Liberdade é o sentimento que domina os milhares de moradores reféns durante décadas do poder armado do tráfico de droga nas comunidades do Complexo do Alemão, subúrbio do Rio de Janeiro, quando agora tiveram uma hipótese de comemorar em paz.
"Hoje eu senti que pude dar o grito de liberdade, um grande alívio", disse à Lusa Lucilene Andrade, de 39 anos.
Há 20 anos a viver na Estrada do Itararé no acesso à favela da Grota, uma das 13 que compõem o Complexo do Alemão, esta é a primeira vez que Lucilene se diz confiante na polícia.
Questionada sobre se já havia visto alguma operação desta envergadura, envolvendo não só polícias, mas também soldados do Exército e Marinha, Lucilene é enfática: "igual a essa não. Houve outras parecidas, mas esta foi a mais forte de todas. É espetacular".
Para a moradora, "agora as coisas vão melhorar". Não sai de casa desde quinta-feira, quando os confrontos entre a polícia e os traficantes de droga se intensificaram.
"Eu não saio de casa de jeito nenhum. A gente pensava em sair e as coisas acontecem repentinas. Quando a gente pensa que está calmo começa o tiroteio novamente e a gente fica com medo. É um bombardeio tremendo", descreveu a moradora sobre os recentes episódios de insegurança vividos pela comunidade.
Mas, no domingo as coisas mudaram, garantiu Lucilene. "Eu vim levar a minha filha para o ballet e parei para observar um pouco o movimento. Agora sabemos que Deus está a olhar por nós e agora a gente tem também a segurança da polícia".
Há seis horas a carregar uma bandeira branca num dos acessos ao Complexo do Alemão, o ex-fuzileiro naval e hoje educador Carlos Eduardo Sophia quis demonstrar a sua solidariedade com a população local.
Apesar de não viver na comunidade, Carlos chegou cedo na manhã de domingo e aguentou-se firme debaixo de sol ao caminhar pelas ruas e vielas da comunidade para transmitir uma simples mensagem: a paz.
Carlos hasteou a sua bandeira branca com a palavra ‘PAZ’ bordada para transmitir o seu apoio aos moradores do Complexo do Alemão.
"Estou aqui para apoiar a comunidade. Infelizmente, quando a bandeira da paz está é para pedir ajuda. Fico muito triste de estar aqui, mas espero que a comunidade fique em paz e as crianças tenham aulas nas escolas", afirmou.
Devido aos constantes tiroteios, as escolas da região suspenderam as aulas e ainda permanecem em estado de alerta sem previsão de quando poderão reabrir.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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