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Francisco Grandella (I)

por António Mendes Nunes, Publicado em 19 de Janeiro de 2011   
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Era filho de u médico, mas não quis seguir estudos. O seu encanto era o comércio e da sua Aveiras de Cima natal rumou a Lisboa em 1863, com 11 anos, empregando-se como marçano no estabelecimento de fazendas de um familiar da mãe. O menino chamava-se Francisco de Almeida Grandella e haveria de aprender depressa o ofício. Antes de ter completado 30 anos já estava estabelecido por conta própria na Rua da Prata, conhecendo imenso sucesso com uma prática inovadora no pachorrento comércio lisboeta da segunda metade do século xix: a das promoções diárias de um único artigo, que lhe traziam filas de clientes para a porta. Viajou, cultivou-se e, depois de ter aberto mais algumas lojas, incluindo uma no Rossio e outra na Rua do Ouro, a que chamou Centro Comercial, provavelmente a primeira vez que se utilizou em Portugal essa designação, criou sociedades importadoras ligadas ao ramo. Em 1914 fundou os Grandes Armazéns Grandella, na Rua do Carmo, e talvez tenha sido esse facto menor a tornar o nome Grandella conhecido das gerações futuras. No entanto, a sua vida cívica e política é notável e está um pouco esquecida. Republicano dos quatro costados, fez parte do directório (juntamente com José de Castro, Simões Raposo, Machado Santos, o Dr. Miguel Bombarda e José Cordeiro Jr.) da comissão de resistência que haveria de espoletar a revolução de 5 de Outubro de 1910 e a proclamação da República.

A essa faceta política e humanista (e também divertida) do grande Francisco Grandella voltaremos na próxima semana.

Editor de opinião

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