Montepio disponível para dialogar com governo sobre BPN
por Margarida Videira da Costa , Publicado em 30 de Novembro de 2010
O banco mutualista concluiu ontem a OPA sobre o Finibanco e já garantiu mais de 6% da banca nacional
O concurso público para a privatização do BPN termina hoje e é já quase certo que não haverá propostas. O Montepio, um dos poucos interessados, revelou ontem que não avança com uma proposta porque "as condições do caderno de encargos não são susceptíveis" para tal, justifica Tomás Correia. O presidente do Montepio garantiu, no entanto, à Lusa manter "interesse" na aquisição do BPN, caso o governo esteja disponível para conversar.
A venda é um dos cenário se o concurso de privatização ficar vazio, abrindo a porta a uma negociação livre das condições mínimas exigidas pelo Estado no caderno de encargos. A integração na operação de créditos de risco de mil milhões de euros do BPN às participadas e a obrigação de manter cerca de 1700 trabalhadores do grupo foram os dois obstáculos à apresentação de propostas. O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, tem em cima da mesa quatro alternativas à privatização: venda directa, insolvência, manutenção do BPN no Estado ou integração na Caixa. Qualquer solução terá um custo mínimo já calculado de 2500 milhões de euros para o contribuinte.
Além do Montepio, também o angolano BIC e o inglês Barclays levantaram o caderno de encargos, mas numa venda directa poderão aparecer outros candidatos.
A disponibilidade do Montepio para discutir esta opção foi confirmada, à margem da sessão que apurou os resultados da oferta pública de aquisição (OPA) do Montepio sobre o Finibanco. Num investimento total de 335,6 milhões de euros, o banco liderado por Tomás Correia passou a deter 99,6% do capital do Finibanco e 6,2% da quota de mercado da banca. O Montepio prevê concluir a integração do Finibanco no primeiro semestre de 2011. A marca fica em Angola, onde é "conhecida e estimada".
O banqueiro assegurou que a operação não terá implicações para os empregados do banco. "Não extinguimos postos de trabalho. O lucro é importante mas preocupamo-nos com as pessoas", disse.
Com Ana Suspiro
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