



Rating:0.0 (0 votos)"Boa noite. Posso mostrar-vos uma coisa?" O Hélder e eu fomos abordados desta forma a semana passada na Rua da Bica, por volta das 23 horas. "Isto é um livro que eu fiz com crachás", continuou o nosso interlocutor. Sabiamos que o papel era o suporte mais comum para imprimir livros, também sabiamos que há quem use o hipertexto como suporte, só não sabiamos que já se escreviam livros em crachás. Pelo menos Teresa Roriz, a nossa interlocutora, já o faz há algum tempo. O exemplar que nos mostrou era um volumoso caderno almofadado com crachás pregados, tinha cerca de 14 páginas. O efeito é engraçado e vale por isso. Ficámos a saber que a família Roriz não tem talento apenas para a Dança.
Para saber mais sobre os livros-crachás de Teresa Roriz, e quiçá comprá-los, visite: http://teresaroriz.blogspot.com/
Tiago Guerreiro da Silva




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Sempre a correr, o tempo para actualizar o blogue tem faltado, como se nota. Nos intervalos, dão-se escapadelas à Feira do Livro de Lisboa, como no fim-de-semana passado.
A chuva ameaçava há dias e acabou mesmo por encharcar o Parque Eduardo VII, os visitantes mais desprevenidos e até alguns livros que sofreram com as inflitrações dos novíssimos pavilhões deste ano.
Mas havia gente, muita. E bons livros para comprar. Subindo pela ala esquerda - que não tem alfarrabistas e por isso me apetece sempre menos - a primeira paragem com direito a compras aconteceu na Livros do Brasil. Três títulos por 5 euros: "O Jovem Törless", de Robert Musil; "A Mulher Leopardo", de Alberto Moravia; e "O Buscão", de Francisco de Quevedo. Mais à frente, o mimo na Relógio d'Água foi "Parasceve", de Maria Gabriela Llansol (2,5 euros). E só foi preciso trocar de rua (e de poça) para não resistir a entrar na obra de Albert Cossery por "A Casa da Morte Certa", com culpas para a Antígona e a nota de 5 euros que saltou do bolso.
Já com a chuva a cair forte, a descida pela outra alameda da feira fez-se rápida e apenas com paragem na Letra Livre, livraria com tiques de alfarrabista que também anda por ali. E valeu bem a molha: "Fausto", de Goethe, e "O Adeus às Armas", de Hemingway, vieram para casa, cada qual por 5 euros.
Agora falta arranjar tempo para ler isto e as outras coisas que se amontoam.
Hélder Beja




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A primeira visita ao Parque Eduardo VII valeu um livro: O Ponto de Vista da Cegueira (ed. Cotovia), de Paul de Man, por 18,3 euros.
A segunda visita valeu outro livro de Paul de Man (A Resistência à Teoria, Edições 70, a 5 euros no alfarrabista) e uma filhós.
"Desde que o ensino da literatura se tornou um campo académico autónomo (e somos com frequência recordados de que se trata de um acontecimento bastante recente, não anterior ao final so século XIX) que se tem justificado como uma disciplina humanística e histórica, aliada às ciências descritivas da filologia e da retórica e contudo distinta delas. As suas ambições vão, no entanto, para além da simples descrição. [...] tem por tarefa determinar o sentido dos textos e esta função hermenêutica estabelece a sua afinidade com a teologia."
de Man, Paul. A Resistência à Teoria. Lisboa: Edições 70, 1989. p. 43.
É mesmo isso. E é por isso que algumas professoras universitárias parecem professoras primárias.
Tiago Guerreiro da Silva




Rating:0.0 (0 votos)Encetamos aqui a publicação de uma série de entrevistas a escritores portugueses sobre a sua presença na blogosfera e/ou twitter. Jacinto Lucas Pires, blogger no Chanatas, é o primeiro a ter a palavra.
- Quando e porque criaste o teu blogue?
Em setembro do ano passado. Porque é uma boa desculpa para estarmos todos os dias de olhos bem abertos no mundo.
- O João Tordo diz que, no começo, o blogue surgiu como meio de divulgar o trabalho que fazia, o lançamento de um novo livro seu, etc. O teu caso é semelhante ou nem tanto?
Nem tanto, embora o meu humilde Chanatas também sirva para eu dar notícia do que vou fazendo, claro. Mas vejo-o mais como um pequeno segredo de bolso.
- Muitos escritores chegaram à blogosfera em 2008. O João, a Patrícia Reis, o José Luís Peixoto. O próprio Saramago. Que motivos levam um escritor a fazer uma espécie de diário público?
Não faço a mínima ideia. Para mim, o blogue é antes um caderno de notas, um arquivo inútil. Nada disso do “diário público do escritor”. É ainda um espaço de escrita em cima do tempo – nesta época portuguesa em que os jornais parecem jogar todos à defesa, cheios de medo do próprio tempo. Um lugar pronto-a-fazer, de uma estranha proximidade impessoal, qualquer coisa entre a tertúlia do passado e a prosa do futuro.
- Tens contas no twitter? Que te parece essa ferramenta onde já podemos encontrar o Valter Hugo Mãe e o Rui Zink, por exemplo?
Não. E serei um bota de elástico total, mas confesso que ainda não percebi a graça da coisa.
- És um leitor de blogues? Quais?
Não sou um blogueiro nato, mas aqui ficam os meus preferidos: Desorientados, Pontapé-de-bicicleta, deguste.com, apagador, Voz do Deserto, Ainda não está escuro, AH BRUTA FLOR, quatro plátanos, enquanto, Obra em Progresso.
- A derradeira pergunta. Qual o teu blogue favorito?
O melhor do mundo: www.nytimes.com
Hélder Beja




Rating:0.0 (0 votos)Estive ontem a testar o iRepórter e escrevi umas linhas sobre "A Solidão dos Números Primos" (Bertrand). Qualquer leitor pode fazer o mesmo. Deixo abaixo o comentário breve ao livro.
Os físicos também sabem escrever
"A Solidão dos Números Primos" (Bertrand), de Paolo Giordano, não é um livro essencial. Insere-se talvez naquela camada de títulos que nos chegam pela força incrível da máquina editorial e, neste caso, também porque foi premiado.
Paolo Giordano, físico de 26 anos, venceu o Prémio Strega, importante galardão italiano já entregue a rapazes como Umberto Eco (1981). E é isto que deve assinalar-se: a idade de Giordano e o facto de "A Solidão dos Números Primos" ser a sua primeira obra.
No restante, é um romance estruturalmente arrojado, já que abdica da narrativa linear, saltitando entre histórias. E a narrativa é uma janela para a infância e adolescência e para como as relações pais-filhos são tão importantes nessas idades.
Às vezes brutal (pela força), sempre inteligente, a escrita de Giordano é limpa e corre bem. "A Solidão dos Números Primos" é um bom livro de um autor interessante, mas não ao ponto de merecer vénia exagerada. Isso poucos merecem, ao contrário do que por vezes nos tentam fazer crer as legiões de estrelas de alguma crítica.
*Ficam também os primeiros agradecimentos ao Húmus, Blogtailors, Ler e Cadeirão Voltaire pelas referências ao ContraCapas.
Hélder Beja




Rating:0.0 (0 votos)Vamos andar, nos próximos dias, a bater as barraquinhas da Feira do Livro de Lisboa. E a comprar livros sempre que os preços a isso convidem.
A primeira visita ao Parque Eduardo VII já valeu um livro: "O Povo do Abismo" (ed. Antígona), de Jack London, no alfarrabista e por cinco euros. Assim compensa.
Hélder Beja




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Escrevemos hoje a primeira entrada deste ContraCapas, o blogue de livros da nova marca de informação em Portugal: i.
O ContraCapas é assinado por mim, Hélder Beja, e por Tiago Guerreiro Silva, também jornalista nesta casa.
A partir de agora, e com a periodicidade possível, falaremos de livros e literatura, editoras, feiras, livrarias, leituras, autores e, claro, leitores.
E porque gostamos que o seu esteja com seu dono, dizemos que ContraCapas, o nome desta casa, é devedor ao poeta oitocentista Antero de Quental. "Contracapas" é o título da colecção de textos publicada pela Tinta da China, que reúne essencialmente crítica literária publicada por Quental sob anonimato, na Revista Ocidental.
A lembrança do poeta e ensaísta açoriano não podia chegar em melhor altura: a Biblioteca Nacional acaba de disponibilizar online o seu espólio. Aqui.
Viramos a página e voltamos daqui a pouco. Até já.
Hélder Beja
Actividade em ionline