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Saídos da Concha. Viver no campo e costurar para o mundo

por Diana Garrido, Publicado em 18 de Janeiro de 2011   
Constança Cabral vende o que costura através do seu blogue e já recebe encomendas da Austrália.Virou as costas a uma licenciatura em Direito e mudou-se para o campo, em Inglaterra
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Deixaram um apartamento no centro de Lisboa, pegaram no que tinham e mudaram-se para o campo. Numa quinta no meio do nada, arrendaram uma casa. Todos os dias vêem vacas, muitos tordos (de peito vermelho), árvores e, nesta altura, neve que nunca mais acaba. Quando a neve derreter vai ficar tudo verde e florido, como nos livros da Anita.

Constança mudou-se para Inglaterra, com o marido, que agora trabalha numa malteria (onde se faz o malte), e a casa às costas, há exactamente um ano. Vivem nas Midlands, uma série de condados no meio do país. Stafford, a cidade mais próxima, fica a 22 quilómetros. Aos 28 anos, quase a fazer 29, Constança - Concha, para os amigos e família - faz pão dia sim, dia não, compotas com "coisas do jardim", jardinagem, acende e mantém a lareira de casa e costura à máquina. Também faz malas, babetes, lenços, clutches e o que mais lhe passar pela cabeça e vende tudo em http://saidosdaconcha.etsy.com. No blogue com o mesmo nome, vai mostrando pedaços da vida no campo e das coisas que vai criando. "Comecei a coser por graça. A minha mãe sempre fez várias coisas e a máquina de costura nunca foi um monstro para mim."

Constança estudou direito durante "cinco longos anos" e começou um mestrado em história que ficou pelo caminho. "Criei o blogue em 2006 como brincadeira. Fazia umas malas e uns sacos. Depois os amigos começaram a pedir para eu lhes fazer e vender coisas e quando dei por mim estava mais interessada na costura do que no mestrado."

Hoje recebe 2 mil visitas por dia e encomendas que vêm do Canadá, EUA ou Austrália. No entanto, o dinheiro que faz com as suas criações não chega para se manter: "Se não tivesse um marido que me apoia, não conseguia. Há um problema com as coisas feitas à mão: se contabilizasse todas as horas de trabalho, as peças ficariam a um preço impraticável." No entanto, isso não a preocupa: "Nunca quis ganhar muito dinheiro, quero é ter uma vida boa. O facto de ter tempo para pensar, dar uma volta, tudo isso é contabilizado. Se isso significa menos calças ou sapatos por mês, por mim tudo bem."

Mais do que uma montra do que faz, o blogue de Concha é uma espécie de testemunho de uma filosofia de vida: "É possível ter uma vida boa, sem gastar muito dinheiro. Tenho uma vida mais autêntica, de acordo com o ritmo do mundo que me rodeia. Não quero comer morangos em Janeiro, nem castanhas em Junho. E não estou interessada em comprar uma camisola de poliéster feita na China em condições sub-humanas." Mas garante que não quer converter ninguém: "Viver no campo é óptimo, mas não quero converter ninguém: Isto funciona para mim."


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