Crise. Portugal ajuda irlandeses e gregos com 3,2 mil milhões
Publicado em 29 de Novembro de 2010
União Europeia vai dar 45 mil milhões de euros e, destes, Portugal terá de dar 1,2 mil milhões. Irlanda ganha um ano para combater o défice
Entre os apoios concedidos à Grécia e agora o pacote de ajuda à Irlanda, Portugal está responsável por atribuir 3,2 mil milhões de euros em apoios a estes países - dois mil milhões para a Grécia e cerca de 1,2 mil milhões para a Irlanda.
As contas são feitas tendo por base o peso de cada país no Banco Central Europeu, sem contar com os países ajudados. Assim, e sem Grécia e Irlanda, Portugal passa de uma fatia de 1,75% do BCE para perto de 3%, sendo essa a sua quota nas ajudas. Ontem, os ministros das Finanças europeus, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo irlandês acordaram um plano de 85 mil milhões de apoio ao tigre celta à taxa de 5,83% - o apoio à Grécia custou 5,2% ao país. Deste bolo, 17,5 mil milhões virão dos cofres irlandeses - recursos do Tesouro e do Fundo Nacional de Reserva de Pensões -, 22,5 mil milhões do FMI e os restantes 45 mil milhões de fundos europeus.
Como parte do dinheiro europeu - 4,8 mil milhões - virá de ajudas directas de Reino Unido, Dinamarca e Suécia, a responsabilidade dos fundos europeus fica em 40,2 mil milhões: apesar das ajudas directas, estes países também arcarão com percentagens do apoio europeu. Considerando os 3% de quota de Portugal, cabe-nos dar 1,2 mil milhões.
Banca é a primeira a receber Será mais uma acha para os ataques aos testes de resistência à banca. Uma das decisões tomadas ontem estipula a "entrega imediata" de dez mil milhões ao sector bancário irlandês, para a "recapitalização imediata", isto quando os bancos locais tinham passado de forma tranquila os tais testes. No total, a banca irlandesa vai receber 35 mil milhões. "No final deste processo, deve emergir um sector bancário mais robusto, melhor capitalizado e mais pequeno para apoiar a economia do país", disse Strauss-Kahn, director-geral do FMI.
Os restantes 50 mil milhões de euros vão servir para o governo irlandês "cobrir necessidades orçamentais", tendo recebido ontem um menu detalhado sobre o que fazer nos próximos anos. "Do lado orçamental, há um plano a quatro anos, equilibrado entre despesas e receitas, de modo a garantir a sustentabilidade das contas públicas", disse Strauss-Kahn.
Os irlandeses receberam também a notícia de terem agora até 2015 para reduzir o défice até 3%, mais um ano que o previsto. O alargamento permite gerir com "paciência" a actual dieta, podendo mesmo evitar a recessão que anteriores austeridades provocaram no país. Filipe Paiva Cardoso
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: Crise. Portugal ajuda irlandeses e gregos com 3,2 mil milhões
Actividade em ionline