OE. Negociações entre PSD e governo ainda não começaram

por Sónia Cerdeira, Publicado em 26 de Outubro de 2010   
PSD apresentou documento "crucial" para chegar a um acordo e governo fez uma contra-proposta. Mas ainda não foi ontem que chegaram ao consenso desejado
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O governo e o PSD marcaram a quarta ronda negocial - para a viabilização do Orçamento do Estado para 2011 -ainda não começou. A reunião estava marcada para as 12 horas, mas acabou por ser adiada.

 

Recorde-se que, o entendimento entre as duas partes está por horas. Ontem e durante mais de três horas, governo e PSD permaneceram fechados na sala da Assembleia da República onde as negociações de quem cede o quê decorreram nos últimos dias. Os trabalhos retomam no final desta manhã.

A terceira ronda negocial que tinha hora marcada para ontem às 10h00 foi adiada para as 11h00. Mas governo e PSD só se reuniram já perto do meio-dia, uma vez que os sociais-democratas estiveram a preparar um documento considerado "crucial" para a possibilidade de um acordo em torno da viabilização do Orçamento do Estado para 2011. O documento foi elaborado pelo vice-presidente social-democrata, Manuel Rodrigues, e Carlos Moedas, membro do gabinete de Estudos do partido.

Os trabalhos pararam às 13h00 e estiveram para ser retomados às 17h00. Foram adiados para as 18h00 mas só às 19h20 é que governo e PSD entraram para a sala das negociações. O primeiro atraso foi justificado por fonte oficial com motivos de agenda. O governo também apresentou uma contraproposta, tendo sido este o motivo do segundo atraso. Tanto a proposta do PSD como a proposta do governo estão fechadas a sete chaves entre a equipa negocial.

Por volta das 22h00 os trabalhos foram interrompidos sem fumo branco nem declarações. Um acordo que, ressalvou o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, no domingo, não pode "comprometer as metas orçamentais", leia-se o défice de 4,3% para o próximo ano.

A pressão para que um acordo seja fechado o mais rápido possível é cada vez mais forte. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, relembrou que é "muito importante para o respeito e a imagem do país em termos internacionais" chegar a um consenso que, espera o ministro, seja concluído "rapidamente". Já Marcelo Rebelo de Sousa está "praticamente seguro" de que as negociações vão chegar a bom porto mas deixa um alerta: "As cedências têm de ser recíprocas. O PSD cede numas coisas, o PS tem de ceder noutras. Não há convergência se um fica parado e o outro tem de andar o caminho completo na sua direcção."

Para o conselheiro de Estado, é "desejável" que o acordo seja "rápido", argumentando que "Portugal precisa de emitir mais 1750 milhões de dívida rapidamente". "E quanto mais rápido for o processo de negociação do Orçamento mais fácil é emitir essa dívida", argumentou.

Mas um acordo entre os dois partidos do "centrão" para o Orçamento não agrada a todos. O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, garante que este entendimento virá "trazer recessão à economia e mais impostos para os trabalhadores, as classes médias e as PME".

No domingo, Eduardo Catroga, homem da confiança de Cavaco Silva e que está à frente da equipa negocial "laranja", garantia que PSD e governo estavam "imbuídos do mesmo espírito" para um entendimento. Trabalham agora a contra-relógio para que esteja tudo ultimado antes das 20h00 de hoje, altura em que Cavaco Silva apresenta a sua recandidatura à Presidência da República, no Centro Cultural de Belém.



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