Finanças Pessoais

Habitação. E quando a prestação começar a subir?

por Sónia Peres Pinto, Publicado em 17 de Janeiro de 2011   
Juros devem aumentar ligeiramente durante 2011. Hora de se preparar para o risco de uma escalada
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Pensar antes de comprar, evitar gastos supérfluos e reduzir ao máximo as refeições fora de casa são alguns truques que serão utilizados por Carla Rodrigues para enfrentar um ano que se espera difícil. É que para além da subida de preços dos bens essenciais, também os encargos relacionados com o crédito à habitação estão em vias de subir durante 2011. Esta economista antecipa uma subida na prestação da casa e já começou a preparar-se para esse desafio. "Desde o ano passado que comecei a pôr de parte algum dinheiro todos os meses para que a subida da mensalidade não se sinta de forma mais pesada durante este ano", diz ao i.

Mas não pense que a subida da prestação vai ser vertiginosa e repentina. Apesar de ser unânime junto de vários economistas que a subida nos juros é inevitável - já que temos assistido a prestações muito baixas nos últimos anos -, nem tudo são más notícias. A subida dos juros deverá ser feita de forma moderada e, como tal, o aumento dos encargos com o crédito também será reduzido.

"Que as taxas de juro vão subir não há dúvida. Agora quando é que isso vai acontecer é que não se sabe. Essa é a pergunta para o milhão de euros. Tudo depende da conjuntura", refere ao i o economista da Proteste, João Fernandes.

A explicação é simples: o aumento das prestações do crédito à habitação está relacionado com a expectativa da subida de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE). A entidade monetária manteve na semana passada a taxa de juro em 1% e, de acordo com vários economistas, o preço do dinheiro só subirá a partir do segundo semestre do ano. No entanto, como a subida deverá ser ligeira, significa que vamos continuar a ter uma taxa de juro baixa. Este pequeno aumento deverá provocar um ajuste nas taxas Euribor a três, seis, nove e 12 meses - que são os indexantes mais usados em Portugal no crédito à habitação -, o que se reflectirá na prestação a pagar ao banco.

A grande questão é se este ligeiro aumento marca o início de uma nova trajectória ascendente e imparável dos juros, como a que ocorreu há 2/3 anos. Se a Euribor voltar a estar próxima dos níveis alcançados em 2008, os consumidores verão a prestação subir centenas de euros. E este é um cenário que convém antecipar, especialmente na crise actual.

O que fazer? Por aqueles que já têm o crédito à habitação "pouco ou nada há a fazer". Segundo João Fernandes, estes "estão mais limitados" e a solução passará por "canalizar parte da poupança para amortizar o crédito" (ver texto ao lado). Já aqueles que ainda não contraíram o empréstimo, "poderão tomar a decisão de forma mais consciente". O ideal é fazer uma simulação do valor a pagar com os juros actuais e outra com os juros na ordem dos 4%. "Não convém fazer a sua análise apenas baseada no que vai pagar hoje". O economista lembra que a compra de casa deve ser uma decisão "muito ponderada, pois trata-se de um investimento para uma vida e exige montantes muito elevados".

Convém não esquecer que, no caso dos novos contratos, a subida da Euribor pode ser acompanhada por um aumento dos spreads. Os bancos justificam-se com a maior dificuldade em conseguirem financiamento.

Optar pela taxa fixa pode ser uma alternativa às oscilações dos juros. Esta é uma modalidade muito usada no norte da Europa, mas com poucos adeptos por cá.

 

Alternativas para a subida dos juros

1. Amortizar crédito:

Reduzir a prestação Para quem conseguiu poupar algum dinheiro, amortizar o crédito à habitação pode ser uma alternativa. Diminuir a dívida do empréstimo permite aliviar o orçamento familiar –  já que se consegue obter prestações mensais mais baixas – e também fazer frente à previsível subida das taxas de juro. Mas nem tudo são vantagens. Os bancos cobram uma comissão por esta operação: 0,5% sobre o capital pago num crédito de taxa variável, e 2% se o financiamento for a taxa fixa. Precisa, no entanto, de respeitar algumas regras: é necessário avisar sete dias úteis antes do pagamento da próxima prestação, no caso das amortizações parciais; no caso de a amortização ser total, terá de avisar a instituição financeira 10 dias úteis antes de a concretizar. Antes de decidir faça muito bem as contas para ver se compensa ou não. 

 

2. Fixar a taxa de juro

Evitar surpresas Optar por fixar a taxa de juro do crédito à habitação é outra solução para não se ser afectado pela subida das taxas de juro. Os clientes conseguem assim evitar surpresas desagradáveis – já que os créditos com taxa variável estão sempre dependentes da evolução das Euribor a que estão indexados –, sabendo sempre com que prestação contam no final do mês. Desta forma é possível ter uma mensalidade estável durante um determinado período, com a média a rondar os cinco anos. Não se esqueça de que é sempre "um tiro no escuro", pois uma das razões que levam as pessoas a optar por créditos de taxa fixa é esperarem uma subida das taxas Euribor no futuro. Se isso acontecer, o cliente fica a ganhar. Caso contrário, fica a pagar mais. Por norma, o spread praticado pelos bancos é igual independentemente da modalidade escolhida. 



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