Queda de peças de avião deixa Almada em sobressalto

por Cláudia Garcia e Maria Catarina Nunes , Publicado em 07 de Dezembro de 2010   
Director do Gabinete de acidentes aéreos diz ao i que não conhece caso idêntico
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"Recebemos um telefonema de um cidadão a informar que um avião comercial estava a projectar objectos quentes e incandescentes durante o voo", contou ao i o agente Madureira, da PSP de Almada. Ao mesmo tempo que choviam peças metálicas em Almada, o Boeing 777-200ERs da companhia angolana TAGG (Linhas Aéreas de Angola) aterrava de emergência no Aeroporto de Lisboa, devido a alegada avaria num dos motores.

"Caíram bocados de metal em frente à fonte luminosa, na zona de Cacilhas e mais tarde em duas artérias circundantes", acrescenta o agente. Não houve registos de feridos, mas "pelo menos cinco carros foram atingidos, além da clarabóia de um prédio", avançou a fonte da PSP. As peças, de acordo com a descrição dos Bombeiros Voluntários de Almada, tinham cerca de 15 cms de comprimento.

Às 11h11m de ontem, o Boeing da TAAG - companhia já se viu impedida de voar para a Europa por estar na "black list" das companhias de risco - descolou do aeroporto da Portela com destino a Luanda. Minutos depois, o avião com 125 passageiros a bordo aterrou de emergência no mesmo aeroporto. Os pilotos informaram a torre de comando da Portela sobre as "falhas mecânicas" e os bombeiros foram chamados à pista. Às 11h32m o avião aterrou novamente em Lisboa sem nenhum passageiro ferido, garantiu uma fonte do gabinete de comunicação da ANA Aeroportos. Da TAAG não houve qualquer confirmação sobre se as peças que caíram em Almada pertenciam ao aparelho.

Em Almada, a PSP, Protecção Civil e bombeiros, estavam nos locais onde as peças metálicas caíram. O agente explicou que a PSP "não sabe identificar se são peças de avião e, se forem, de que parte do avião. São apenas bocados pequenos de metal", disse. A PSP de Almada assumiu, também, que por "nunca ter acontecido ali nada parecido", não está habituada a "lidar com estas situações".

Fernando Reis, director do GPIAA (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves) dá conta da falha num dos motores do aparelho, que terá obrigado o piloto a uma aterragem de emergência. No entanto, Fernando Reis diz ao i que só hoje poderá assegurar se as peças pertenciam ao avião da TAAG. Não há conta de incidentes semelhantes com outro Boeing, nem em Portugal nem em qualquer parte do Mundo. A convicção é do director do GPIAA, que assegura que "este é um caso raro." Os peritos vão começar hoje a analisar as condições em que tudo ocorreu, mas Fernando Reis refere que o processo pode levar anos a ter uma conclusão.O Boeing 777 é um avião norte-americano usado por 56 companhias áreas. O motor, da General Electrics, é considerado um dos mais potentes a nível mundial.

No caso de se confirmar que as peças pertenciam ao Boeing da TAAG, a companhia garante vai assumir todas "as culpas". Em comunicado enviado à imprensa, a companhia angolana assume "eventuais consequências" da avaria mecânica, acrescentando que a empresa está "a recolher informações sobre o incidente". O i tentou contactar o delegado da companhia em Portugal, Virgílio Costa, sem sucesso.

Desde que foi autorizada a voltar a voar dentro do espaço aéreo dos países da União Europeia, em Março, a TAAG tem aumentado o número de rotas e viagens para a Europa.

Em Abril, a companhia divulgou no seu site um novo negócio com a Boeing, com a compra de dois Boeing 777-300ER, um modelo superior ao que a empresa actualmente utiliza, também com motor da GE, no valor de cerca de 500 milhões de euros. A TAAG utiliza os Boeing 777 com uma frequência de dez vezes por semana na rota de Luanda para Lisboa, duas vezes para Pequim, via Dubai, e outras quatro para o Rio de Janeiro.


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