Candidato reage a criticas

Cavaco Silva diz que não se lembra de ter preenchido ficha na PIDE

por i com Agência Lusa, Publicado em 14 de Dezembro de 2010   
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O candidato presidencial Cavaco Silva recusou hoje responder às críticas que Manuel Alegre tem deixado, mas lembrou a todos os adversários que "o desespero não é bom conselheiro".

"Todos os candidatos me merecem o maior respeito, não irei atacar ninguém, mas há um conselho que dou: o desespero não é bom conselheiro", afirmou Cavaco Silva, em declarações aos jornalista depois de ter formalizado a sua candidatura às eleições de 23 de janeiro, quando questionado sobre as críticas e acusações que Manuel Alegre lhe tem feito.

Prometendo fazer uma "campanha muito tranquila" para esclarecer os portugueses, Cavaco Silva disse que não irá responder às acusações e críticas que o candidato apoiado pelo PS e pelo BE lhe tem deixado.

"Não, não vou responder", assegurou, lembrando, contudo, as recentes tentativas de Manuel Alegre em ligar o seu nome ao antigo regime.

"Não é a primeira vez que isso acontece. Mas, às vezes as pessoas em estado de desespero não olham a meios", notou, referindo-se às declarações de Manuel Alegre no domingo, quando o candidato apoiado pelo PS e pelo BE disse que deu "o nome à PIDE a dizer que tinha bom comportamento", numa alusão a um artigo publicado pela revista "Sábado".

Nesse artigo era revelado um "formulário pessoal pormenorizado" para a PIDE preenchido por Cavaco Silva durante o Estado Novo, onde se lê "integrado no atual regime político" no que respeitava à sua "posição e atividades políticas".

Recordando a sua vida antes do 25 de Abril, Cavaco Silva lembrou que foi "mandado para a guerra colonial" em Moçambique dez dias depois de casar e, quando regressou a Portugal, foi trabalhar como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian no Centro de Economia e Finanças e como assistente do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

"Não sei o que é que o regime pensava de mim nessa altura, mas tendo-me mandado para Moçambique dez dias depois de casar, quando estava ainda em viagem de núpcias e estando eu no terceiro ano do curso, não me tendo deixar terminar o curso, eu e a minha mulher com certeza que não pensávamos bem do regime", declarou.

Cavaco Silva disse ainda não se lembrar alguma vez ter pedido autorização para consultar documentos secretos da NATO, que requeriam uma autorização do regime, mas, ressalvou que, caso o tenha feito, "foi com certeza no quadro do trabalho que estava a fazer na Fundação Calouste Gulbenkian".

"Mas eu enquanto jovem, nessa altura devo ter feito tudo aquilo que era exigido pelo regime àqueles que queriam trabalhar e eu estava a trabalhar na função pública como assistente da Universidade, pelo que precisava de elementos para os meus trabalhos de investigação que fazia no emprego que eu tinha na altura", acrescentou.

Relativamente às acusações de Manuel Alegre de que estava a utilizar a pobreza para fazer campanha eleitoral, depois de Cavaco Silva enquanto Presidente da República ter tido que os portugueses têm de se sentir "envergonhados" por existirem pessoas com fome, o candidato apoiado pelo PSD, pelo CDS-PP e pelo MEP salientou que desde sempre tem colaborado com todas as instituições que combatem a pobreza em Portugal.

"Estarei sempre ao lado daqueles que não têm voz, ao lado daqueles que precisam de apoio em situações difíceis", garantiu, assegurando sempre ter dado "todo o apoio que era possível para combater a fome em Portugal",

"Quanto a isso não tenho mínima dúvida e por alguma razão as instituições de solidariedade em Portugal apoiam a minha candidatura", referiu.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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