Entrevista a José Sócrates

"Estou muito satisfeito comigo" - vídeo

Publicado em 18 de Junho de 2009   
Na primeira entrevista pós-derrota europeia, Sócrates estreou o novo discurso de confiança e sucesso das apostas socialistas
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O guião do PS para renovar a maioria tem três eixos: explicar as medidas do governo, promover os benefícios que estão por vir e deixar uma mensagem de esperança. A entrevista de José Sócrates na SIC, ontem à noite, foi um ensaio geral da campanha para as legislativas.

Com direito a antestreia de um novo perfil no actor principal: tranquilo, ponderado e a piscar o olho à humildade. Mas mesmo em discurso quase sussurrado, não perdeu a confiança na sua razão: "Estou muito satisfeito comigo".

No arranque da entrevista, Sócrates defendeu que a derrota nas europeias se deveu ao "desgaste político" provocado pelas "muitas reformas feitas pelo governo em pouco tempo". Admitiu que as "tensões" geradas nalguns sectores podem ter provocado "uma desilusão em parte da base social que votou no PS em 2005". Mas a derrota foi "um estímulo" para recuperar esse eleitorado. "Provavelmente, um dos erros foi deixar instalar a ideia de que as reformas eram contra algumas classes profissionais", disse Sócrates. Um argumento que considerou "infantil", contrapondo as virtudes das reformas no ensino ao sucesso da reforma na segurança social, do equilíbrio das contas do Estado à reforma na administração pública, passando pelos 133 mil postos de trabalho criados até 2007. "Daqui a uns anos, quando se olhar para trás ver-se-á o que foi feito", defendeu.

"Depois veio a crise mundial". A frase marcou a viragem no rumo da entrevista. Uma crise daquelas que "acontecem de 100 em 100 anos". Mas que permitem evidenciar as virtudes do trabalho feito. "Tivemos o menor défice do país nos últimos 30 anos", disse, reconhecendo a "imodéstia" de ser ele a dizê-lo. Mas teve de o fazer para recordar que, não fora o reequilíbrio das contas do Estado, "não se podia agora ajudar as empresas e famílias como o Estado está a fazer - o importante é manter esta linha de rumo".

Sobre a crise da banca, garante que o governo fez o que podia e devia. "O sistema financeiro hoje está mais sólido e seguro", disse. "Voltaria a fazer o mesmo" na nacionalização do BPN e louvou a "morte assistida e controlada" do BPP. Mas admitiu: "Parte-se-me o coração quando penso que o banco mentiu aos clientes". Pelo meio criticou a comissão de inquérito do BPN por ser "tão respeitosa com quem praticou irregularidades" e "tão atacante para o governador do Banco de Portugal".

Quanto ao futuro e as legislativas, "os portugueses escolherão". Recusou falar em coligações - "isso enfraquece o objectivo" da maioria. Quer coligar-se apenas com "um país moderno, que ande para a frente e não se deixe abater com pessimismos". E diz que o conseguirá pela "diferença de mundivisão" face a Ferreira Leite, disse, recordando as frases da líder laranja sobre os "casamentos para procriação" ou "as obras públicas para cabo-verdianos".


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