Relatório PISA

Educação. Subida relâmpago cola Portugal à média da OCDE

por Kátia Catulo e Marta F. Reis, Publicado em 08 de Dezembro de 2010   
Alunos portugueses são os que mais evoluíram a Matemática, Leitura e Ciências
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Portugal saiu finalmente da cauda da Europa e aproximou-se da média da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE). Esta é a boa notícia do relatório do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) que mediu o desempenho dos estudantes de 15 anos a Leitura, Matemática e Ciências em 65 países, 33 dos quais membros da OCDE. Os adolescentes portugueses são os que mais progrediram nestes três domínios. Os resultados ontem divulgados na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, fazem agora de Portugal um país quase mediano. Avaliados todos os indicadores, o ensino português soma 489 pontos - mais 20 do que em 2006 - e aproxima-se da média (493).

Entre os 33 países da OCDE, Portugal foi o quarto que mais progrediu na Leitura e na Matemática e o segundo que mais avançou a Ciência, conquistando ainda o sexto lugar entre os sistemas educativos "que melhor compensam as assimetrias económicas", salienta o relatório. Ou seja, 40% dos alunos oriundos de famílias pobres obtiveram níveis de desempenho entre o mediano e o excelente.

A evolução aconteceu sobretudo entre 2003 e 2006 e fez com que Portugal ultrapassasse a Espanha e tenha agora novos vizinhos como Hungria, Reino Unido, França, Dinamarca ou Alemanha. O PISA 2009 é o primeiro relatório que permite fazer uma evolução do desempenho dos alunos numa década, uma vez que o estudo é aplicado de três em três anos, tendo sido inaugurado em 2000. Assim, há nove anos, Portugal ocupava o 25.o lugar entre 27 países; hoje está em 17.o em 33 países.

A Leitura é o foco deste ano e, neste capítulo, os alunos portugueses estão entre os sete melhores no conjunto dos 65 países avaliados - em 2000 obtiveram 470 pontos e, nove anos depois, subiram 17 pontos, equiparando-se agora aos suecos, irlandeses, franceses ou ingleses, que estão dentro da média da organização. Significa isto que 60% dos estudantes de 15 anos tiveram avaliações entre o suficiente e o excelente. O melhor desempenho a Leitura vai para China (Xangai), Coreia do Sul e Finlândia

A Matemática (5.o lugar) e a Ciências (3.o lugar) também se verificam subidas de 21 e 19 pontos, respectivamente. Portugal sobe de 466 pontos, em 2003, na avaliação à literacia matemática, para 487. Apenas 20% dos alunos tiveram as notas mais baixas e 10% obtiveram notas de excelência. Se compararmos com Xangai, a população de alunos com notas de topo ultrapassa os 60%. E é por isso que esta região da China é a campeã da Matemática (600 pontos), seguida da Coreia do Sul com 546. A Ciências, os alunos portugueses passam de 474 para 493 pontos.

A redução de chumbos foi o principal factor para subir o desempenho dos alunos portugueses. Entre 2004 e 2009, por exemplo, houve uma "queda dramática" da taxa de retenção no 9.o ano, de 21,5% para 12,8%, salienta o relatório PISA 2009, que foi também ontem apresentado na sede da OCDE (Paris). "É um dado positivo, uma vez que o grau de repetências está por regra associado ao baixo desempenho", conclui o documento, no volume dedicado às "Tendências de Aprendizagem - Evolução dos Alunos desde 2000".

A melhoria nas três áreas científicas deve-se ? segundo o relatório PISA - às políticas aplicadas desde 2005. O investimento feito em computadores portáteis, acesso a banda larga, refeições escolares e aumento do apoio social contribuíram para esta evolução, acredita a OCDE. Razões de sobra para o primeiro-ministro, José Sócrates, considerar que este estudo vem deitar por terra os "mitos" do facilitismo, do fatalismo e ainda derrubar a imagem de que a escola pública não pode ser inclusiva e ter ao mesmo tempo qualidade: "Este é um resultado esperançoso para um país que nunca desiste de si próprio", rematou.


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