Os vários representantes dos partidos na comissão de inquérito ao BPN consideraram inaceitáveis as declarações de José Sócrates sobre a condução dos trabalhos da comissão, à excepção dos socialistas que consideram ter existido tratamento diferenciado.
Os protestos dos deputados foram realizados antes do início da audição do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que é ouvido hoje pela comissão de inquérito ao caso BPN.
Segundo Hugo Velosa, as declarações do primeiro-ministro durante a entrevista ao canal de televisão SIC na quarta-feira - em que Sócrates lamentou a forma como a comissão tratou o governador do Banco de Portugal - "abrange de forma genérica todos os deputados".
"É no mínimo inaceitável. Queremos deixar o nosso protesto muito claro, porque não faz sentido - tendo nós estado aqui em tantas sessões, durante tantas horas - que alguém, neste caso o primeiro-ministro" ponha em causa o trabalho da comissão. Hugo Velosa acrescentou nunca ter visto "nesta comissão nenhuma atitude de desprestigio".
A presidente da comissão de inquérito, a socialista Maria de Belém, assumiu a responsabilidade pela condução dos trabalhos, e destacou a boa articulação com os vários grupos parlamentares.
"A responsabilidade pela condução dos trabalhos é minha. Temos conseguido entre todos acertar uma metodologia de trabalho. Penso que isto tem sido inédito", disse.
O deputado do CDS-PP, Nuno Melo, sublinhou que quem fiscaliza o Governo é o Parlamento e não o contrário, afirmando que "muito menos é o primeiro-ministro que fiscaliza esta comissão".
"Repudio a forma como o senhor primeiro-ministro falou sobre esta comissão (...) Todos rejeitamos a forma como o Banco de Portugal se recusou a colaborar e a forma insultuosa como o senhor governador [do banco central] se dirigiu a deputados", disse.
"Inteiramente chocado com as palavras do primeiro-ministro" foi como se considerou Honório Novo, deputado do PCP, afirmando ainda que "não é aceitável que o primeiro-ministro se tenha manifestado chocado com uma atitude menos respeitadora que esta comissão teve com Vítor Constâncio e não se ter manifestado chocado com a forma como o governador do Banco de Portugal se mostrou não colaborante".
"Rejeitamos que o primeiro-ministro assuma uma atitude de tentativa de condicionamento da parte final dos trabalhos desta comissão. Pode ter a certeza, pelo menos do PCP, que vai ter a resposta à altura", acrescentou.
Ricardo Rodrigues do PS, considerou por sua vez que houve um tratamento diferente dado às pessoas ouvidas na comissão, afirmando que uns foram tratados a "a brincar", "outros de forma vigorosa".
"Cada um usou dos argumentos e estratégias que bem quis para atingir os seus objectivos. (...) Também é verdade que nem todos usaram as mesmas estratégias. (...) Não há que esconder porque os portugueses que seguiram esta comissão também ouviram que alguns de nós foram insultuosos perante alguns que aqui vieram armados em paladinos de alguma concorrência. Face a alguns fortes, não foram capazes de ter essa arrogância", disse.
"Nós vamos tirar as nossas conclusões sem algum grau de dúvida e não será nem o engenheiro Sócrates nem ninguém que vai alterar as conclusões que esta comissão vai tirar", concluiu o deputado socialista.
O primeiro-ministro disse quarta-feira que houve "diferença de tratamento" na comissão parlamentar ao BPN, referindo que "não viu" o governador do Banco de Portugal ser tratado da mesma forma que foram os antigos administradores do banco.
Questionado pelos jornalistas sobre se considera que os deputados da comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN teriam sido benevolentes com Oliveira e Costa durante a sua audiência, José Sócrates respondeu que na entrevista de quarta-feira à SIC não se referiu a ninguém especificamente




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