BPN

Cavaco acusa Alegre de "campanha suja". Alegre aponta "vitimização"

por Sónia Cerdeira, Publicado em 06 de Janeiro de 2011   
"Não sou economista. Não tenho acções da SLN, mas eu ter-me-ia interrogado [sobre os lucros]", respondeu Alegre ao i
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O caso BPN volta a ser o tema dominante da campanha. Cavaco Silva acusou ontem Manuel Alegre de estar a fazer "uma campanha suja, que viola o mais elementar dever de decência política". A declaração foi feita pelo porta-voz da candidatura presidencial, Alexandre Relvas, que disse mais: "O candidato Manuel Alegre resolveu, em desespero de causa, entrar numa campanha de ataques pessoais e socorrer-se de insinuações infundadas sobre o professor Cavaco Silva, a respeito de aplicações de poupanças." Os esclarecimentos vieram depois: "Cavaco Silva pôs parte das suas poupanças no BPN, tal como o fez em outros bancos, sem privilégios ou favorecimentos." Mas o assunto não ficou por aqui e Relvas acusou mesmo Alegre de estar a fazer "baixa política" - o que considera ser "um atentado moral à democracia" - no quadro de uma "campanha indigna e ignóbil de ataque pessoal".

Em resposta, o candidato apoiado pelo Partido Socialista e pelo Bloco de Esquerda manteve o tom crítico. "Trata-se de uma questão de interesse público. Não é uma questão pessoal. Fiz um pedido de esclarecimento a que não tive resposta. A única resposta foi um ataque pessoal", disse Manuel Alegre ao i poucos minutos depois da intervenção de Alexandre Relvas, na sede da candidatura de Cavaco Silva, numa entrevista que será publicada amanhã. O histórico do PS voltou a pedir ao Presidente da República que divulgue o contrato de venda das acções que detinha na Sociedade Lusa de Negócios, detentora do BPN, e que justifique "os lucros de 140% obtidos em tão pouco tempo". "Não sou economista. Não tenho acções da SLN, mas eu ter-me-ia interrogado [sobre os lucros]. É estranho que ele não se tenha interrogado."

"Gostaria de ver esta questão respondida e ultrapassada, mas se ele não responde ela vai manter-se", avisa. "Ele é um professor de Finanças, conhece estas coisas da banca. Há outras pessoas que fizeram investimentos e não tiveram retorno", salienta ainda o candidato.

Ao início da tarde de ontem, Cavaco já tinha reagido à polémica: "Quando aqueles que nos atacam sabem que estão a ser desonestos ao fazê-lo, nós devemos ignorá- -los", disse. Mas o silêncio durou pouco e a resposta acabou mesmo por surgir ao final da tarde, através de uma declaração dura de Alexandre Relvas, sem direito a perguntas, nem respostas.

Alegre aproveitou a deixa e acusou Cavaco Silva de "vitimização". "Estranhamos e lamentamos a vitimização", afirmou o director de campanha do candidato apoiado por PS e Bloco de Esquerda, Duarte Cordeiro. "Houve uma cadeia de acontecimentos que levou Manuel Alegre a tornar públicos os contornos da venda de acções da SLN. O candidato continua a entender que é do interesse público saber a quem Cavaco Silva vendeu as suas acções", disse.

As declarações de Alexandre Relvas foram consideradas um "ataque pessoal" e uma "manobra de diversão" para "fugir perante um tema incómodo". "Todos sabemos que Cavaco detinha acções da SLN e conhecemos as suas relações pessoais e políticas com anteriores elementos da administração do BPN", lembrou o director de campanha, acrescentando que é necessário esclarecer se o actual Presidente da República "conservou ou não o seu carácter de isenção nas declarações" que fez sobre o caso. Com Filipa Martins


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