá ser a cereja no topo do bolo de uma época que ameaçava ser desastrosa.




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"Não podemos mandar os foguetes antes da festa", avisou Jorge Jesus após a goleada do Benfica ao Olhanense que deixou os encarnados a um ponto ou a um deslize do Sp. Braga para conquistar o título. E o técnico tinha razão. O clube da Luz perdeu no Porto e os minhotos continuam determinados em conquistar um título inédito na história. Os foguetes, lisboetas e minhotos, continuam guardados à espera do próximo domingo.
No entanto, na Catalunha, as declarações de Jorge Jesus não devem ter sido sequer destacadas. A vitória do Barcelona frente ao Tenerife aumentou a pressão sobre o Real Madrid, que ontem jogava em Maiorca com a obrigação de ganhar para não deixar o rival blaugrana a uma vitória do título.
O Inter jogava à mesma hora e era aí que a televisão estava sintonizada, mas através da internet chegou o aviso de alguém que mora em Barcelona. "O Real Madrid sofreu algum golo? Estou a ouvir foguetes e isso só acontece quando o Barcelona marca ou o Real sofre..."
E era mesmo. Os maiorquinos tinham-se adiantado no marcador e os foguetes começavam a ser lançados na cidade que tem tanto de Condal como de rival.
Os avisos de Jorge Jesus estavam correctos e acabou por ser o compatriota Cristiano Ronaldo a preparar o verdadeiro fogo-de-artifício da noite com um hat trick num jogo que ainda foi culminado com um golo do argentino Gonzalo Higuaín.
A rivalidade entre Barcelona e Real Madrid está no auge e a eliminação frente ao Inter feriu o orgulho dos catalães mais clubísticos. Vencer o campeonato é um objectivo quase obsessivo, como diria Mourinho, e quanto mais cedo melhor. O problema é que os merengues não tropeçam e mantêm a pressão sobre o Barcelona. A duas jornadas do fim, tudo está em aberto e no fim-de-semana há um Sevilha-Barcelona decisivo. Continuará a ser cedo para os foguetes, mas passar no sul de Espanha será o passo mais difícil para o Barcelona de Guardiola.




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Há quem já o esteja a dizer e com razão: este Sp. Braga é um justo "campeão". E sê-lo-á mesmo que no próximo fim-de-semana não vença ou se o Benfica conseguir o ponto necessário para voltar a vencer um campeonato.
Os minhotos não precisam do título para serem campeões. Nesta última época, os bracarenses estiveram sempre no topo do campeonato e nem quando foram ultrapassados pelo Benfica fugiram ao objectivo.
A derrota na Luz pode ter hipotecado definitivamente as aspirações pelo título, mas a verdade é que a uma jornada do fim ainda é possível conquistar esse feito único.
E porquê? Porque mentalmente este Sp. Braga está a jogar como um campeão. Há duas semanas que os adeptos do Benfica têm reservas para o título. Há duas semanas que até os rivais consideram que o título encarnado é uma inevitabilidade. Ainda assim, os bracarenses não tiraram o pé do acelerador. Seria fácil perder a concentração na Figueira da Foz com a Naval ou ontem com o Paços de Ferreira. Mas não. O Sp. Braga somou seis pontos e está a obrigar o Benfica a suar até ao fim para conseguir o objectivo. Desde a derrota da Luz, são cinco as vitórias consecutivas da equipa de Domingos Paciência.
Não há dúvida que este Sp. Braga é o melhor da história. Os 70 pontos em 29 jornadas seriam suficientes para igualar o campeão na época passada, ser campeão em 2007/08, 2006/07 e até 2004/05, numa altura em que o campeonato ainda era disputado em 34 jornadas.
O Sp. Braga ainda pode ser campeão este ano. Só mesmo o melhor Benfica dos últimos (muitos) anos o pode evitar.




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Roberto Carlos marcou uma geração inteira no futebol europeu. As várias épocas ao serviço do Real Madrid onde ganhou tudo o que havia para ganhar, o Mundial com o Brasil, o incrível e impossível golo à França no Mundialito e outros livres que faziam o terror das defesas contrárias, inclusive a do Sporting em 2000/01 na fase de grupos da Liga dos Campeões.
O regresso ao Brasil, para representar o Corinthians, deverá ter sido a última etapa de um futebolista que sempre se destacou pelo remate forte. Ao que parece, tendo em conta o primeiro golo pelo Timão, quem sabe nunca esquece.




Rating:0.0 (0 votos)Os árbitros têm a tarefa mais ingrata, pior ainda do que a dos guarda-redes: estes são aplaudidos quando defendem, os outros só aspiram à indiferença.
Terminada a suave introdução, como se pode ser condescendente com gente como Bruno Paixão - que anda há anos a adulterar resultados - depois de no Leixões-FCP mandar seguir o jogo após uma falta sobre Micael que até um árbitro de vale tudo consideraria ilegal? E com André Campos, que de campos não entende nada, e à distância de dois palmos não viu que a bola do braguista Filipe Oliveira tinha saído?
É certo que Cardozo falha penáltis, Mossoró passes e Bruno Alves cortes. Mas os erros da trupe de Vítor Pereira não podem ser tão decisivos como os deles, os dos protagonistas. Em Itália, a Juventus beneficiou de um penálti fora da área no domingo mas lá a suspeição é inevitavelmente menor porque o clube mais popular do país foi punido (e muito) quando se provou (por via telefónica) que corrompia. Aqui, chega-se à conclusão de que um ladrão é menos ladrão se for apanhado a roubar ao telemóvel. Aqui, Benquerença, atentado semanal ao futebol à moda de Paixão, vai ao Mundial representar Portugal. Mas Queiroz (que, aplauda-se, passou uma semana sem bater em ninguém) também lá vai. No fundo, aqui o futebol está para lá do vale tudo.
Editor




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Espanha: a equipa que domina o campeonato ganha com um golo polémico, num suposto fora-de-jogo que nem à lupa se via. A equipa que gostava de dominar o campeonato logo mete a imprensa de Madrid ao barulho e começa a campanha pela “verdade desportiva”. “O golo é ilegal”, escrevem os ditados. Depois vem Joan Laporta, o presidente do Barcelona aspirante a presidente da Catalunha que aproveita cada oportunidade para fazer campanha. “Querem pressionar os árbitros porque somos a referência”, diz, uns dias depois de assumir o que toda a gente percebeu. Fez do clube um instrumento. “O Barça é a melhor ferramenta para defender o nosso país”. Mas se acha que em Espanha o jogo fora do campo já enjoa, veja o que se passa em Portugal: a equipa que costuma dominar o campeonato não consegue endireitar-se. Perde pontos, perde jogadores castigados por pancada nos túneis, perde administradores insatisfeitos com a política seguida. Qual é a táctica do FC Porto? Lembrar Ruben Micael de dizer que Jorge Jesus lhe colocou dois dedos na cara. Os outros não ficam atrás. Agrava-se a contra-informação, circulam escutas, vídeos de túneis, garante-se que alguém anda a influenciar jogos, Leiria, Leixões, Benfica e Braga já estão envolvidos no barulho. Neste país também não se trata apenas de vencer no campo, joga-se o campeonato do ruído, está tudo desesperado para ganhar a qualquer preço num triste espectáculo que mata a arte dos Falcões, Saviolas e Velosos que por aí andam. Nem eles nem nós merecíamos. A época vai a meio e o enjoo já é maior




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Data: Início da década de 90
Nome: Rui
Ano de nascimento: 1985
Objectivo: Jogar futebol na primeira divisão
Posição: Avançado esquerdo
Experiências anteriores: Jogar no recreio da escola, no quintal da casa dos avós e na rua em frente à casa de um amigo.
Antigamente, as crianças chegavam desta forma ao federado. Aprendiam a jogar sem condições, a conseguir encontrar uma baliza num tronco de árvore caído com o vento e com um chinelo abandonado. Ou com duas pedras. Ou com as camisolas de manga comprida que não davam jeito nenhum quando se começava a transpirar.
Tudo valia para jogar futebol. Desde o final das aulas até ao "chamar para jantar", o futebol era a vida. Pelo meio, talvez uma interrupção para lanchar ou para ver um jogo de futebol que pudesse dar na televisão.
A aprendizagem era feita dessa forma. Rematar ao ângulo era conseguir acertar na esquina da garagem do vizinho, que muitas vezes saía com caçadeira em punho para meter medo (isto quando não furava a bola para acabar a brincadeira). A técnica? A técnica ganhava-se a tentar imitar aquela finta que o amigo tinha aprendido com o irmão mais velho. A táctica? A táctica não existia. Aliás, na escola, uma das equipas chegava a ser dois jogadores, os melhores, contra o resto da turma. E chegava. Mais táctica? A ver os jogos na televisão comentados pelo Gabriel Alves.
A relva sintética era uma miragem que ainda não se percebia bem o que significava. Relva natural? Um sonho. Naquela altura, apenas se jogava no alcatrão (e que "bem" fazia aos joelhos e aos cotovelos) ou, a partir dos oito anos, em campos pelados, quando finalmente já se podia ser futebolista federado. Naquela altura, não havia academias, não havia escolas de formação.
Em declarações ao i, Aurélio Pereira, chefe do departamento de prospecção do recrutamento do Sporting, reconhece que os tempos mudaram. "Os meninos que aprendiam no futebol de rua têm diminuído, até pelo acréscimo do fenómeno das academias para miúdos, que começam logo aos quatro anos".
Não se deve desprezar o impulso que as condições que as equipas têm hoje em dia, com a proliferação dos sintéticos, veio dar no desenvolvimento de talentos. Mas não será importante também que exista um período em que as crianças tenham liberdade para criar, para inventar, para fazerem a bola chegar ao objectivo de maneiras diferentes? Como a trivela de Ricardo Quaresma. Se tivesse nascido 20 anos depois, o jogador do Inter seria repreendido em todos os treinos por fazer um passe, ou remate, assim e não com a parte de dentro do pé, como os treinadores de formação em Portugal insistem quase mecanicamente.
Esta tendência para seguir os livros e as regras está a tornar o futebol robotizado, tal como refere Aurélio Pereira: "Faz com que o futebol se torne muito mais robotizado, com enfoque no trabalho para a equipa e no jogo a um/dois toques. Por aí, estamos a aproximarmo-nos das características do futebol alemão".
O sonho de ser um grande jogador de futebol é comum nas crianças, mas são poucas as que o têm apenas porque sim. Antes de tudo, está o fascínio pela bola e pelo futebol. É isso o mais importante, a criança gostar e ter prazer no que faz. Porque quando a mãe chama para jantar, o objectivo não é fazer uns alongamentos, mas sim conseguir marcar mais um golo para ganhar à equipa do vizinho ou bater o recorde do amigo de 50 toques sem deixar a bola bater no chão.
Já não se fazem jogadores como antigamente.




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Durante muitos anos, ser benfiquista estava fora de moda. Continuavam a representar a maior franja de adeptos em Portugal e o clube com mais títulos, mas para alguns deixava de ser motivo de orgulho. Os motivos de orgulho a cada ano que passava eram cada vez menos e parecia entrar-se numa espiral negativa que deixava muito a desejar.
Este ano, Jesus mostrou o caminho, com a ajuda de novo contentor de investimentos milionários, que fizeram chegar, entre outros, Javi García, Ramires e Saviola. O Benfica está diferente, empolga.
Nas conversas de café, nas ruas, no trabalho, os benfiquistas fazem ouvir a sua voz e demonstram o orgulho que têm em ser benfiqusitas. A equipa joga bem, marca golos e parece estar num rumo certo. Até as habituais críticas dos principais rivais parecem cair em saco roto. A velha questão das grandes penalidades (cinco em seis jogos) é passada para segundo plano, especialmente pela avalanche ofensiva das águias.
Acaba por ser, de certa forma, o mesmo argumento que os sportinguistas utilizavam na época de Jardel: "Se o Sporting ataca muito, se está sempre a criar oportunidades de perigo, é natural que obrigue os adversários a cometer mais faltas", diziam na altura. Agora, muda-se apenas Sporting por Benfica e o argumento mantém-se o mesmo.
No entanto, a euforia não faz bem a ninguém e a verdade é que este Benfica ainda não ganhou nada. Joga bem, muito melhor comparando com anos anteriores, mas também já deu alguns sinais menos positivos, como a exibição em Leiria.
Ser benfiquista está na moda, mas, como em tudo na vida, é cedo para precipitações. Inclusive Jorge Jesus, que parece iludido, à sua maneira, com o que tem conseguido fazer no Benfica. Não quer dizer que venha a acontecer, mas já diz o ditado que quanto maior é a subida, maior poderá ser a queda.




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Cristiano Ronaldo não tem tido a vida fácil ao serviço da selecção. O sentimento de que o internacional português rende mais ao serviço do clube, especialmente quando jogava no Manchester United, tem-se vindo a alargar e a estatística fala por si: o último golo oficial do madeirense foi no Euro-2008 contra a República Checa.
Ainda assim, Ronaldo é Ronaldo e todos querem vê-lo na selecção. Na Argentina, passa-se o mesmo. Com uma selecção moribunda que arrisca o apuramento para o Mundial, Lionel Messi também já teve melhores dias. Os argentinos não percebem como é que a Pulga consegue dar tanto espectáculo no Barcelona e estar muitos furos abaixo ao serviço da selecção.
A diferença é que aqui Messi também concorda: "Gostaria de render da mesma forma ao serviço da Argentina".
Até lá, Portugal e Argentina vão continuar a arriscar a ida ao Mundial-2010. A Argentina só depende dela, mas também não tem vida fácil. Portugal é o que se sabe. Ainda assim, a FIFA não deverá ficar nada satisfeita se Ronaldo (melhor jogador do mundo em 2008) e Messi (mais que provável vencedor do mesmo prémio em 2009) falharem a fase final da competição.




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A pré-época está em velocidade cruzeiro, Sporting e Benfica já começaram com os primeiros testes particulares, mas nem por isso os plantéis estão fechados. Numa teoria muito portuguesa, não se faz hoje o que pode ficar para amanhã. E nesse aspecto, os clubes portugueses estão no topo da Europa. O FC Porto continua a garantir reforços, o colombiano Falcão foi o último, o Benfica garante que ainda devem chegar mais e o Sporting mantém-se apenas com Matías Fernández.
A situação vai continuar instável até 31 de Agosto, altura em que a febre dos últimos retoques poderá ser levada a cabo e destruir a planificação de um treinador que pode durar já dois meses.
Ainda que se possa passar para fora a ideia que são apenas pequenos ajustes, não ajuda chegar a meio do mês de Julho e as incógnitas serem mais do que muitas. No caso leonino, Matías Fernández estará a fazer o lugar de Romagnoli e resta ocupar a vaga deixada por Derlei. Pelo meio, há uma tentativa de tornar o meio-campo mais forte.
É a teoria dos pequenos ajustes que, aliada à promoção da formação e aos poucos recursos financeiros, assenta na perfeição ao Sporting. Há um ano, Postiga, Caneira e Rochemback foram reforços "nucleares" para colmatar lacunas bem identificadas.
Este ano, aínda só chegou Fernández. A diferença para o FC Porto não foi assim tão pouca e os pequenos ajustes poderão resultar numa de duas teorias: ou existe uma verdadeira evolução na qualidade de jogo e no entrosamento do plantel ou a razia que o FC Porto está a sofrer ressente-se. Como Pinta da Costa não dorme e já garantiu alguns jogadores de renome, será difícil acreditar que os "pequenos ajustes" possam resolver alguma coisa.
Rui Silva




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Quando Portugal parou para ver apresentação de Cristiano Ronaldo, estupefacto com a presença de 85 mil espectadores a encher o Santiago Bernabéu, estava a assistir à criação de um novo fenómeno. Subitamente, a apresentação de jogadores tornou-se numa primeira avaliação de impacto que os jogadores terão no clube.
As entradas eram livres, mas não faltarão pessoas a fazerem contas a quanto poderia o Real Madrid lucrar caso estabelecesse um valor simbólico para a entrada.
No entanto, o internacional português, ex-Manchester United, não foi caso único e muito menos foi o primeiro. Em 2001, em pleno Agosto, Alvalade parou à sua maneira para ver a apresentação de Mário Jardel. Anos mais tarde foi a vez da Luz ir ao rubro com o regresso do menino pródigo, actual director desportivo, Rui Costa.
A moda pegou e alastrou-se a uma velocidade incrível. Em Espanha, o Espanyol de Barcelona apresentou hoje o japonês Shunsuke Nakamura. Com uma carreira recheada de sucessos no Celtic, o nipónico quis prosseguir a carreira na Catalunha. Enquanto passeou pelo relvado, deixou sete mil adeptos ao rubro.
A moda, tipicamente dos meses de calor, está ao rubro. Felizmente as próximas eleições são numa altura em que já não há tanto calor e o mercado de transferências está fechado. O que seria se estivesse bom para ir para a praia ou a Alvalade, Luz ou Dragão para ver a nova promessa cheia de sonhos para os adeptos?
Rui Silva




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É comum ouvirmos dizer por esta altura que uma das receitas para sair da crise é o investimento. Esse pode muito bem ser o motor de arranque para a recuperação económica. No futebol - um mundo onde a economia está cada vez mais presente - a ideia adquire contornos ainda mais interessantes.
Foi preciso um Florentino Pérez carregado de 300 milhões de euros para pôr o mercado de transferências a mexer. Já levou Kaká e Cristiano Ronaldo para Madrid. Outros virão a seguir, mas - mais importante - o tiro de partida para o defeso foi dado.
Em Portugal, o cenário é idêntico. O FC Porto vendeu Cissokho e comprou Álvaro Pereira. O Benfica já tem Shaffer para preencher um espaço deixado vazio por Léo. O Sporting, acabado de sair das eleições, anda ainda a sondar o mercado, mas precisa de soluções - para já, o ataque é o sector mais urgente (Derlei está de saída).
Além dos jogadores, a lógica aplica-se igualmente aos treinadores. Jorge Jesus viaja de Braga para o Benfica e, a partir daí, tudo terá de se ajustar.
Ficamos todos à espera dos próximos desenvolvimentos. Uma coisa é certa: até ao início do campeonato ainda haverá muitas novidades, cá dentro e lá fora.
Rui Catalão




Rating:0.0 (0 votos)7,5 milhões de euros pela transferência. 30 milhões de cláusula de rescisão. São os números da viagem de Ramires Santos do Nascimento desde o Mineirão - o estádio do Cruzeiro - até à Luz. É uma viagem de cinco anos, pelo menos no papel, com escala prometida na selecção brasileira. Vem mais um jogador, aumentam as despesas e reforça-se uma dúvida: como é gerido o orçamento do Benfica?
Foram muitos os euros gastos para criar uma equipa capaz de ser líder em Portugal e de se impor na Europa. Luís Filipe Vieira e Rui Costa foram ao país vizinho buscar Quique Flores e uma equipa técnica que foi cara desde o início e pode sair ainda mais cara no fim. A mudança de treinador pode custar aos encarnados qualquer coisa como 4,5 milhões de euros. Aliás, na hora de fazer o balanço, todos dizem que o Benfica precisa de vender. Tal como o i já noticiou, Óscar Cardozo é o primeiro da lista.
Voltando a Ramires, uma coisa é certa: o brasileiro tem rótulo de craque e a chamada ao escrete é a confirmação do estatuto de promessa. Diz quem entende que vem para substituir Katsouranis, mas a saída do grego dificilmente renderá mais do que quatro milhões de euros. Depois há ainda Patric e Álvaro Pereira, nomes que engrossam as despesas.
Numa altura em que o FC Porto investe no mercado nacional e que o Sporting se vê forçado a recorrer à formação - em nome do sagrado equilíbrio financeiro -, a política orçamental dos encarnados deixa até os próprios adeptos de nariz torcido. Só um par de negócios milionários que envolva nomes como Cardozo, Di María ou Luisão pode contrariar o excesso de investimento face aos resultados desportivos.
Rui Catalão




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A época aproxima-se do fim, com praticamente tudo decidido. Faltam resolver as descidas à segunda liga e as promoções ao escalão principal. De resto, aquilo que verdadeiramente move a maioria dos adeptos portugueses já está arrumado. FC Porto em primeiro, Sporting em segundo e o Benfica - salvo percalços inesperados - em terceiro.
Conclusões? O FC Porto foi menos regular na primeira metade da época e o reflexo foi a discussão do campeonato até poucas jornadas do fim. Ainda assim, chegou para ser campeão e, de longe, a melhor equipa portuguesa nas competições europeias. Destaque para Jesualdo Ferreira, que fica na história como o primeiro treinador português a chegar a um tricampeonato.
Em Alvalade, houve muitos casos, mas Paulo Bento segurou o barco e evitou instabilidades maiores. Esta seria a época de leão, não fosse o Sporting ter falhado, como já se vem tornando habitual, em momentos que ninguém previa. Também por isso esta é a quarta época consecutiva em que o clube de Alvalade é vice-campeão
Por último, fechando a ronda dos grandes, o Benfica. Com Rui Costa como timoneiro, os encarnados gastaram dinheiro em jogadores, numa nova equipa técnica, mas os resultados ficaram aquém do esperado. Numa altura de balanço, fica a pergunta: Quem é que falhou? De qualquer das formas, o clube da Luz chega ao fim da temporada com um título - a Taça da Liga - e numa classificação (à partida) mais digna do que a anterior.
Resumindo, o que mudou no futebol português de uma época para a outra? Alguns dos actores são diferentes, os números variam ligeiramente, mas depois de baralhar e voltar a dar a realidade pouco muda.
Rui Catalão




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Há jogos da nossa infância que nos acompanham toda a vida. Como o "descubra as diferenças". Qualquer pessoa que esteja a ver uma novela brasileira na SIC e, de repente, mude para uma portuguesa na TVI, apanha um susto. Pois é evidente! Uma coisa é luzes, câmara, acção (com muito profissionalismo à mistura), outra é luzes e câmara (sem acção, portanto). A mesma coisa acontece no futebol. Pois é evidente! Está a ver o Manchester United-Middlesbrough na SportTV, muda para o Sporting-Benfica na RTP e tomá lá mais um susto. Mesmo que Liedson salte mais alto que Luisão. É assim quase sempre (o susto... e a superior elevação de Liedson sobre o compatriota). Mas, esta semana, apanhei o maior susto, com a diferença dos preços dos bilhetes mais caros entre Manchester United-Arsenal e Académica-Sporting. Uma meia-final da Liga dos Campeões custa 64 euros e um jogo da 27.ª jornada do campeonato nacional vale 40 euros. Em Old Trafford, vê-se Ronaldo vs Fàbregas, em Coimbra, Tiero vs Moutinho. No Teatro dos Sonhos, organização e 75 mil espectadores sentados antes do apito inicial do árbitro, no Cidade de Coimbra, desorganização e 3.000 espectadores na fila das bilheteiras até à meia hora de jogo! Para ver futebol, é preciso disponibilidade, vontade e dinheiro. Junte as três e desfrute Old Trafford, porque em Coimbra a disponibilidade é escassa, a má vontade é muita e o dinheiro é mal gasto.
Rui Miguel Tovar




Rating:0.0 (0 votos)Guus Hiddink já tinha avisado: "Não nos vai acontecer o mesmo que ao Bayern". E assim foi. O Chelsea tornou-se a única equipa a sair de Camp Nou esta época sem sofrer golos. Conseguiu isso às custas de uma defesa reforçada, com claro sacrifício do ataque. Os londrinos assumiram papel de defesas a tempo inteiro, deixando apenas Drogba e (por raras vezes) Malouda entregues à missão de incomodar a defesa catalã. O resultado: um jogo duro, demasiado táctico e pobre.
O Barcelona habituou-se a enfrentar adversários que jogam cara-a-cara. Aconteceu assim com o Bayern, que saiu humilhado de Camp Nou. Mas ontem era preciso mais do que uma noite daquelas em que Messi e companhia brindam os adeptos com a magia do futebol de ataque.
Frente ao Chelsea, Lionel Messi mal se viu. Bosingwa estava destacado para travar as iniciativas do craque argentino, mas a missão saiu-lhe bem mais simples do que esperava. Sem o antídoto Messi a funcionar, o veneno da defesa londrina teve mais condições para anular o melhor ataque da Europa.
A postura de Guus Hiddink é discutível e contraria o que o Chelsea tinha feito até agora. Depois de uma eliminatória emocionante diante do Liverpool, com 12 golos, o Chelsea retraiu-se. O técnico holandês cometeu o crime de obrigar Frank Lampard a esquecer o ímpeto ofensivo e pensar (quase) exclusivamente na batalha de meio-campo. É uma pena.
O veneno espalhou-se e atacou até os defesas do Barça. Rafa Marquéz lesionou-se sozinho e dificilmente volta a jogar esta época. O capitão Puyol viu o cartão amarelo que o deixa de fora da segunda-mão.
Em Barcelona, os adeptos dividem-se. Há quem acredite que o empate a zero apenas beneficia a sua equipa, uma vez que os golos fora valem a "dobrar". Mas há também quem esteja neste momento a fazer contas à vida. É que em Camp Nou paira uma espécie de maldição. Nas últimas cinco meias-finais de competições europeias em que esteve presente, o Barcelona não conseguiu marcar em nenhuma. Apenas em 2005/2006, depois de um nulo frente ao Milan, os catalães conseguiram seguir em frente. Nesse ano sagraram-se campeões europeus.
Daqui a uma semana, no encontro da segunda mão, espera-se um Chelsea diferente. No laboratório londrino já se prepara novo veneno. A fórmula é simples: marcar um golo para depois defender com 11 guerreiros. O Barcelona, já se sabe, será o do costume. Até porque Pep Guardiola não gosta de mexer muito.
Rui Catalão




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A entrevista de Derlei à SportTV, no programa "Resultado Final", esclareceu tudo menos o final (ou não) de carreira do avançado. Nas entrelinhas, percebeu-se o resto: quase ninguém no balneário do Sporting acredita que o FC Porto vai perder cinco pontos (quatro não bastam porque, em igualdade, os portistas têm vantagem) mas poucos admitem ceder para o Benfica. Logo: o Sporting está, mais uma vez, a jogar só para a vice-liderança. O já célebre segundo objectivo volta a atacar em Alvalade. Com uma diferença: na próxima temporada, só o campeão tem acesso directo à Liga dos Campeões.
Mas, e também nas entrelinhas, há mais conclusões a retirar: Derlei quer jogar mais um ano mas sabe que Paulo Bento não vai ficar. Por isso, quer conhecer primeiro o nome do novo treinador para depois tomar uma decisão. Agora, limita-se a deixar as questões sem resposta mas deixa escapar que tem outras propostas (que não existem mas que convém especular para manter o mesmo salário nos lisboetas caso fique). Mais: o desabafo que teve quando disse que queria terminar a carreira deveu-se mais à situação que enfrentava (era suplente de Hélder Postiga) do que ao futuro propriamente dito.
Por fim, e sempre nas entrelinhas, parece que a renovação de Liedson está praticamente consumada e que João Moutinho, Miguel Veloso e Yannick vão conseguir concretizar o desejo de saírem para o estrangeiro no final da época. Derlei "desculpou" essa vontade com a questão dos impostos - que, segundo o avançado, são demasiado altos em Portugal - mas sabe que, quando se fala de futuro do Sporting, ele passa, acima de tudo, por Adrien, Daniel Carriço e outros que ainda virão.
Como sempre, Derlei foi frontal e directo. Fica-lhe bem. Afirmou, a determinada altura, que a estrutura do FC Porto é mais forte do que a do Sporting. Talvez ficasse melhor se pensasse e não dissesse em público, mesmo sendo verdade. E admitiu que teve o desabafo de poder acabar a carreira na altura em que estava a jogar menos. Fica-lhe mal. Sobretudo quando não tem uma única proposta e fala como se o telefone não parasse de tocar...
Bruno Roseiro
Actividade em ionline