Orçamento. Acordo governo-PSD pode ser fechado já hoje
por Sónia Cerdeira e Ana Sá Lopes, Publicado em 25 de Outubro de 2010
Teixeira dos Santos ressalva que entendimento não pode comprometer "metas orçamentais"
Governo e PSD estão "imbuídos do mesmo espírito" para chegar o mais depressa possível a um entendimento para a viabilização do Orçamento do Estado. O i sabe que há possibilidades reais de que o acordo entre o governo e o PSD seja fechado ainda hoje, ou pelo menos antes das 18h00 de terça--feira, altura em que Cavaco Silva anuncia a sua recandidatura a Belém. Um acordo que, diz Teixeira dos Santos, não pode comprometer as "metas orçamentais".
Os partidos estão a contra-relógio para chegar a um acordo e esse desejo reflecte-se na agenda: marcam apenas uma reunião de cada vez e não uma maratona negocial de vários dias. "Espero que [a negociação] termine já no início desta semana", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI. Para o comentador, a marcação da data para apresentar a recandidatura de Cavaco Silva "não foi ocasional": "Quando decidiu o dia 26, já tinha sinais suficientes de uma forte probabilidade de se chegar a um entendimento."
"Continuamos imbuídos do mesmo espírito de tentar um acordo nas bases que referi ontem [sábado]", afirmou Eduardo Catroga, após três horas de negociação com o governo. O PSD pretende atenuar os "efeitos gravosos" para as empresas e as famílias. "Continuamos a trabalhar num processo construtivo, num processo que é difícil", sublinhou o ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva. O actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, referiu que o governo continua "com o mesmo espírito, empenhado para chegar a um entendimento que não comprometa os objectivos orçamentais", ou seja o défice de 4,3%.
O anúncio da recandidatura de Cavaco Silva "facilita o entendimento" entre governo e PSD, afirma Marcelo Rebelo de Sousa. Não é só o Presidente que considera imperativo haver um entendimento, mas também o candidato do PSD, o homem que tem a probabilidade de ser a primeira vitória eleitoral desta nova direcção e aquele que poderá lidar com o PSD durante mais cinco anos, explica Marcelo.
As recentes declarações de Passos Coelho são vistas como uma "forma inteligente de suavizar o discurso" e de assim "abrir a porta para a abstenção", refere o professor. Uma moderação no discurso acompanhada, segundo Marcelo, do lado do governo, por Teixeira dos Santos, que deu à RTP a "entrevista mais suave da vida dele. Foi só violinos". Mesmo o facto de o líder do PSD ter escolhido Catroga, "homem da confiança de Cavaco", para estar à frente das negociações é um passo no caminho do acordo. Até porque Catroga já tinha dito que queria a abstenção e "vai fazer tudo" para que isso aconteça. Também o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, sempre mais moderado no discurso, expressou ontem a sua esperança num "entendimento" para viabilizar o Orçamento.
Passos Coelho já disse que "não aceita votar de olhos fechados". As duas partes estão ansiosas para chegar a bom porto, apesar de ainda haver dificuldades na negociação - nomeadamente no corte da despesa -, que continua esta manhã às 10h. Sónia Cerdeira, com Ana Sá Lopes
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