Crime
Carlos Castro morreu com a primeira pancada na cabeça
por Rosa Ramos, Publicado em 12 de Janeiro de 2011
A tortura terá ocorrido após a morte, facto que terá levado a polícia de Nova Iorque a indiciar Renato Seabra de homicídio em segundo grau
A acusação de homicídio em segundo grau imputada a Renato Seabra tem por base uma questão técnica: Carlos Castro terá morrido logo na primeira pancada que levou na cabeça, motivo pelo qual os actos de tortura que o cadáver apresentava não terão qualificado crime de homicídio. "A tortura terá sido efectuada depois da morte, o que poderá constituir, por exemplo, profanação de cadáver", explicou ao i um especialista em direito internacional.
Foi esta tecnicidade da lei americana que afastou a acusação de homicídio em primeiro grau - que a lei dos Estados Unidos reserva apenas para os casos em que exista premeditação ou circunstâncias agravantes como intenção e prática de tortura e que implicaria uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de pedir liberdade condicional. A acusação a Renato Seabra pode resultar, assim, numa condenação entre 25 anos e prisão perpétua.
O facto de Renato Seabra já ter alegadamente confessado o crime à polícia - conforme noticiaram dois jornais norte-americanos - levou ontem um ex-procurador de Justiça do Bronx, em Nova Iorque, a criticar a falta de assistência jurídica prestada ao jovem português. "Bastaria uma simples chamada telefónica de um advogado legalmente constituído defensor do alegado homicida para a polícia, logo após a sua detenção, para parar imediatamente o interrogatório. Assim todos os seus direitos eram salvaguardados perante a lei", defendeu o português Tony Castro em declarações à agência Lusa. Em causa está, sobretudo, o facto de as autoridades portuguesas não terem assegurado de imediato a assistência jurídica a um cidadão português quando "todos os jornais e páginas na Internet de todo o mundo noticiam o caso e não se cansam de enfatizar que ambos eram portugueses".
Embora a mãe de Renato Seabra, Odília Pereirinha, já tenha entretanto, segundo fontes citadas pela Lusa, nomeado um advogado para o filho - que ontem saiu da ala psiquiátrica do hospital de Bellevue -, Tony Castro lamenta o abandono a que o jovem terá sido sujeito após a sua detenção. "Nestes casos, é normal os detectives tentarem obter uma confissão rápida antes dos alegados homicidas constituírem advogado, pois assim apressa-se o caso e até se pode dramatizar um pouco", explica.
Até ao início da noite de ontem, Odília Pereirinha ainda não tinha conseguido falar com o filho. Mas, segundo a SIC, já terá sido afastada a hipótese de o jovem se ter tentado suicidar após o crime. Para a polícia, os ferimentos podem ter sido causados por uma luta, resultante das agressões a Carlos Castro.
SMS Amorosos A definição dos contornos da relação entre Renato Seabra e Carlos Castro poderá ser o primeiro passo para que se perceba ao certo o que aconteceu na noite de sexta-feira no quarto do Hotel Intercontinental. E se para a família e amigos de Renato não restam dúvidas de que a relação entre ambos era estritamente "profissional", os amigos de Carlos Castro apresentam outra versão.
No dia 1 de Dezembro, por exemplo, durante a festa da associação Abraço, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, Carlos Castro terá pegado no microfone e anunciado publicamente que iria em breve para Nova Iorque com a "sua grande paixão". Na altura, a intervenção foi classificada por alguns convidados como fervorosa e mesmo excessiva. Mas agora é um dos principais argumentos dos amigos do colunista para demonstrar que havia um relacionamento assumido com Renato Seabra. Isso e as mensagens escritas "a que a polícia poderá ter facilmente acesso", diz a empresária Maya, que garante ter chegado a ler "várias" sms enviadas por Renato para o telemóvel do colunista. "Extremamente afectuosas e que incluíam palavras como ''amor'' ou ''querido''", garante a empresária. Maya acrescenta que, em Novembro, Carlos Castro lhe terá perguntado pela compatibilidade astrológica com Renato. Ficou de lhe fazer uma carta astral e disse-lhe para não ter medo de avançar e de se apaixonar. É que, conta, o colunista era "muito pessimista", extremamente cauteloso "por já ter tido más experiências" e tinha medo "que se aproximassem dele por interesse". Segundo os amigos de Carlos Castro ouvidos pelo i, terá sido aí que residiu a habilidade do modelo. "Nunca pedia nada ao Carlos, mas sabia como conseguir que lhe desse as coisas. Soube criar todo um envolvimento para seduzir e entrar na esfera dele", garante Maya.
A empresária não duvida que o crime foi cometido "intencionalmente", sobretudo porque Renato colocou o dístico "não incomodar" na porta do quarto do hotel após o crime. Maya diz que, na origem do crime, estarão questões de dinheiro: "O Carlos, que não era rico, apercebeu-se de que o Renato poderia estar mais interessado no dinheiro e ele vê a torneira a fechar-se". Cláudio Ramos garante que conversou com o colunista sobre o namoro. Diz que Carlos Castro até adiou o regresso a Portugal, "por estar feliz em Nova Iorque". O comentador duvida que a família do jovem não estranhasse as viagens com Carlos Castro - a Milão, Londres e Madrid - para fazer trabalhos de moda e "não mostrasse trabalho".
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