Política

Remodelação só depois do OE. Sócrates à procura de um novo MNE

Publicado em 20 de Novembro de 2010   
Luís Amado está de saída do governo e poderá, finalmente, descansar. A substituição do ministro dos Negócios Estrangeiros é vista como inevitável na futura remodelação que deverá ocorrer a seguir ao Orçamento do Estado, mas antes das eleições presidenciais. Teixeira dos Santos fica nas Finanças. A execução orçamental é a prioridade número 1 do governo
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O novo conceito estratégico da NATO é muito mais simples para o actual ministro dos Negócios Estrangeiros do que o seu conceito estratégico para o governo. O homem que ontem anunciou existir "uma posição de grande consenso e abertura quanto à convergência dos aliados" da NATO tem os dias contados no governo Sócrates. Nesta matéria, entre Sócrates e o seu MNE não existe nem "grande consenso" nem "abertura" e muito menos "convergência". E, arrumado o dossier cimeira da NATO, o primeiro-ministro está agora à procura de um novo ministro dos Negócios Estrangeiros para substituir Luís Amado, cuja rota de colisão com o primeiro-ministro é evidente há meses. O nome de Seixas da Costa, diplomata de carreira e ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus, é uma escolha possível.

A remodelação não acontecerá antes da aprovação final do Orçamento do Estado, que está marcada para 26 de Novembro. E Sócrates é aconselhado por vários dirigentes do PS a seguir o exemplo de Jose Luis Zapatero, o primeiro-ministro espanhol que apresentou um governo novo no dia seguinte à aprovação do seu Orçamento do Estado. Depois de 26 de Novembro, mas antes das presidenciais, deverá ser conhecida a composição do novo governo Sócrates.

O "novo conceito estratégico" de Luís Amado para o governo, revelado na entrevista ao "Expresso", pôs o primeiro-ministro à beira de um ataque de nervos. Mas a "guerra fria" entre os dois homens já vem de trás: a somar aos vários desabafos públicos e privados sobre o seu próprio cansaço à frente da pasta - um "estado de alma" que se prolonga desde a primeira legislatura - o ministro dos Negócios Estrangeiros já tinha posto o primeiro-ministro furioso quando defendeu que os limites do défice deveriam ser inscritos na Constituição. Uma proposta política nos antípodas das defendidas por Sócrates que desautorizou publicamente o seu ministro na Assembleia da República. "A resposta é não. Não sou favorável", disse Sócrates em Maio, quando interrogado por Paulo Portas sobre a proposta do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de aproveitar a revisão constitucional para incluir uma norma-travão para o défice.

"Uma limitação constitucional altera e põe em causa aquilo que é um dever do Estado: responder, baseado na boa doutrina do Estado, a situações excepcionais. Oponho-me a esse princípio constitucional", afirmou, em Maio, José Sócrates, insistindo na "obrigação moral" do Estado de intervir em alturas de crise.

A possível fusão e redução de ministérios - também à semelhança do que fez Zapatero em Espanha - também poderá marcar a próxima remodelação. A mudança de Augusto Santos Silva - com o seu talento para "malhar" na direita desperdiçado na Defesa - para uma pasta mais política é uma possibilidade desejada dentro do PS. Irremodelável, irremodelável é o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. A execução orçamental é a grande prioridade do governo e Sócrates não vai deixar cair o seu ministro das Finanças, com quem tem uma excelente relação pessoal - pese as divergências, aliás várias vezes públicas.



Independentes em baixa A possibilidade de remodelação pesa sobre dois ministérios onde Sócrates colocou independentes, as Obras Públicas e a Educação. Mas também Ana Jorge, a ministra da Saúde, tem o lugar em risco. Pelo contrário, Vieira da Silva, o ministro da Economia várias vezes acusado de estar desconfortável no lugar, também faz parte - com Teixeira dos Santos, Pedro Silva Pereira e Augusto Santos Silva - do pacote dos "irremodeláveis". Ainda que, neste momento, já esteja mais ausente do núcleo duro do governo - onde Teixeira dos Santos assumiu os comandos -, a sua presença é, pelo menos, um "conforto" para a ala esquerda.

Ontem, a entrevista de Augusto Santos Silva ao DN e à TSF foi lida no PS como a confirmação, vinda de um elemento do núcleo duro do executivo, da iminente remodelação do governo. "Devo dizer que não conheço nenhum governo que tenha chegado ao fim do mandato com a mesmíssima composição com que iniciou. O refrescamento do governo é um dos poderes que um primeiro-ministro tem ao seu dispor", afirmou Santos Silva. Depois de 26 de Novembro, data da aprovação final do Orçamento do Estado, o "refrescamento" será inevitável.

O "novo conceito estratégico" de Luís Amado para o governo deixou Sócrates em fúria

Teixeira dos Santos é irremodelável.

A execução orçamental está nas suas mãos

A possibilidade de reduzir ou fundir ministérios, como fez Zapatero, poderá acontecer



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