Memórias do Portugal-França de 1984 ainda acordam Nené - vídeo
por Rui Miguel Tovar, Publicado em 23 de Junho de 2009
Há imagens que ficam na memória. Platini, de braços levantados, a correr em direcção ao seu meio-campo, com um mar de bandeiras francesas atrás dele. Faz hoje 25 anos que França e Portugal protagonizaram um dos melhores jogos de sempre, em Marselha, com vitória dos anfitriões por 3-2, após prolongamento, nas meias-finais do Euro-84.
Foi também o dia em que Nené se despediu da selecção nacional, com 66 internacionalizações (recorde nacional). E foi o avançado benfiquista quem protagonizou um dos momentos mais dramáticos, quando teve o 3-1 nos pés, à frente do guarda-redes Joel Bats. "Por duas ou três vezes, já acordei a meio da noite com esse lance na cabeça. Acordado, já revivi esse pesadelo de trás para a frente e de frente para trás dezenas e dezenas de vezes", conta Nené. Ele que apurou Portugal para esse jogo com um golo à Roménia (1-0), em Nantes, que Portugal não viu, mas ouviu, por um problema técnico na transmissão da RTP.
Nené tem a palavra: "Já estávamos a ganhar 2-1 e a França sufocava-nos. Foi então que a bola ressaltou para mim, perto da nossa área. Passei ao Chalana e lá foi contra-ataque. Era dois contra dois. O Chalana galgou terreno, fez-me um passe na diagonal e eu rematei na passada, apertado por um defesa, mas a bola bateu no Bats. Podia ter sido o 3-1, mas continuou 2-1..."
A partir daqui, Portugal nunca mais se aproximou de Bats. "Se essa bola entrasse", prossegue Nené, "ou se não tivéssemos recuado tanto naquele prolongamento, teríamos ido à final. E aí, ganharíamos à Espanha, com quem empatámos na fase de grupos sem jogar por aí além. Mas isso é a história dos ses."
O que aconteceu, de facto, foi 3-2 para a França, com um golo de Platini no último minuto. "Nunca vi ninguém defender tanto como Bento nesse dia. A seguir ao 3-2, quando ia para o meio-campo, o árbitro pediu-me a camisola. Eu disse-lhe que só lhe dava se apitasse para o fim. Estava de rastos! 15 segundos depois, ele apitou. Dei-lhe a camisola e, em tronco nu, fui parabenizar o Bento."
Mas o herói foi o lateral-esquerdo Domergue. "Foi incrível porque nunca tinha marcado dois golos num jogo. E o primeiro até foi por acaso. Falta, livre e o Platini a queixar-se das dores na perna pela entrada do Frasco. Não sei porquê, mas virou-se para mim e disse-me: "Marca tu." Se eu fiquei surpreendido, imagine o Bento!"
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