Manifesto: 28 economistas querem mudar as obras públicas
Publicado em 20 de Junho de 2009
Aeroporto de Alcochete, TGV e auto-estradas são as obras contestadas pelos economistas
TGV, aeroporto de Alcochete e novas auto-estradas não podem avançar. Pelos menos da forma como estão planeadas. Este é o ponto central de um manifesto assinado por 28 dos mais reputados economistas portugueses que pretendem reavaliar os investimentos públicos que o governo tem previstos para o país.
O documento, faz uma avaliação dos últimos dez anos, pondo a ênfase em cada um dos investimentos e problemas que estes 28 economistas identificam. O ex-ministro das Finanças Miguel Cadilhe explica ao i por que assinou o manifesto: "Há momentos em que é bom para o país que algumas pessoas tenham gestos de cidadania como estes."
O documento surge numa altura de alguma fragilidade para o governo de Sócrates. Com a derrota nas europeias e o primeiro-ministro a invocar "escrúpulos democráticos" para não tomar decisões quanto à alta-velocidade antes das eleições legislativas. A suspensão da adjudicação do projecto até Outubro, altura em que se saberá quem formará governo, pode tornar este período num bom momento para debater e reflectir.
O que salta mais à vista é o facto de os signatários do manifesto não partilharem as mesmas posições políticas. "São pessoas com ideologias e percursos diferentes", afirma Rui Moreira, presidente da Associação de Comércio do Porto e outro dos signatários do manifesto. "Foi extraordinário termos conseguido arranjar pontos comuns entre todos."
Porém, os proponentes do documento deixam bem claro que não se trata de criticar a solução de apostar no investimento público, mas sim de apontar as razões pelas quais estes três projectos em especial são prejudiciais ao futuro de Portugal, partindo do princípio de que os estudos de custo-benefício tão referenciados pelo governo são irrealistas. "Não sou contra o investimento público, mas sim a favor de acertar a pontaria. Poderiam manter-se algumas obras, mas com alterações", esclarece Rui Moreira.
O objectivo é claro: parar o avanço desses três investimentos, criando um debate alargado na sociedade - que este grupo de personalidades sente ainda não estar suficientemente desenvolvido.
Esta iniciativa é uma continuação em relação à carta que Eduardo Catroga dirigiu ao governo há cerca de um mês, questionando a estratégia do Executivo em apostar em grandes obras públicas. Além do ex-ministro social-democrata, Vítor Bento e Álvaro Santos Pereira compõem o trio por trás deste movimento, cuja execução esteve a cargo de Alexandre Patrício Gouveia - que tratou de tudo por email.
Para Rui Moreira estas alterações não se reflectem em medidas concretas: "A melodia é diferente, mas a letra é a mesma." E João Duque, que também assinou o documento, acredita que o timing é o ideal: "É um óptimo momento, porque os partidos começam agora a desenhar os seus programas de governo e têm obrigatoriamente de dar atenção a este assunto." Contactado pelo i, o Ministério das Obras Públicas limitou-se a afirmar que "todas as opiniões são opiniões e não constituem uma novidade em relação ao que os signatários já defendiam" - recusando-se a fazer mais qualquer comentário.
O manifesto ficou disponível à meia-noite em reavaliarinvpublicos.com, site que será actualizado com informação e textos dos signatários.
Actividade em ionline