Presidenciais

Correia de Campos. "Alegre não é alternativa. Cavaco garante estabilidade"

por Luís Claro e Filipa Martins, Publicado em 18 de Janeiro de 2011   
O ex-ministro de José Sócrates diz que o candidato do PS é um homem do passado e prevê vitória de Cavaco
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O ex-ministro da Saúde e dirigente do PS, António Correia de Campos, não acredita que Manuel Alegre vença as eleições presidenciais e, mais do que isso, acha que Cavaco Silva vai ganhar à primeira volta: "Manuel Alegre não representa uma alternativa. Podia ter representado no passado, mas no actual contexto não", afirma ao i Correia de Campos, convicto de que outra razão forte para não haver segunda volta é a de que "o país precisa de estabilidade e o Presidente incumbente garante essa estabilidade".

No PS ninguém é tão claro como o ex-ministro da Saúde de José Sócrates, mas o sentimento é de que dificilmente Cavaco Silva não será reeleito no próximo domingo, pelo que o partido, e o governo, se preparam para conviver com um Presidente "mais activo".

Nos últimos dias, a tensão entre o actual Presidente da República e o PS, com alguns membros do governo a envolverem-se na polémica, tem vindo a crescer, mas os dirigentes socialistas, ouvidos pelo i, acreditam que são divergências próprias de uma campanha eleitoral e que as relações entre Cavaco Silva, se for reeleito, e o governo não vão degradar-se ao ponto do Presidente convocar eleições.

Correia de Campos, da Comissão Política e eurodeputado, atribui as divergências ao "calor da campanha" e pensa que "não vão ter influência nenhuma" nas relações entre Belém e São Bento no futuro. Entre os socialistas, a convicção é que "o que se diz na campanha não vai ser transposto para o país" e que o actual Presidente da República, mesmo num segundo mandato, vai manter "um registo institucional".

Osvaldo de Castro, deputado e dirigente do PS, diz que podem existir pontos de vista diferentes, mas "haverá sempre uma relação institucional que é de respeito". Mesmo durante a campanha, frisa este membro da Comissão Política, o governo tem sido "cuidadoso e tem tido em conta que ele é Presidente da República e pode continuar a ser".

Osvaldo de Castro acredita numa segunda volta nestas presidenciais, devido "à crescente mobilização na campanha de Manuel Alegre", mas está convicto de que Cavaco, se for reeleito, "não tem nenhumas condições para dissolver a Assembleia da República no imediato". "A situação do país trava qualquer tentativa nesse sentido", acrescenta o dirigente socialista.

A campanha ficou marcada, nos últimos dias, pela troca de palavras entre o actual chefe de Estado e alguns dirigentes socialistas e membros do governo. O ministro Santos Silva, num recado dirigido ao actual Presidente, diz que o chefe de Estado não tem como competência "tutelar governos".

O presidente do PS, Almeida Santos, numa declaração ao i, afirmou que Cavaco Silva, se for reeleito, não se vai empenhar em evitar uma crise política e o líder parlamentar, Francisco Assis, disse que o país não precisa de "um Presidente da República erigido no papel de contrapeso da acção do Governo legítimo do país." Cavaco Silva respondeu com a garantia de que exercerá uma magistratura activa.


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