Alegre. "ou há critérios errados ou cavaco perde muitos votos em campanha"

por Liliana Valente, Publicado em 18 de Janeiro de 2011   
Candidatura de Alegre voltou a atacar Cavaco Silva pelos silêncios e pela fuga ao debate político
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A sondagem "TVI/Marcelo Rebelo de Sousa", como lhe chamou o deputado do Bloco de Esquerda Jorge Costa, entrou ontem na campanha alegrista. Marcelo disse domingo que acredita que Cavaco vai conseguir ganhar com um resultado entre os 53% e os 57%. E os valores mais perto dos 50% deram o mote à defesa da possibilidade de as eleições presidenciais não escaparem a uma segunda volta. Alegre apanhou a boleia: "Ou há critérios errados nas sondagens ou então é ele [Cavaco Silva] que perde muitos votos em campanha."

O candidato falava em Chaves, onde tomou café no mesmo local onde tomou a última refeição antes do exílio, em 1964. Não quis comentar a ausência de sondagens a poucos dias das eleições presidenciais, mas deixou escapar que "está preparado para boas e para más" sondagens depois de dizer que é "quase doutorado".

A caravana de Alegre começa a acreditar no "crescendo" da campanha, como lhe chamou o próprio candidato, e a estratégia continua a ser criticar o adversário pelo silêncio. Ontem, com os bloquistas a comandarem a campanha, as críticas voltaram a incidir na opção de Cavaco Silva de manter o silêncio sobre os assuntos "desagradáveis" da imprensa, mas também sobre o debate político: "É natural que se façam críticas políticas e perguntas por vezes incómodas", mas "fazer essas perguntas não é entrar numa campanha de baixeza", assegurou Alegre. Apontou baterias a Cavaco e num almoço em Bragança respondeu às críticas de "desespero" do actual inquilino de Belém: "O que é impróprio é achar que a crítica é um insulto. O que é impróprio é não esclarecer o que deve ser esclarecido", rematou.

Alegre insiste em querer fazer falar o adversário. Ontem, num dia de campanha mais calmo, sem as correrias da véspera, o histórico socialista embalado pelos apoios que repetem que uma segunda volta é possível, voltou a admitir que "em Castelo Branco esta campanha deu um extraordinário salto". Alegre falava da presença de José Sócrates no comício, onde este criticou duramente Cavaco Silva, que, para o candidato socialista, se está a "esquecer de que é Presidente" e "está a ser um factor de instabilidade política" numa altura tão importante para Portugal.

Regionalização Antes Manuel Alegre era contra a divisão administrativa de Portugal em regiões, mas agora defendeu uma "reflexão séria e sensata sobre a regionalização". Em Bragança falou da desertificação e da solução para combater a interioridade. Apontando o exemplo "da vizinha" Espanha, Alegre mudou de opinião: "Tinha dúvidas sobre se seria ou não uma boa solução", mas, acredita, "chegou a altura" de começar o debate sobre o tema.

Alegre voltou a andar em campanha praticamente sem a companhia de altos dirigentes socialistas. Ao almoço discursou o deputado Mota Andrade e à noite teve a companhia do ministro da Justiça e dirigente socialista Alberto Martins, que apareceu dois dias seguidos na campanha.

Do lado do Bloco de Esquerda, Jorge Costa e Fernando Rosas deram a voz aos discursos no dia em que Paulo Portas esteve com Cavaco Silva. Costa recordou que "esses que se vão sentar à mesa com Cavaco Silva" são "os talibãs do neoliberalismo". Manuel Alegre passou por Bragança e Vila Real, onde de manhã visitou o lar de idosos de Santa Casa da Misericórdia de Bragança, e depois seguiu para Chaves, para uma pequena arruada.


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