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Steve Jobs e a alma da Apple

por Ana Rita Guerra, Publicado em 22 de Junho de 2009   
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Em Dezembro de 2008 fui a Barcelona ver Olli-Pekka, CEO da Nokia, lançar o N97. Um telemóvel brilhante, que aliás chega esta semana ao mercado português, apresentado de forma desastrosa. As diferenças com outros CEO de outras tecnológicas são brutais, e para quem pensa que isto não interessa nada - guess what! Também neste mercado é preciso ser e parecer.

Não pude deixar de recordar a manhã de Janeiro em que assisti, in loco, ao aparecimento do iPhone vindo do bolso de Steve Jobs. Os dois últimos MacWorlds a que fui, em São Francisco, foram exercícios de voyerismo puro. Os norte-americanos, ao contrário dos europeus, não têm problemas em demonstrar o que pensam. Jornalistas que batem palmas ou assobiam, analistas que dizem logo "que é isto?!" ou então "brilhante!". Steve Jobs exerce um fascínio quase incompreensível sobre as massas - ou parte delas. Não me esqueço dos adolescentes de Mac debaixo do braço em correrias frenéticas nas ruas que circundam o Moscone Center. De falar com miúdos de 18 anos frustrados por não poderem ir logo a seguir à keynote comprar as novidades na Apple Store de market street.

Até hoje, não encontrei consenso no que respeita ao futuro da Apple sem Steve Jobs. Lamento, caro leitor Martim Weinstein, mas o receio de investidores com a partida do CEO não é uma análise sensacionalista. A galvanização das vendas da Apple deve-se a ele, em boa parte - ou pelo menos é assim que o mercado o percebe. Figuras de bastidores com "excelente currículo" não tranquilizam Wall Street. E mesmo com o sucesso do iPhone 3G s - vendeu 1 milhão desde sexta-feira, o que prova que o COO dá conta do recado – a verdade é que a dúvida persiste e mantém a empresa em suspenso. Ou a performance da Apple em bolsa não interessa aos investidores? Recordo quanto valia uma acção da Apple mais ou menos em 2001: 17 dólares. Depois do iPhone, chegou a ultrapassar 140 dólares.

Desde que regressou Jobs tem sido a alma da Apple. Isso mesmo me foi dito por analistas norte-americanos, europeus e portugueses desde que comecei a fazer perguntas sobre o iPhone. Porque, convenhamos: a primeira versão era tecnologicamente fraquita. Havia melhor. E, no entanto, a Nokia continua a fazer fraca figura no mercado norte-americano.



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