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Em busca da pizza perfeita

Publicado em 19 de Junho de 2009   
Escolher uma pizzaria para jantar pode ser tão díficil como dar nome a um filho. Conheça as melhores em Lisboa e no Porto
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Lisboa

1.º - Casanova - Se para a nossa escolha tivéssemos encomendado um estudo à Eurosondagem junto da população alfacinha, este seria o vencedor. E por maioria absoluta, estamos em crer. A pizzaria Casanova é a irmã mais nova do restaurante Casanostra, ambos criações de Maria Paola Porru, uma italiana radicada em Portugal há mais de 30 anos. Se o último se destacou por dar a conhecer novas facetas da cozinha italiana, a Casanova especializou-se naquilo que todos conhecem: as pizzas. E nos seus nove anos de existência tem-no feito com muito sucesso. Prova disso são as inevitáveis filas para arranjar mesa e a constante sobrelotação do espaço, que nos dias mais críticos faz lembrar uma cantina de prisão sul-americana. Com uma bela esplanada à beira-rio, ainda assim. As pizzas apresentam sabores diferentes daquilo a que estamos habituados. Destaca-se a pizza de figos, um dos ex-líbris do restaurante e uma inovação arrojada, a pizza de Nutella. Mas se prefere as clássicas também as encontra. Sempre com a massa muito fina e estaladiça, acabada de sair dos fornos de lenha.

Av. Infante D. Henrique - Cais da Pedra - Armazém 7 Loja B. 218 877 532. Ter-Dom.

 

2.º - Lucca/ La Finestra - Diz-se no mundo da restauração que a Lucca nasceu de um dissidente da Casanova, que copiou o que de melhor se fazia por lá. Mas para nós, que gostamos é de afiar o dente, a polémica pouco interessa. Durante algum tempo, após a sua abertura, em 2004, a Lucca foi uma espécie de segredo bem guardado do mundo das pizzas alfacinhas. Ajudava a localização, meio escondida numa transversal da Avenida de Roma. Mas com o passar do tempo, a fama espalhou-se. Algumas bocas menos treinadas não souberam manter a discrição e arranjar uma mesa tornou-se, rapidamente, missão quase impossível. Tal como ter uma conversa a volumes dignos, uma vez lá dentro. Só que as boas notícias surgiram no início deste ano. O responsável pela pizzaria decidiu abrir um novo restaurante na cidade, o La Finestra. Um espaço maior com o mesmo conceito e, mais importante, as mesmas pizzas. Há, em ambas as pizzarias, mais de 30 variedades disponíveis, com um sem número de combinações possíveis. Não espere, contudo, encontrar frutas tropicais entre os ingredientes. Não se faz em Itália, não se faz por aqui.

Lucca Travessa Henrique Cardoso 19B. 217 972 687. Qui-Ter.

La Finestra Av. Conde Valbom 52A. 217 613 580. Não encerra.

 

3.º - Maritaca - Ao contrário das outras sugestões apresentadas, a Maritaca não é a típica pizzaria italiana. Nem pretende sê-lo. Importou as suas características mais marcantes do Brasil. Mas não estamos a falar de uma calzone de picanha ou coisa que o valha. São duas as novidades que apresenta e que não se encontram noutro sítio. Uns rolinhos de pizza crocantes, que começaram por ser entradas mas cuja popularidade os transformou em prato principal, e uma espécie de sanduíches de pizza, feitas com massa da dita cuja. Dos sabores disponíveis destaca-se outra especialidade brasileira, o queijo Catupiry. Melhor que explicar é mesmo experimentar. E descansem os mais conservadores porque o formato convencional também faz parte do menu. O espaço é amplo, com capacidade para cerca de 150 pessoas, e fica paredes-meias com a discoteca Kapital. Por isso depois de jantar, pode sempre dar um pezinho de dança para desenjoar.

Av. 24 de Julho 68F. 213 939 400. Seg-Sáb

 

4.º - Mezzogiorno - Se a Casanova reúne as preferências junto dos lisboetas, já quem vem de Itália parece preferir a Mezzogiorno. Talvez porque aqui tudo seja genuinamente italiano, à imagem de dois dos seus responsáveis, Sérgio e Gianluca. E por isso, as diferenças para as outras pizzarias, subtis para os menos atentos, não passam indiferentes ao olho (e ao estômago) crítico e patriota de um transalpino. Começam nos ingredientes, trazidos de Itália e terminam nas pizzas. As que se fazem por aqui são tipicamente napolitanas. Quer isto dizer que a massa não é tão baixa como habitualmente. Tem antes uma espessura razoável, principalmente no rebordo. O conceito parece agradar não só aos italianos residentes na capital mas também aos muitos portugueses que enchem o espaço, principalmente ao "mezziogiorno" ou como quem diz, "à hora de almoço". Curiosamente, a expressão utiliza-se também para indicar toda a região do sul da Itália. E é o mais perto que se pode lá chegar, sem sair de Lisboa.

Rua Garrett 19. 213 421 500. Seg-Sáb.

 

Porto

1º - Al Forno No Porto - Al Forno é sinónimo de boa comida italiana. Seja na Baixa, em Leça ou na Foz, os três locais onde a cadeia se instalou na Invicta. Mas não se pense que é a normal franchise de pizzas a metro. Nada disso. Aqui serve-se comida italiana a sério. Os restaurantes até nem têm muito a ver entre si, à primeira vista. Mais pequenos e intimistas, os de Leça e da Foz (o preferido de muita gente), mais espaçoso e moderno o da Baixa. A qualidade das pizzas, essa, não varia muito. É alta em qualquer dos três, ao contrário da massa que a compõe, baixinha e estaladiça, ao bom estilo romano. E porque cada Al Forno é, mais que uma pizzaria, um verdadeiro restaurante italiano, do menu fazem também parte outros pratos de igual qualidade. Que ficarão para falar em segundas núpcias porque o assunto aqui é pizzas. E só por elas vale bem a pena visitar um destes espaços.

Foz Rua do Adro da Foz, 4. 226 173 549. Não encerra.

Leça da Palmeira Rua de Stª. Catarina, 249. 229 952 980. Não encerra.

Baixa Rua Rodrigues Sampaio 156. 222 021 049. Não encerra.

2.º - Casa d'Oro - Imagine-se um edifício envidraçado sobre o rio Douro. Pegue-se no restaurante Casanostra e coloque-se uma réplica no primeiro andar. Agarre-se na pizzaria Casanova e copie-se para o segundo. No terraço faça-se uma esplanada. Está à vista o resultado desta receita: o Casa d?Oro. Porventura farta de ouvir as gentes do Norte queixosas com a falta de boas pizzas no Porto, Maria Paola Porru juntou em 2005 os conceitos dos seus restaurantes da capital num só. Escolheu um espaço de eleição junto à ponte da Arrábida e não mexeu mais. Porque a qualidade dos produtos e da oferta é muito semelhante à dos espaços da capital. Como diz o jargão da bola "em equipa que ganha não se mexe". E porque assim é, de facto, qualquer pessoa habituada às "pizzas do Lux" pode sentar-se à mesa do Casa d?Oro que não notará grandes diferenças. Só mesmo o rio que corre lá fora. E a ponte que se vê ao fundo.

Rua do Ouro 797. 226 106 012. Não encerra.



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