Telegramas diplomáticos

250 mil mensagens: a diplomacia dos EUA exposta pela Wikileaks

por i com agências, Publicado em 28 de Novembro de 2010   
A informação já começou a ser libertada. Saiba aqui o que dizem os diplomatas norte-americanos e o que pede Washington aos seus representantes.
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site da Wikileaks, organização internacional que divulga importantes documentos confidenciais, sofreu um ataque pirata e continua inacessível. O anúncio foi feito pela organização que se preveniu e enviou para 5 jornais os mais de 250 mil telegramas diplomáticos que anunciara divulgar este Domingo ao mundo.

The New York Times, The Guardian, Le Monde, Der Spiegel e El País estão no entanto a divulgar a informação confidencial revelada pela Wikileaks - a organização já tinha previsto este ataque informático e enviou a documentação para estes meios de comunicação social.

 

A administração norte-americana tentou  até à última hora travar a divulgação dos documentos, dizendo que a sua revelação iria colocar muitas vidas em risco, ameaçar operações anti-terroristas e prejudicar as relações dos EUA com os seus aliados.

 

De acordo com o El País "nalgumas ocasiões, as expressões usadas nestes documentos são de natureza tal que podem dinamitar as relações dos Estados Unidos com alguns dos seus principais aliados; noutras, podem pôr-se em risco alguns projetos importantes da sua política externa, como a aproximação à Rússia ou o apoio de determinados governos árabes."

  

Portugal

O lote de 250 mil documentos do Departamento de Estado norte-americano distribuídos pelo «site» Wikileaks a vários jornais incluem 722 que têm como origem a embaixada dos Estados Unidos em Lisboa.


 

ONU e Ban Ki-moon
Numa directiva confidencial, assinada por Hillary Clinton em Julho de 2009, e enviada para diplomatas norte-americanos, pede-se que sejam recolhidas informações técnicas sobre o sistema de comunicações usados pelas tropas das Nações Unidas, incluindo passwords e as chaves dos documentos encriptados.
Do secretário-geral da ONU, dos principais oficiais da organização e até dos representantes dos membros do Conselho Permanente pede-se que sejam recolhidos dados biométricos (ADN, impressões digitais e o scan da íris), números dos cartões de crédito, contactos e os dados biográficos. No caso de Ban Ki-moon e dos responsáveis de algumas agências da ONU são pedidos dados sobre a sua personalidade, eficácia, estilo de gestão e grau de influência. A directiva da secretária de Estado norte-americana foi enviada para 33 embaixadas e consulados norte-americanos e parece ter envolvido toda a rede dos serviços secretos dos Estados Unidos para além da CIA e do FBI.


Palestina e Israel
As missões diplomáticas em Israel, Jordânia, Síria, Arábia Saudita e Egipto receberam instruções para reunir informação biométrica "dos líderes e representantes-chave da Autoridade Palestiniana (AP) e do Hamas" bem como evidências de compadrio entre as forças de segurança da AP e grupos terroristas.

 

Irão

Os documentos da administração norte-americana relativos ao Irão, divulgados no domingo pelo ‘site’ WikiLeaks, "não têm valor" e têm um objetivo "ofensivo", afirmou hoje o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em conferência de imprensa.

De acordo com os documentos revelados no domingo pelo ‘site’, vários países árabes, incluindo o Egipto, Jordânia, Arábia Saudita e mais estados do Golfo usaram termos como "mal" e "ameaça existencial" para descrever o Irão.

O rei Abdullah da Arábia Saudita terá mesmo apelado "frequentemente aos Estados Unidos para atacarem o Irão para acabar com o programa nuclear do país".

O rei Abdullah pediu repetidamente aos Estados Unidos que ataque o Irão para destruir o programa nuclear. A indicação faz parte de memorandos secretos de várias embaixadas nos países do Médio Oriente. "Ele disse-vos para cortarem a cabeça à serpente", terá dito o embaixador saudita em Washington, segundo o relatório do encontro entre Abdullah e o General Petraeus, em Abril de 2008.

As comunicações diplomáticas dão conta também das preocupações de Israel sobre a existência de uma nova potência nuclear na região. Ehud Barak, ministro israelita da Defesa é citado, em Junho do ano passado, dizendo que "há uma janela de oportunidade de 6 a 18 meses em poderá ser viável travar a aquisição de armas nucleares pelo Irão," período depois do qual "qualquer solução militar poderia resultar em danos colaterais inaceitáveis."

Líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egipto referem-se ao Irão como o "diabo", "uma ameaça real" e "a potência que nos vai levar à guerra."

Israel pode atacar o Irão sem a ajuda dos Estados Unidos, embora sem garantia de sucesso, disse o secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, ao ministro francês da defesa Hervé Morin, em Fevereiro. Questionado por Morin sobre a capacidade de Israel de atingir o Irão sem a ajuda militar norte-americana, Gates respondeu "não saber se teria êxito mas que Israel tinha capacidades para efectuar essa operação."

 

Paquistão
EUA e Grã-Bretanha partilham receios sobre a segurança do programa nuclear paquistanês. Com responsáveis no terreno a alertar para o risco de poder ser desviado material suficiente para que os terroristas construírem uma bomba.

 

Afeganistão

Os documentos apontam suspeitas de corrupção no governo afegão e um dos telegramas diplomáticos dá conta de um incidente que envolveu o vice-presidente Zia Massoud que terá sido apanhado com 52 milhões de dólares numa mala durante uma visita aos Emirados Árabes Unidos.

 

Google
A operação do gigante da internet foi várias vezes atacada na China. Os documentos confidenciais apontam um autor dos ataques pirata: um alto membro do politburo que escreveu o seu nome no motor de busca e encontrou artigos que o criticavam pessoalmente.

 

Putin e Berlusconi
Os Estados Unidos questionam a relação próxima entre os primeiros-ministros das Rússia e de Itália. Há telegramas que dão conta de presentes luxuosos, lucrativos contratos de energia e uma relação pouco clara.

Putin é descrito como "um político de perfil autoritário, cujo estilo pessoal machista lhe permite relacionar-se perfeitamente com Silvio Berlusconi."

Do primeiro-ministro italiano, revelam-se pormenores das suas "festas selvagens" e fica clara "a desconfiança profunda que desperta em Washington".

 

Terrorismo
A correspondência diplomática aponta os sauditas como os principais financiadores de grupos terroristas e detalha um acordo entre os EUA e o Iémen para encobrir o uso de aviões norte-americanos para bombardear alvos da Al-Qaida. Durante uma reunião com o General David Petraeus, o comandante das tropas norte-americanas no Afeganistão,  o presidente iemenita afirma: "Vamos continuar a dizer que as bombas são nossas e não vossas."

China

Washington pediu à China para bloquear entregas de peças de mísseis da Coreia do Norte ao Irão, mostrando-se desiludido pelos poucos esforços feitos nesse sentido por Pequim, segundo documentos revelados pelo Wikileaks e publicados pelo Guardian.

O diário britânico tornou público um texto diplomático de 2007 no qual os Estados Unidos deram à China detalhes sobre uma entrega que devia transitar por Pequim, pedindo à China "uma reação substancial".

Conheça mais revelações da WikiLeaks:

 

A WikiLeaks acusa os diplomatas norte-americanos de desempenharem papel de espiões.

Irão pode ter mísseis da Coreia do Norte.

Austrália apoiará acção judicial dos Estados Unidos contra a WikiLeaks.

Estados Unidos pediram a Pequim para bloquear entregas de mísseis no Irão

Documentos da WikiLeaks incluem 722 telegramas da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa

Israel tentou obter apoio do Egito e do Fatah para ofensiva em Gaza



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