Só para lésbicas: pacote oferece hotel, massagem, casamento e filhos

Publicado em 16 de Junho de 2009   
É uma oferta turística especial: a viagem a Espanha inclui casamento e inseminação artificial
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Uma clínica de fertilidade espanhola em parceria com uma agência de viagens especializada em turismo para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgéneros (LGBT) apresentaram, na sexta-feira, um pacote turístico completo para lésbicas. O pacote inclui hotel de cinco estrelas, um circuito de bem-estar e a possibilidade de regressar grávida.

"Há cinco anos que notamos um crescimento de casais lésbicos a consultar-nos. Quisemos facilitar a estadia e as viagens e, por isso, procurámos esta agência especializada", diz Rafael Bernabeu, fundador do Instituto Bernabeu - que tem clínicas de fertilidade em Alicante, Elche, Cartagena e Benidorm (Espanha). O objectivo é "facilitar a informação e o conhecimento" dos tratamentos personalizados de fertilização que a clínica oferece, "sempre com um tratamento gays friendly" baseado na "qualidade" e no "anonimato".

Enquanto se procede ao tratamento de fertilidade, as pacientes podem desfrutar da estadia com vista para o mar Mediterrâneo. O hotel é de cinco estrelas, sempre à beira-mar, e incluí um circuito de beleza e relaxamento: sauna, massagem corporal, tratamento facial, tudo para acalmar os nervos antes da inseminação.

María José Rico, sócia da Rainbow Tourism, revela que o pacote de turismo depende do tipo de tratamento: "O normal são sete dias de alojamento com pequeno-almoço incluído, em quarto duplo, num hotel de cinco estrelas. As pacientes passam um ou dois dias na clínica e o resto são férias. "Muitas pacientes vinham cá nas férias de Verão ou no Natal e, agora, já têm a logística facilitada", afirma Rafael Bernabeu.

A estadia de uma semana no Hotel Sivi San Joan, em Alicante - unidade com que a agência iniciou o pacote de lançamento - custa 600 euros por pessoa. Os tratamentos de fertilidade variam entre mil e 7500 euros. O mais barato consiste na inseminação com sémen do doador. Os mais caros requerem doação de óvulos e inseminação in vitro.

Desde 2004 que a clínica Bernabeu trabalha com pessoas de outros países. Rafael Bernabeu conta que, nos últimos dois anos, a clínica recebeu mais de 150 casais de lésbicas. Hoje, cerca de 40% dos pacientes são estrangeiros. As britânicas são as clientes europeias mais frequentes. Bernabeu explica: "Existem 25 voos diários entre Alicante e o Reino Unido". Mas também vêm pacientes de sítios tão distantes como o Dubai ou os EUA. De Portugal, diz o médico , "há uns tempos que não vêm: tivemos uns cinco ou seis casais, mas eram heterossexuais".

"Queremos atrair o maior número de lésbicas de outros países", afirma María José Rico. Em Espanha, a lei de procriação medicamente assistida está em vigor desde 1988 e prevê que qualquer mulher em condições físicas e psíquicas possa aceder a um tratamento de infertilidade, independentemente da sua orientação sexual ou estado civil.

Em Portugal, a lei de 2006 especifica que "só pessoas casadas sendo de sexo diferente", ou que vivam "há pelo menos dois anos" em união de facto, podem recorrer à procriação medicamente assistida. Um facto que, segundo Paulo Côrte-Real, da ILGA-Portugal, é "inconstitucional". "Logo em 2006 enviámos uma mensagem ao Presidente da República mas ainda não obtivemos resposta."

Para a Rainbow Tourism são estes os turistas ideais. "Queremos captar pessoas que, pela legislação dos seus países, não possam recorrer a técnicas de fertilização", afirma Rico.

"Complementamo-nos: a clínica quer mais pacientes e nós queremos mais turistas. Sabemos que é uma realidade, que há lésbicas que querem ser mães. Agora é uma questão de tempo."

Fabíola Cardoso, do Clube Safo, associação de defesa dos direitos das lésbicas, não tem dúvidas em dizer que esta é "uma oferta comercial bastante interessante". "É uma situação que se está a colocar em Portugal. Quase diariamente recebo e- -mails de pessoas com dúvidas sobre inseminação artificial. Só hoje vou responder a três casais." A possibilidade de as lésbicas recorrerem a tratamentos de fertilidade é, para Fabíola Cardoso, um "sinal de modernidade e democracia". A ex-dirigente da Safo avisa que, com o debate sobre a questão do casamento civil homossexual marcado para a próxima legislatura, será "completamente impossível fugir às questões dos filhos."

Em Espanha, o casamento entre homossexuais é permitido desde 2005 e a Rainbow Tourism oferece pacotes que incluem o casamento: uma cerimónia íntima num iate ou à beira-mar.

 

 



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