Como viajar para o estrangeiro sem pagar hotel

por David Almas, Publicado em 15 de Junho de 2009   
As redes de troca de casas permitem conhecer o mundo sem gastar muito dinheiro. As férias ficam ao preço dos transportes e da alimentação
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"Condomínio de luxo no Oceano Pacífico, México, segurança 24 horas, piscina de um milhão de dólares, campo de ténis sobre o mar aberto (tartarugas, baleias, golfinhos)." A casa fica a 20 minutos do Aeroporto de Manzanillo e o casal de canadianos seu proprietário está disposto a trocá-la, temporariamente, por uma casa em Portugal. "Procuramos vinho e boa comida", explicam no sítio HomeExchange.com, cuja versão portuguesa está em TrocaCasa.com. O casal apenas exige uma cama confortável.

A troca de casa durante as férias é uma estratégia inteligente para poupar dinheiro. E a crise financeira mundial só veio ajudar ao aumento já natural do número de pessoas que adere a este modelo. A HomeExchange.com aumentou de 3000 para 26.000 os membros da rede, em cerca de nove anos, conta António Batista, administrador do TrocaCasa.com. Todos os anos, celebram-se 250.000 trocas. Por isso, se receia ir para o México, tem muito por onde escolher: Amesterdão, Bahia, Montevideu, Paris, Reiquiavique e São Petersburgo são só algumas das propostas de troca com Portugal.

"Os mais interessados vêm da Europa Central e do Norte", explica Ana Neto, a responsável pela versão portuguesa do sítio Intervac.com, outra rede de troca de casas que, no último ano, operou 40.000 permutas. "Vêm à procura do sol, o que até satisfaz o desejo dos portugueses, que muitas vezes querem fazer férias de cidade ou de neve. Além disso, os voos de Portugal para essas regiões são baratos e directos, o que está de acordo com a filosofia de poupar dinheiro."

As redes de troca de casa são pagas e supervisionadas. A anuidade do TrocaCasa.com, que já tem cerca de uma centena de ofertas nacionais (muitas de estrangeiros que têm casa de férias em Portugal) começa nos 79 euros. Para participar na Intervac, o preço anual é de 70 euros. Depois de pagarem a comissão, os membros podem realizar as trocas que quiserem nos 12 meses seguintes. Embora a Intervac tenha 40 membros portugueses, o número de trocas envolvendo nacionais foi de 75 no último ano, o que dá quase duas trocas anuais por membro.

Processo simples e seguro Qualquer que seja o site de troca de casa que escolha, o processo é muito semelhante. Após o registo e o pagamento da anuidade, há que preencher uma ficha online, em que se descreve pormenorizadamente a casa que tem para câmbio, as regiões que pretende visitar e a dimensão da sua família ou grupo de viagem. Depois, é só esperar o contacto de outro membro cujos desejos sejam o espelho dos seus, ou procurar na comunidade a oferta que mais se aproxime do que deseja.

Assim que um membro encontra uma casa que lhe enche as medidas, pode enviar uma proposta de troca. Se o sentimento for recíproco, negoceiam-se as condições - como datas das viagens, uso de equipamento ou quem limpa a casa no final. Havendo sintonia completa, escreve-se um acordo, cujas linhas gerais já estão traçadas pelos administradores das redes.

Em metade dos casos, o acordo também envolve a troca de carros - embora não seja obrigatório. Quando há troca de carro, "o valor económico [do acordo] está entre 500 e 2000 dólares (ou mais) por semana", o equivalente a 350 a 1400 euros por semana, diz John Mensinger, autor de "The Home Exchange Guru: Guide to Trading Your Home". António Batista, da TrocaCasa.com, estima que poupou "uns largos milhares de euros" na sua última troca, quando passou 28 dias no Canadá - e ainda beneficiou do euro forte. "Gastei menos de metade do valor que gastaria em alimentação e combustível se permanecesse em casa, dada a diferença do valor do euro face ao dólar canadiano."

Como os visitantes da sua casa têm de a tratar como se fosse deles, o risco é mínimo. "Após 17 anos e milhares de trocas realizadas, nunca tivemos conhecimento de roubos, vandalismo ou algum caso de alguém chegar à suposta casa e encontrar um lote vazio", lê-se no sítio TrocaCasa.com. Ana Neto, da Intervac.com, confirma a segurança das trocas de casa e adianta que os visitantes são os primeiros a preocuparem-se em repor o que se destrói por acidente. "Numa das minhas trocas, partiram-me um copo e substituíram-mo por seis novos. Ainda fiquei a ganhar!", recorda.

Uma questão de equilíbrio Embora os utilizadores dos serviços de troca de casas sejam maioritariamente de classe média e média alta, por norma famílias de três ou quatro pessoas ou casais de reformados, há membros que saem do padrão. A maioria não tem dificuldade em encontrar o reflexo da sua família e da sua casa noutra parte do mundo (um casal com dois filhos, por exemplo, tem um T4), mas os casos que saem da norma têm de se orientar pela lei da oferta e da procura que rege este mercado.

Na sua primeira experiência, Ana Neto, a responsável pela Intervac de Portugal e do Brasil, teve a lei da oferta e da procura do seu lado. "Trocámos a nossa casa no Funchal por uma penthouse em Nova Iorque com vista sobre Central Park", conta. "Para compensar, só pudemos dar o nosso carro."

Além da vantagem económica, a troca de casa permite experiências únicas. "Uma grande vantagem da troca de casa é que as famílias com as quais se faz a troca são especialistas da região", lê-se no livro publicado por John Mensinger. Por isso mesmo, quando os membros deste tipo de redes chegam à casa que visitam, é normal terem uma carta de recepção que inclui sugestões e guias de restaurantes e de passeios. Até se poupa no tradicional guia de viagem.


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