Consumo

Original. A loja que também é galeria

por Diana Garrido, Publicado em 26 de Novembro de 2010   
A ideia é promover artistas e designers portugueses e tem de tudo um pouco, de crachás e sacos, a quadros e fotos
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É uma loja. Não, é uma galeria. É uma loja. Galeria. Loja. Bom, cheguemos a um entendimento: é um pouco de ambos.

Quem manda na Original é Rita Palma Pereira, 31 anos, e Ricardo Sá da Costa, 27, artistas que ao sair da faculdade viram as portas fechar-se para as suas obras. "A ideia é promover, divulgar, expor e vender trabalhos de artistas e designers portugueses. Nós deparámo-nos com algumas dificuldades na altura de mostrar os nossos trabalhos. As portas fecham-se com muita facilidade. Agora podemos ajudar outros que, como nós, só querem uma oportunidade de mostrar os seus trabalhos ", explica Rita.

A Original tem objectos, claro, originais. A loja existe desde 1837 e começou por vender arreios de cavalos, passando de geração em geração até se tornar na loja de móveis Manuel Cordeiro e Sobrinho, lda. Com a crise, veio a vontade de transformar o negócio. Através de amigos em comum, Rita e Ricardo foram contactados pelos proprietários que lhes deram liberdade criativa para fazer o que quisessem. Veio a ideia de promover trabalhos de artistas portugueses e estava encontrado um conceito. "Ligámos a colegas nossos da faculdade, que ligaram a amigos e de repente temos imensa gente a querer expor na loja", conta Rita, que, faz questão de se afastar do rótulo de galeria para "não ferir susceptibilidades".

Aberta desde o dia 4 de Setembro, a Original conta já com 31 artistas colaboradores - nomes como Luísa Martins, Filipa Nuñez, Ricardo Fialho, João Baltazar ou Célia Conceição.

Mas não pense que se trata de uma loja cheia de quadros na parede e já está. Nada disso. A Original tem muito por onde escolher, com preços para todas as bolsas.

A arte é tudo

Quadros, esculturas, instalações, fotografias, aventais e sacos com galos de barcelos modernos, crachás, alfinetes de peito que são dedos em cerâmica (e bananas miniatura, e cabeças de animais miniatura, e borboletas e botões) brincos, anéis, colares, lenços, taças de cerâmica e porta-moedas cassete. Há de tudo, para todos. Os preços podem ir dos três aos 940 euros. Afinal, estamos a falar de arte.

Rita e Ricardo aproveitam para expor os próprios trabalhos: fotografias a preto e branco de Lisboa, tiradas por ele e desenhos feitos por ela.

A procura tem sido tanta, que já recebem pedidos de artistas estrangeiros para expor na loja: "Temos de pensar muito bem nessa hipótese, porque vai contra o conceito da loja que é promover os artistas nacionais. Foi tão rápido que não nos apercebemos do impacto que a loja teve", desabafa Rita.

Outro dos objectivos da dupla é "educar o público". "Queremos que as pessoas não tenham medo de entrar, como por vezes acontece com as galerias de arte, e que vejam toda a espécie de obras", explicam.

Há mesmo quem fique indignado com algumas peças, como um septuagenário que considerou um quadro pintado em cores vivas, retratando uma casa de banho com um soutien caído no chão, "ofensivo". Mas gostos não se discutem.

A Original fica na rua de Belém, mesmo ao lado dos pastéis, o que dá muito jeito caso vá às compras à hora do lanche.



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