O Presidente venezuelano, Hugo Chavez, disse hoje que veio a Portugal reforçar a cooperação entre os dois países, mas também para dar "as duas mãos" a José Sócrates, num momento difícil para o país.
"Estou muito contente por estar em Portugal. Estamos à procura de oportunidades em todo o mundo e viemos aqui a pedido do meu amigo José Sócrates, um bom homem. Num momento difícil para Portugal, viemos dar-lhe as duas mãos", afirmou Chavez à chegada ao Porto.
O Presidente venezuelano acredita que Portugal e a Venezuela têm de se ajudar mutuamente num momento de crise mundial: "Não temos mais remédio que nos unirmos para enfrentarmos um século que começou com um grande peso sobre os povos, o peso do modelo capitalista".
Realçando que ainda há muito a fazer até que a nação que representa seja o país com que os venezuelanos sonham, Chavez referiu que a visita a Portugal servirá para reforçar os laços de amizade e os negócios que unem os dois países.
O chefe de Estado adiantou que vai procurar reforçar a cooperação com Portugal, garantindo que "a Venezuela vai enviar mais petróleo" e reafirmou o seu propósito de criar uma Marinha.
"Até agora, não tínhamos nem um barco de papel", referiu.
O avião presidencial chegou às 11:00, com uma comitiva de nove ministros venezuelanos, foi recebido pelo secretário de Estado do Comércio e da Defesa do Consumidor e pelo embaixador da Venezuela.
A visita do Presidente da Venezuela a Portugal culminará com a assinatura de acordos nas áreas da construção naval e do fornecimento de 1,5 milhões de computadores Magalhães.
Portugal recuperará também um anterior compromisso para que o Grupo Lena construa na Venezuela 2500 vivendas pré-fabricadas (negócio de 950 milhões de dólares) e um acordo na área das energias renováveis.
Na área da construção naval, a Venezuela assinará um conjunto de acordos com os ENVC, sendo um dos mais emblemáticos o da adaptação do ferry "Atlântida" para o transporte de passageiros e viaturas - uma encomenda avaliada em 35 milhões de euros.
Ainda na área da construção naval, dar-se-á início ao processo de construção de um segundo ferry de transporte, o "Anticiclone".
Os ENVC vão também receber da Venezuela a encomenda para a construção de dois navios asfalteiros, no valor de 130 milhões de euros.
Está previsto o chefe de Estado da Venezuela deslocar-se à fábrica dos computadores Magalhães, da JP Só Couto, em Matosinhos.
Neste domínio, estão em execução dois contratos para o fornecimento de 850 mil computadores à Venezuela.
Na sequência desta visita de Hugo Chávez a Portugal, deverá ser assinado um terceiro contrato para o fornecimento de 1,5 milhões de computadores nos próximos três anos.
Segundo fonte diplomática, os 1,5 milhões de computadores deverão ser entregues na Venezuela à média de 500 mil por ano.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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