O litro de gasolina sem chumbo 95 custa agora 1,533 euros. Previsão é que continue a aumentar
Um litro de gasolina nunca foi tão caro em Portugal: com os aumentos da Galp, da BP e da Cepsa dos últimos dois dias, o combustível custa agora entre 1,523 e 1,533 euros. Está ultrapassado o recorde que se tinha atingido em Julho de 2008, quando o litro de gasolina chegou aos 1,523 euros e o preço do barril de petróleo fixou o máximo histórico nos 147,50 dólares.
A questão agora é que o barril de petróleo não está sequer perto desse valor, mas os produtos derivados continuam a encarecer. Na sessão de ontem, o barril de petróleo Brent, que é referência para o mercado português, foi negociado a 97,73 dólares - um aumento de 30 cêntimos face ao fecho de segunda-feira para os contratos com entrega em Março.
"As empresas não têm mais capacidade para absorver custos", diz ao
i Abel Marques, secretário- -geral da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram). "Vai gerar situações de grande angústia", alerta o responsável, que apela à introdução de mecanismos de correcção no mercado, que não está a funcionar como devia. A Antram, que em 2008 apresentou uma queixa à União Europeia por causa das disparidades de actualização dos combustíveis em relação à cotação do petróleo, vai voltar a fazer as contas e pondera nova tomada de posição.
Entretanto, também a Agência Internacional de Energia expressou a sua preocupação no último relatório sobre o mercado do petróleo, citado pela AFP. "Os níveis de preços mais recentes já representam um risco económico real - preocupante tanto para os consumidores como para os produtores", escreveu a AIE, organismo responsável pela monitorização e pela definição de políticas energéticas da OCDE. "Em última análise, os produtores de petróleo, os investidores financeiros e os consumidores (principalmente os países em desenvolvimento dependentes da importação de petróleo) sofrem de igual forma com este cenário", acrescenta.
A gasolina sem chumbo de 95 octanas tem aumentado praticamente todas as semanas desde Setembro. A Galp continua a justificar os sucessivos aumentos com "as alterações nas cotações do gasóleo e da gasolina no Norte da Europa, que têm estado a disparar há várias semanas". Também a valorização do dólar face ao euro, a queda das reservas nos Estados Unidos e a tempestade de neve no país, aliadas ao encerramento forçado do oleoduto Trans Alaska, têm vindo a exercer forte pressão sobre as cotações.
Embora ainda não haja camiões a bloquear estradas, Abel Marques não descarta que esta e outras formas de protesto venham a acontecer, embora sejam imprevisíveis. "Os preços subiram 17% em 2010 e em 2011 já estamos neste nível. É possível repercutir nos consumidores preços tão elevados?", questiona o secretário- -geral.
A subida dos preços também cria problemas ao governo, que inscreveu no Orçamento do Estado para 2011 uma previsão de "ligeiro aumento" do petróleo. No documento, o executivo apontava para um preço médio no mercado diário de 78,8 dólares por barril. Esta marca já peca por quase 20 dólares, e ainda estamos em Janeiro.
Por outro lado, a fiscalidade não justifica todas as diferenças com a média da UE. Segundo os dados da Comissão, e expurgando o preço dos impostos, Portugal tem o terceiro gasóleo mais caro da UE e a sétima gasolina mais cara.
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