A vida é muito mais que desporto, está escrito no enunciado do blogue e vai sendo tempo de fazer justiça ao que aqui um dia me trouxe.
Mas a vida é pouco mais que livros. Muito pouco. Sobretudo se tratarmos de um livro como este, que além (ou apesar!) de ser escrito por um amigo é muito bom de ler, reler e reflectir.
Os futebóis estão a banhos - entram agora em campo os advogados, os solicitadores, os agentes, os dirigentes, os donos das carteiras mais recheadas, as fotografias dos jogadores em férias com amigos e amigas mais ou menos sociáveis, consoante a sorte e a vontade de se exibirem.
Jorge Jesus nunca mais é oficializado no Benfica – vê-se como tudo foi mal preparado, nada de novo.
Cissokho, em seis meses, pulou do Setúbal para o Milan – o Porto viu antes dos outros, nada de novo.
No Sporting pouco ou nada acontece – não há dinheiro, nada de novo.
A busca do novo no mundo do desporto, e do futebol em particular, é o ganha-pão do Miguel Cardoso Pereira, jornalista de “A Bola” desde os tempos em que só precisava de fazer a barba uma vez por semana. Agora até precisava mais vezes, mas só faz quando tem de ser. Há coisas mais importantes nos dias.
O jornalismo, para ele, é o ganha-pão mas não só: é um trabalho que abraça com entusiasmo, seriedade, rigor, qualidade e paixão. Porque o jornalismo, desculpem, há-de ser sempre paixão, pleno de todos os extremos com que a paixão nos tortura.
Abraça a causa, o Miguel, sobretudo com talento. Pode fazer-se muito floreado sem ele (dá e sobra para viver, está provado por aí aos magotes), mas há coisas que só com talento se alcançam. A escrita do Miguel é uma delas. E por isso era preciso algo mais. Ele sabia-o, nós sabíamo-lo, os milhares que o lêem em ”A Bola” calculavam.
Quando, daqui a uns muitos anos, recordar a apresentação do primeiro livro, este sábado, em Lisboa, o Miguel há-de sorrir e pensar para ele, ou partilhando o pensamento com quem tiver ao lado nessa hora, quem sabe se em frente a uns caracóis e cheio de netos à volta: “Corri Seca e Meca para publicar o ‘Amor dos Babuínos’, agora correm atrás de mim e eu sem querer publicar à velocidade que eles gostavam. Eles que esperem. Mais uma imperial, por favor!”
O Miguel Cardoso Pereira é meu amigo. Claro que é meu amigo. A partir do momento em que nos cruzámos era impossível não sê-lo. Era impossível, pelo menos, eu não querer ser amigo dele. Tentei e consegui.
Escreveu um belo livro, que aconselho para lá das fronteiras da nossa amizade, com toda a parcialidade de que óbvia e felizmente me invisto ao falar do “Amor dos Babuínos”.
É um livro difícil. Não esperem daqui a trivialidade da escrita a metro que vende por aí como ginjas. Quem ler, vai ter de pensar e sentir. Pensar e sentir é uma maravilha, não é? Mesmo ao domingo.
Mais informações em http://www.temas-originais.pt/index.htm




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