A oposição no Parlamento criticou hoje governo e PSD pela aprovação do "mau" Orçamento do Estado para 2011. E garante que o governo está de saída e já vai tarde".
"Ninguém no governo acredita que este orçamento seja cumprido. Hoje, encerrada a sua discussão, a única dúvida que resta é saber quantos dias o ministro das Finanças ainda responderá por um orçamento que perpetua a crise económica e social do país. O ministro pediu hoje mais seis meses. Mas já se percebeu que todos os ministros estão colados ao telefone à espera da chamada de S. Bento que os dispense. Cada ministro sabe que não tem orçamento, não tem política, não tem futuro. O último a sair apaga a luz, parece ser o estado de espírito no governo estes dias", referiu o deputado do Bloco de Esquerda, João Semedo.
Os bloquistas acusam este Orçamento de ser "um convite ao FMI" porque "destrói a economia". João Semedo recordou ainda as únicas duas propostas do Bloco de Esquerda que foram aprovadas na discussão do Orçamento do estado: a responsabilização dos autarcas perante o Tribunal de Contas e a publicação anual de listas de financiamento a fundações privadas.
O sentimento de fim de festa estendeu-se à bancada democrata-cristã. É preciso "mostrar a todos que valemos a pena, mostrar a todos que este governo pode acabar amanhã (e já vai tarde!), mas o país não acabará", garantiu a deputada do CDS-PP, Assunção Cristas. "O senhor primeiro-ministro já deve ter percebido que a realidade não muda por descrevê-la de cor-de-rosa", acrescentou.
A questão das Parcerias Público-Privadas (PPP) e grandes obras públicas foi mais um vez trazida a plenário com o CDS a acusar PS e PSD de se terem comprometido com uma avaliação mas que, no entanto, "rejeitaram a proposta do CDS que obrigava a parar o TGV, a 2ª travessia e o novo aeroporto".
"Para o senhor primeiro-ministro, a execução orçamental de 2010 é o pior cartão de visita que o governo pode dar a um credor", disse a deputada sobre a necessidade de acalmar os mercados. "A dois meses do fim do ano há mais receita, mas também há mais despesa. O aumento de impostos vai para o sorvedouro da despesa e da dívida, com a conta dos juros a pesar cada vez mais".
"Este orçamento não é só o orçamento do PS e do PSD. É também de Cavaco Silva, do directório da União Europeia, dos banqueiros, dos especuladores eufemisticamente apelidados de 'mercados internacionais'. O que este orçamento não é, é dos portugueses, que vão sofrer com ele, que vão perder empregos, que vão baixar os salários, que vão pagar mais impostos, que vão perder prestações sociais, que vão sofrer uma degradação acentuada das suas já tão difíceis condições de vida", afirmou o deputado do PCP, António Filipe.
A proposta do aumento da taxação das mais-valias que, tal como o i noticiou, foi rejeitada por PS e PSD, uma vez que os sociais-democratas insistiram que assim fosse, foi recordada pelos comunistas: "E nem sequer aprovaram a proposta do PCP para que a taxação das mais-valias em IRS fosse também actualizada em 1,5% tal como as restantes, neste caso, devido à oposição do PSD."
Também a deputada do partido ecologista "Os Verdes", Heloísa Apolónia se insurgiu contra "as manhas de ambos, PS e PSD, para tentar convencer a opinião pública da aprovação deste orçamento." "Até ‘doíam’ de tão ridículas e de tão desmentidas pela realidade", concluiu.
A Irlanda está hoje a negociar com Bruxelas e com o FMI uma ajuda financeira. E "a Alemanha, sabendo da viabilização do nosso Orçamento, pressiona Portugal para recorrer a ajuda externa", apontou a deputada. "A questão é de opção política e foi, neste plenário, sintetizada da forma mais clara possível pela deputada Manuela Ferreira Leite: quem paga é quem manda! - E foi logo elogiada pelo PS, claro", garantiu.




Rating: 0.0
Actividade em ionline