Economia
Quebra do desemprego em Maio é normal e não indica fim da crise
Publicado em 23 de Junho de 2009
Número de pessoas sem trabalho subiu 27%. Desemprego vai continuar a piorar este ano e no próximo
O desemprego registado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) caiu em Maio face ao mês anterior: o número total de inscritos baixou em 2 520 para 489 115 pessoas no final do mês passado. No entanto, a subida homóloga (face a Maio de 2007) foi uma das maiores de sempre: 27,6%. Pior só na recessão de 2003.
Reagindo aos números, o presidente do IEFP, Francisco Madelino, disse à Lusa que acredita tratar-se de um sinal que pode indicar "algum alívio" no mercado de trabalho. Mas não será bem assim. A série histórica com mais de 30 anos de registos mostra que é normal o desemprego cair em Maio e nos dois ou três meses que se seguem. É o efeito de Verão. Muitas pessoas, sobretudo jovens, arranjam um trabalho temporário, normalmente a tempo parcial, para ganhar algum dinheiro nos meses de férias, período em que há mais ofertas de trabalho na restauração e no turismo. A redução do número de desempregados com menos de 25 anos é, na verdade, a única explicação para a redução mensal do desemprego. Entre os jovens caiu 3,5%, ao passo que no grupo de pessoas com 25 anos ou mais ficou igual. Nas últimas três décadas, o desemprego apenas subiu em Maio (variação mensal) duas vezes. Em 1983 e 1986.
Os economistas também rejeitam a hipótese de recuperação iminente do mercado de trabalho: "É extremamente cedo para falar de inversão de tendência. Excluindo factores sazonais a tendência do desemprego é ainda de subida," diz João Fernandes do Finibanco. "Ainda é cedo. Os dados mostram talvez um pouco de sazonalidade, com o início do Verão e o aumento dos contratos temporários em sectores como o turismo", explica Paula Carvalho do BPI. O desemprego é uma variável atrasada pelo que vai continuar a piorar, mesmo depois de surgirem os primeiros sinais de retoma a sério. L. R. R e B. F. L
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