Última obra de Saldanha Sanches é hoje apresentada numa homenagem ao fiscalista

por i com Agência Lusa, Publicado em 21 de Outubro de 2010   
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Fiscalista, incansável na luta contra a corrupção e um homem que “não se levava demasiado a sério”, são apenas algumas das marcadas deixadas por José Luís Saldanha Sanches, cujo livro que terminou dias antes de morrer, será hoje apresentado.

Justiça Fiscal” foi o tema escolhido por Saldanha Sanches naquela que foi a sua última obra publicada, já após o seu falecimento, para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que promove hoje uma sessão de homenagem e de apresentação desta obra, na Universidade Católica, em Lisboa.

António Barreto, presidente da Fundação, explicou que o convite foi endereçado por si e por António Araújo em novembro ao fiscalista, que no início deste ano lhes comunicou que estava com “um problemazito” que o poderia atrasar.

“Algures em março ou abril ele enviou-me um 'e-mail' e ao António Araújo, porque tinha havido um problemazito, que estava um bocadinho atrasado. Ele, que era muito cumpridor com os prazos, queria entregar em abril ou maio, mas estava atrasado e nos últimos parágrafos percebia-se pura e simplesmente que estava com um cancro, e que estava a fazer quimioterapia”, disse António Barreto.

Apesar da doença, o fiscalista terá sempre mantido a vontade de acabar o livro, o mais dentro dos prazos possível, acabando mesmo por terminar o livro nos últimos dias da sua vida, já no hospital.

“As coisas não estavam a correr bem até que soubemos que ele estava no hospital a escrever os últimos parágrafos, as ultimas páginas do livro. O João Taborda Gama (professor da Universidade Católica e assistente de Saldanha Sanches durante muitos anos) ia para lá durante as tardes com o computador, com os blocos, para tomar notas, enquanto ele lhe dava as coisas, lia, relia, mas no final já não conseguia sequer escrever, nem ler”, conta António Barreto.

“Os médicos estavam impressionadíssimos e ele continuava a querer cumprir os prazos e acabar e acabar. E acabou no dia 12, 13 de maio. Acabou as últimas linhas e depois mandou mensagens pessoais através da Maria José Morgado”, acrescentou, tendo Saldanha Sanches falecido no dia 14 de maio, aos 66 anos.

António Barreto diz que “recomendaria” aos políticos e dirigentes que lessem o livro “com alguma serenidade”, por tratar de um tema “muito atual”, lembrando a pessoa e a personalidade, que marca pelo sentido de humor, por “não se levar demasiado a sério”, mas sempre disponível para defender aquilo que acreditava.

“Era um tipo muito informal, sem excesso de cerimónias, convivia com as pessoas normalmente. Tinha sentido de humor, que falta muitas vezes a muita gente que se leva demasiado a sério. Vestia-se como toda a gente, não se vestia com fatinhos especiais ou com gravatas especiais, tinha uma casa muito acolhedora muito informal”, recorda.

Nas questões concretas, deixa a sua marca na luta contra a corrupção: “Você fala com vendedores do comércio, com um taxista, uma pessoa na rua, um jovem advogado, e lhe fala do nome de Saldanha Sanches, imediatamente pensam na luta contra a corrupção”, disse.

 

***Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico***

 



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