O destino do governo de centro-direita de Berlusconi, enfraquecido pela rutura com o seu ex-aliado Gianfranco Fini, que levou à demissão de quatro membros do governo, será decidido a 14 de dezembro, no parlamento italiano.
Serão votadas duas moções em simultâneo: uma de confiança no governo de Berlusconi, no Senado, e outra de censura, na Câmara dos Deputados, anunciaram os presidentes das duas câmaras, à saída de um encontro com o presidente, Giorgio Napolitano, noticia a imprensa local.
O calendário foi fixado, tendo em conta que o orçamento de 2011 deverá ser adotado no mais tardar a 10 de dezembro. Desta forma, a partir de 13 de dezembro, o presidente do conselho vai apresentar-se sucessivamente nas duas câmaras para falar sobre a crise política em que o país caiu depois da rutura com Fini.
Na mesma tarde, a moção de censura será apresentada pelos dois partidos da oposição (Partido Democrata e Itália de Valores) e será debatida na Câmara dos Deputados.
A votação das duas moções terá lugar no dia seguinte, decidiram o presidente da Câmara dos Deputados, o próprio Gianfranco Fini, e o do Senado, Renato Schifani, um seguidor de Berlusconi.
O magnata das comunicações e primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, dispõe de uma maioria mais sólida na câmara alta (Senado) do que na baixa, onde depende dos votos de Fini, que rompeu com Berlusconi a 29 de julho, considerando-se expulso do partido Povo da Liberdade, que tinham criado juntos um ano antes.
Na sua dissidência, foi seguido por 40 deputados e 10 senadores e começou a criar com eles um novo partido de centro-direita, Futuro e Liberdade para Itália (FLI).
Se o governo italiano cair, estão previstos vários cenários pela Constituição: a formação de um novo governo, apoiado por uma nova maioria parlamentar, um governo de transição com um programa limitado (incluindo, por exemplo, a reforma da lei eleitoral) ou a dissolução do parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas.
Para Luigi Bersani, presidente do Partido Democrata, a principal força da oposição, voltar às urnas com a atual lei eleitoral, que atribui uma vantagem de maioria à coligação vitoriosa na Câmara dos Deputados, seria "uma perda de tempo", pelo que, defende, "é preciso um governo de transição".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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