Professores contratados e desempregados contestam precariedade

por i com Agência Lusa, Publicado em 24 de Novembro de 2010   
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Cerca de meia centena de professores contratados e desempregados, convocados por SMS e pelas redes sociais, concentraram-se hoje em frente ao Ministério da Educação em Lisboa, em protesto contra a precariedade.

Sofia Barcelos, professora contratada do Ensino Especial, e uma das três organizadoras, explicou à Lusa que o objetivo do protesto, em dia de greve geral é “dar a resposta necessária às políticas deste governo”.

“O Estado português, na pessoa do Ministério da Educação, serve-se dos portugueses contratados para suprimir as necessidades permanentes do sistema. Há professores há muitos anos a contrato, que ganham sempre a mesma coisa e que deviam estar no quadro”, disse.

“A precariedade rouba o nosso futuro, tira o nosso direito à estabilidade, a termos casa e constituir família. Não temos que pagar pela crise para a qual não contribuímos. Vamos ter menos dinheiro ao fim do mês. Há cada vez mais mês e menos dinheiro”, afirmou.

Os organizadores do protesto referem que, em média, por cada 38 professores que saem reformados só entra um professor para o quadro.

A deputada do Bloco de Esquerda, Ana Drago, que se associou ao protesto, afirmou à Lusa que “a educação é um dos setores de serviço público com maior precariedade”.

Este ano, por exemplo, “foram colocados cerca de 17 mil professores para responder às necessidades” das escolas portuguesas, explicou, notando que há docentes “com contratos precários há 18 ou 16 anos”.

“Tinha havido um compromisso do Governo de fazer processo de vinculação em 2011. E depois veio a senhora ministra dizer que devido à austeridade não se podia fazer nada”, disse.

Ana Drago recordou que o BE apresentou uma proposta para vincular 15 mil professores que “teria um impacto orçamental nulo”, bastando “cortar em despesas supérfluas”.

“Fizemos esse desafio ao governo e o governo e bancada socialista chumbaram”, disse.

Referindo-se à greve geral de hoje, e questionada sobre a baixa adesão registada no setor privado, Ana Drago afirmou que muitos trabalhadores não participaram por medo ou por perder salário.

“Há muita gente que tem medo de fazer greve porque está em situação precária e tem medo depois de ser despedido. E o medo é terrível. Isso nota-se em muitos setores do privado. E há salários muito baixos e por isso, isto, tem um impacto enorme”, disse.

“Mas estes professores contratados tiveram coragem. Estão aqui a fazer a greve. Mesmo nos privados tem havido enorme adesão, como a AutoEuropa, que teve aumento salarial e que está solidária com o resto do país”, afirmou.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***



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