O candidato às eleições presidenciais Francisco Lopes reclamou hoje "esclarecimentos a todos e de tudo" o que está relacionado com o caso BPN, acusando Cavaco Silva e Manuel Alegre de pretenderem "distrair as atenções" para iludir responsabilidades.
Em entrevista à RTP1, o candidato apoiado por PCP e Partido Ecologista Os Verdes nunca exigiu especificamente que Cavaco Silva esclareça, como pediu Manuel Alegre, a quem vendeu e comprou as ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), antiga dona do Banco Português de Negócios (BPN).
"Exijo esclarecimentos a todos e de tudo", disse Francisco Lopes, reclamando que se clarifique "quem são responsáveis da fraude e a quem serviu a fraude", bem como quem são os responsáveis pela nacionalização do banco – que são, no seu entender, "Cavaco Silva, como Presidente da República, o Governo do PS, a maioria da Assembleia da República e o próprio candidato Manuel Alegre", deputado socialista na anterior legislatura.
"Cavaco Silva procura distrair as atenções da fraude que houve antes da intervenção do Estado, falando das administrações anteriores; Manuel Alegre procura distrair–nos das responsabilidades do Governo, de Cavaco Silva e dele próprio na intervenção que houve, que levou à apropriação pública do buraco do BPN", sustentou Francisco Lopes.
O candidato a Belém voltou a referir-se a apoiantes de Cavaco Silva como "promotores da fraude", nomeadamente ao anterior responsável do BPN, Oliveira e Costa, que "foi ministro e financiador da sua campanha presidencial em 2006".
Francisco Lopes concluiu que "a decisão do Presidente da República é guiada não pelo interesse nacional, mas, em todas as circunstâncias, para favorecer os grupos económicos e financeiros".
O candidato defendeu a necessidade de ser feito "um levantamento exaustivo da situação e tomar um conjunto de decisões para salvar, até onde for possível, o interesse público".
Sobre a atual crise financeira, Francisco Lopes considerou que "a entrada de Portugal no euro foi profundamente negativa e conduziu a uma parte deste descalabro", reclamando "uma alteração profunda da união económica e monetária".
Na entrevista, o candidato voltou a rejeitar a ideia de que a sua candidatura sirva como uma preparação para a sua subida a secretário-geral do PCP, à semelhança do que aconteceu com anteriores candidatos presidenciais comunistas e que mais tarde lideraram o partido: Carlos Carvalhas e Jerónimo de Sousa.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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