"O portunhol e o franciú que os portugueses falam desvalorizam anos de história da nossa língua"

por Marta Cerqueira, Publicado em 25 de Outubro de 2010   
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“O valor da língua portuguesa nas relações internacionais é 17% do PIB nacional”, relembrou hoje Manuel Maria Carrilho, durante o Encontro Internacional "Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas num Universo Globalizado", uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian.
Para o antigo ministro da cultura, a adopção da língua portuguesa por outros países “deu outra responsabilidade e outro prestígio”, acrescentando que u”ma comunidade só o é se for ela própria comunicação entre si, com a língua como pedra angular de qualquer comunidade, a sua maior justificação intrínseca e histórica”.
Manuel Maria Carrilho apresenta algus daqueles que considera serem os maiores desafios na área: a valorização do livro e da leitura, a criação de uma universidade da Comunidade dos países de língua Portuguesa (CPLP) e de centros de língua porta aberta, além da criação de um fórum permanente onde as questões linguísticas pudessem ser discutidas. O audiovisual e multimédia são também uma aposta para o socialista: “os novos países emergentes emergem através da sua cultura e informação”, dando como exemplo o monopólio da televisão brasileira, ou o exemplo do canal al Jazeera que se está agora a expandir na Índia. “Tudo isto nos deve dar um esforço suplementar de inovação”, explicou.
Carrilho recorreu  a alguns exemplos para caracterizar o protótipo do comportamento português noutros países. “O portunhol, o franciú, o bad english que os portugueses teimam em tentar falar desvalorizam anos e anos de história da nossa língua”, acrescentou.
Em conclusão, Carrilho lembrou que a globalização do século XXI não é só politica e económica. “O terceiro pilar, o cultural, é fundamental”, disse.


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