Presidenciais
Alegre: "Cavaco é o candidato do capital"
Publicado em 29 de Novembro de 2010
Candidato socialista diz que apoio de Belmiro faz sentido. Em França, apelou "a uma mobilidade nacional" contra a vinda do FMI
Isto anda tudo ligado, não há surpresas e muito menos coincidências. Para Manuel Alegre, o apoio de Belmiro de Azevedo à recandidatura de Cavaco Silva a Belém é a prova de que "ele é o candidato do grande capital.
"Cada um tem os seus apoios naturais, não é?", questionou. Alegre tem os seus - "vou ter em breve um almoço com muitos, muitos, muitos sindicalistas e tenho o apoio da gente da esquerda" -, Cavaco terá os dele - "esses apoios e algumas pessoas que estão na estrutura de campanha de Cavaco Silva mostram que ele é realmente o candidato do grande capital".
Num périplo por França, com o objectivo de angariar apoios junta da comunidade portuguesa e dos socialistas franceses, o candidato apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda falou dos amigos capitalistas de Cavaco, dos seus amigos sindicalistas, mas não só. O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi tema central do seu discurso em Léognan, nos arredores de Bordéus.
"A Irlanda afundou-se para salvar a banca. Se a entrada do FMI vai ser uma coisa ultra penosa para a Irlanda, pensemos no que será para Portugal". Manuel Alegre já pensou e antevê um cenário duro para o país. Por isso, e como essa realidade não está afastada, nem com a aprovação do Orçamento do Estado na passada semana, o candidato apelou "a uma mobilização nacional para impedir o recurso ao FMI".
"Temos condições para resolver as coisas por nós próprios, devia haver uma coesão nacional". Um apelo que choca com as declarações de Pedro Passos Coelho, no fim de semana, quando admitiu trabalhar com o FMI. "Lamento as declarações feitas pelo líder do principal partido da oposição, porque isso enfraqueceu essa coesão nacional", disse, citado pela Lusa. No discurso em França, lamentou ainda "que o presidente Sarkozy se tenha colado um pouco à senhora Merkel nesta pressão que está a ser feita sobre os países periféricos" e apelou a "uma reflexão dos socialistas sobre o futuro da Europa".
Belmiro junta esquerda. Antes de Manuel Alegre, já Francisco Lopes e Jerónimo de Sousa haviam comentado a decisão do presidente da Sonae em apoiar Cavaco. Os argumentos usados são semelhantes. Alegre falou do "grande capital", Jerónimo de Sousa referiu-se "aos senhores do dinheiro".
"Cavaco não é, como diz, o candidato para servir os portugueses mas o candidato ao serviço do mercado, ou melhor, ao serviço daqueles que o controlam: os senhores do dinheiro", referiu o líder comunista num comício em Alcácer do Sal, Setúbal. Também para Jerónimo, o apoio faz todo o sentido - no primeiro mandato, Cavaco esteve ao lado da ofensiva contra os trabalhadores.
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