Cavaco Silva: "Podemos voltar a ser um país respeitado"
por Pedro Sales Dias , Publicado em 30 de Novembro de 2010
Cavaco ataca as cunhas por "filiação partidária" e lembra os seus tempos de "bom aluno"
Cavaco Silva apresentou ontem a sua moção de candidatura, no Porto, afirmando-se o melhor candidato para "os tempos de crise e de angústia que o país atravessa". Cavaco fez questão de lembrar que nestas eleições "o que estará em causa será o futuro dos filhos e dos netos dos portugueses". Para o actual chefe de Estado, estes não são tempos "para fantasias e experimentalismos na Presidência da República".
A crise da dívida portuguesa serviu de impulso ao discurso de campanha do candidato. "Já houve um tempo em que Portugal deu um exemplo à Europa. Fui até considerado um bom aluno. Já houve um tempo em que Portugal era elogiado nos relatórios produzidos nas organizações internacionais e em consequência se ouviam os mais rasgados elogios do comportamento do nosso país nos mais variados domínios, por grandes personalidades na Europa. Podemos voltar a ser um país respeitado", afirmou Cavaco.
Também o mandatário nacional, João Lobo Antunes, insistiu na "política da verdade": "Estes são tempos em que se maltrata a verdade. Alguns parecem transaccioná-la como mercadoria. O bem-estar de um povo não suporta a perpétua comichão da dúvida".
Na inauguração da sede de campanha, entre a sede do adversário Fernando Nobre, na Avenida dos Aliados e a Câmara do Porto, de Rui Rio, Cavaco lançou-se contra o "conformismo", a "angústia" o desânimo" e a " ilusão e a mentira" no discurso político. Num fim de tarde chuvoso em que encheu a sede de campanha no Porto, Cavaco elogiou as gentes da Invicta "que nunca se conformaram ao longo da história" e a região "onde nasceu o país".
O actual Presidente apontou objectivos de governação: "Criar mais riqueza e reduzir o endividamento externo". Afirmou que "a ilusão e mentira encaminharam os cidadãos para as actuais dificuldades" e garantiu que como Presidente da República exercerá "uma magistratura activa para que as políticas públicas atribuam prioridade ao combate ao desemprego".
António Lobo Xavier, mandatário distrital da candidatura, fez questão de apresentar Cavaco como a "liderança moral" de que Portugal necessita para cumprir "as grandes mudanças".
Libertar o futuro Na Alfândega do Porto, cheia de apoiantes de vários quadrantes, Cavaco prometeu o que já tinha prometido em 2006 no mesmo local. "Comigo sabem com o que podem contar", disse assumindo-se como o elemento gerador de "confiança" de que o país necessita nos mercados financeiros. E voltou a afirmar que é, enquanto chefe de Estado, a "última reserva da República" e que não "permite que as suas competências sejam postas em causa por outros órgãos de soberania" à luz da Constituição. Com Ramalho Eanes, Valente de Oliveira, Rui Rio, Paulo Rangel, Miguel Veiga, Manuela Ferreira Leite, Miguel Macedo, José Pedro Aguiar-Branco, entre outros, na plateia, o candidato disse que tinha "coragem de ter esperança" em Portugal.
Contra as "cunhas" Cavaco Silva imputou ao Estado o dever de "redistribuir a riqueza, combater as desigualdades sociais e assimetrias regionais" e defendeu "o mercado livre sujeito a regulação eficaz". Os aplausos chegaram quando referiu os critérios de admissão na administração pública baseados "nas filiações ou simpatias partidárias". A Justiça foi também um dos pontos que não foram esquecidos: "O sistema de Justiça tem de ser mais credível e eficaz (...) Fenómenos como a corrupção, o tráfico de influências e a promiscuidade entre a esfera pública e privada devem ser objecto de uma investigação consequente e uma condenação exemplar", defendeu.
Cavaco defendeu a aposta no Serviço Nacional de Saúde e na Segurança Social. "O nosso modelo social tem de ser defendido", disse.
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