O PS admitiu hoje que o BPN "gera perplexidade no país". Já os partidos da oposição garantem que o governo, em especial o ministro das Finanças, está a "fugir" aos esclarecimentos sobre o BPN desde 15 de Setembro, data do primeiro pedido de audição feito pelo Bloco de Esquerda.
"Temos consciência que o caso gera perplexidade no país", referiu o líder parlamentar socialista, Francisco Assis, juntando-se aos pedidos de esclarecimento da oposição. "Queremos contribuir para que se faça um esclarecimento cabal de toda a situação", admitiu. Quanto às acusações da oposição face à "fuga" aos esclarecimentos por parte do governo, Assis garante que "não encontram suporte na realidade".
O ministro das Finanças está disponível para vir ao Parlamento no dia 11 de Janeiro mas os partidos não ficaram satisfeitos com a data, afirmando que o ministro primeiro tentou "descartar" a sua vinda para um secretário de Estado e depois marcou uma data que coincide com a lei de enquadramento orçamental para "diluir" o problema do BPN. O PSD vai mesmo chamar o presidente do Conselho de Administração do BPN para vir à Assembleia prestar esclarecimentos, antes da vinda de Teixeira dos Santos.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, garante que "em nenhum momento o governo se manifestou indisponível para prestar esclarecimentos", justificando a data com a "agenda intensa" do ministro das Finanças devido, por exemplo, às "reuniões europeias". O facto de o governo ter tentado que viesse o secretário de Estado do Tesouro responder às questões dos deputados foi justificado por Lacão no "âmbito da organização" governamental, que pode "mandatar o membro do governo pertinente para responder às perguntas dos deputados, caso contrário seria uma limitação à auto-organização do governo".
"O PSD não vai resignar-se perante factos consumatos. A atitude recente do ministro foi a de furtar-se de forma contínua de dar esclarecimento à Assembleia", afirmou o líder parlamentar social-democrata, Miguel Macedo.
O Bloco de Esquerda "estranhou" a exigência do PSD, uma vez que inviabilizaram uma proposta do BE que exigia um "relatório claro às contas do BPN", mas também pedem mais esclarecimentos ao governo. "Seja bem-vindo o PSD a esta exigência", referiu o líder parlamentar bloquista, José Manuel Pureza.
O CDS-PP lembrou que um requerimento para a audição do ministro das Finanças, em Novembro, foi recusada. "Todos os dias somos confrontados nas notícias com comunicados do governo, que não dão explicações à Assembleia para dar explicações à comunicação social", afirmou o líder da bancada centrista, Pedro Mota Soares.
Já o PCP considerou que não é "admissível" Teixeira dos Santos "eximir-se de vir prestar esclarecimentos à Assembleia". "O ministro das Finanças tentou descartar a vinda para um secretário de Estado e perante a recusa da Comissão de Orçamento e Finanças está a adiar a data para Janeiro, fazendo coincidr a discussão com a lei de enquadramento orçamental para que o problema do BPN apareça diluído", acusou o líder da bacanda do PCP, Bernardino Soares.




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