BPN. PSD "protege" Cavaco e rejeita revelação de dados de accionistas

por Sónia Cerdeira, Publicado em 07 de Janeiro de 2011   
Francisco Louçã acusa Cavaco de obter "favor" no negócio do BPN. Sociais-democratas dizem que Bloco está a fazer uma "campanha negra"
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O PSD rejeitou ontem o segundo ponto do projecto de resolução do Bloco de Esquerda, que pedia ao governo a apresentação de "um relatório com a avaliação financeira das responsabilidades dos accionistas e administradores" do BPN e da Sociedade Lusa de Negócios, sua proprietária, até Novembro de 2008.

Nesse relatório deveria constar a "utilização de créditos pessoais ou empresariais junto do BPN", "o valor dos benefícios recebidos em dividendos, outros pagamentos e comissões referentes a operações do banco" e os "custos financeiros determinados pelo estabelecimento de contratos com terceiros, determinando a aquisição de acções por preço predefinido". São precisamente estes pontos que têm vindo a assombrar a campanha de Cavaco Silva, com Manuel Alegre a pedir sucessivamente que o candidato explique a quem vendeu as suas acções. Também o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, anunciou, no debate de ontem, a distribuição de uma cópia de um contrato do mesmo tipo mas mais recente, em que a SLN garante "a outra pessoa a recompra das acções, mas só lhes atribui 5% de valorização. Não paga 140%, como pagou a Cavaco Silva".

Louçã acusou mesmo Cavaco de ter obtido um "favor" ao receber 147 mil euros por vender as 105 379 acções que detinha no BPN em 2003, depois de as ter comprado a um euro cada. "Esse negócio foi um favor. Ora, um responsável político não faz favores nem recebe favores. E este foi um favor raro", referiu o líder do BE, para logo o PSD sair em defesa do candidato presidencial que apoia. "Ficou claro que era o Bloco de Esquerda que faria o lado negro da campanha do candidato Manuel Alegre", disse o líder da bancada parlamentar, Miguel Macedo.

O tom foi subindo contra a bancada laranja: "Campanha negra é o que aconteceu no BPN, um buraco negro na democracia portuguesa. Foram os senhores que o assaltaram", acusou Louçã. Classificando esta intervenção como "indecente", Macedo contra-atacou: "Pudessem todos os políticos apresentar de forma tão transparente e clara a sua vida patrimonial como pode o candidato Cavaco Silva, que nós apoiamos."

Mais tarde no debate, também o PS deitou água na fervura: "O BPN é um caso de irresponsabilidade financeira, é o símbolo de uma geração de gestores nascidos do caldo político das maiorias absolutas de Cavaco Silva e é, no plano daquilo que cabe aos tribunais, um caso de polícia", referiu o deputado Eduardo Cabrita, demarcando-se do fogo cruzado entre as campanhas de Cavaco e Alegre: "Sabemos quem são os rostos do BPN, mas nunca pretendeu o PS transformá-lo num caso de política."

O projecto de resolução do BE foi aprovado, com a abstenção do PS, em dois pontos. Pede ao governo que dê ao parlamento "as avaliações e estudos realizados para determinar o valor do BPN" e uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas à actividade do BPN desde a sua nacionalização, "para avaliar a utilização dos recursos públicos que lhe foram atribuídos sob a forma de empréstimos de liquidez por parte da Caixa Geral de Depósitos". Apesar da abstenção do PS, o socialista Eduardo Cabrita considerou a proposta de resolução "desnecessária e inconsequente". Já o projecto de lei que pretendia alterar as condições de nacionalização do BPN foi chumbado com os votos contra do PS e do PSD.


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