O candidato presidencial, Manuel Alegre, afirmou hoje, no Funchal, não existir qualquer “novidade” na “recandidatura de direita” de Cavaco Silva.
As declarações de Manuel Alegre foram proferidas ainda antes de Cavaco Silva anunciar formalmente a sua recandidatura à Presidência da República. Alegre remeteu para quarta-feira uma reação ao anúncio do atual chefe de Estado.
”Venho inaugurar a sede no dia em que o Presidente da República vai fazer uma declaração, suponho que para anunciar a sua recandidatura”, disse, considerando ser “uma recandidatura anunciada há muito pelo próprio Presidente e pela forma como tem havido uma confusão entre o exercício das funções presidenciais e a campanha eleitoral”.
Para Manuel Alegre, o Presidente da República “anda em campanha eleitoral há muito tempo” e a partir de hoje “passará a ser um candidato igual aos outros em termos legais”.
Alegre destacou que a principal diferença com a disputa de há cinco anos é contar agora com o apoio do seu partido (PS).
Disse que “Cavaco Silva será o candidato da direita, do PSD e CDS, apoiado não só pela direita politica como pela económica, o grande capital”, sendo a sua a da “esquerda democrática”.
O candidato apoiado por PS e BE argumentou que Cavaco Silva ser o atual Presidente da República pode ser uma vantagem na corrida a Belém, mas poderá constituir também uma “desvantagem porque há cinco anos criou a ilusão nos portugueses que pelo facto de ser economista ira resolver todo os problemas do país” e Portugal enfrenta “a maior crise económica e financeira desde o 25 abril”.
Criticou Cavaco Silva por ter “errado na interpretação das funções presidenciais”, defendendo que a “função do Presidente é também inspirar os portugueses através da palavra e não através dos silêncios”.
“Precisamos na Presidência de alguém que tenha uma outra visão do mundo, de Portugal, outra atitude, um espírito mais aberto, uma visão mais humanista, mais solidária, mais politica e menos economicista”, sublinhou.
Manuel Alegre frisou também que nas eleições de 23 de janeiro está em causa não apenas a escolha da personalidade que vai ocupar o cargo, mas “o modelo político de sociedade, pois assiste-se a um projeto de destruição do estado social, um projeto estratégico da direita para destruir a democracia como está consagrada na Constituição para ajustar contas com o 25 abril”.
Criticou ainda a postura do atual Presidente da República por ter ouvido os banqueiros, considerando que esta tentativa de mediação é “uma falta de pudor”, pois usurparam um papel que pertencia às forças com legitimidade democrática.
Garantiu aos madeirenses que “não haverá complacência em relação à violação das regras democráticas, nem no continente nem nas regiões autónomas”.
“Haverá respeito pela liberdade e pela democracia”, afirmou, defendendo o debate nos parlamentos, o direito das oposições, a liberdade de expressão e pluralismo político e ideológico nos jornais.
Prometeu que “quando vier à Madeira irá receber os partidos políticos na Assembleia Legislativa” da região.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico***




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