Futebol Internacional
Guerra das estrelas. O império espanhol contrata
por Pedro Candeias, Publicado em 12 de Junho de 2009
Em Espanha vão estar os melhores jogadores do mundo. E o melhor futebol.
Nos anos 80, Itália era o sítio para se estar ou visitar. Sobravam razões para uma curta escapadela. De preferência ao fim-de-semana, que, nessas 48 horas, o mundo parava para assistir ao melhor espectáculo da Europa. Um espectáculo itinerante, que estava em cena ora em Milão, Nápoles, Udine, Turim ou Roma. Com Van Basten, Gullit, Matthäus, Platini, Maradona, Zico e Falcão como protagonistas do futebol mais atractivo, competitivo e vencedor do velho continente - a palavra "calcio" internacionalizou-se. Tal como aconteceu com "La Liga" nos anos 90. Por causa de Madrid e de Barcelona, pois claro. E por causa de Laudrup, Redondo, Futre, Raúl, Mijatovic, Suker, Romário, Schuster, Koeman, Stoichkov, Figo ou Ronaldo.
Outro Ronaldo, Cristiano, foi uma das estrelas que elevaram a "Premier League" ao topo da pirâmide futebolística no arranque do século 21 - entre Manchester e Londres, entre Beckham, Giggs, Lampard, Drogba, Rooney, Gerrard, Henry e Torres. Esse mesmo Ronaldo, português, é agora o rosto da retoma do império espanhol que contrata na aliança britânica nesta guerra das estrelas. Versão 2.0. Versão 2010.
Kaká, Ibrahimovic, Messi e Cristiano Ronaldo. O quarteto é fantástico e divide-se entre a realeza de Madrid e os condes de Barcelona. Kaká e Cristiano vs. Messi e Ibrahimovic - o sueco deve rumar à Catalunha por troca com Samuel Eto'o. A ofensiva espanhola é avassaladora e aglutinadora. Senão, vejamos: Messi, o provável melhor jogador do mundo em 2009; Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo de 2008; Kaká e Ibrahimovic, os melhores jogadores do campeonato italiano. Todos em Espanha. E não eram precisos mais do que estes quatro astros para considerar "La Liga" o centro do universo futebolístico a partir de agora. Mas a verdade é que podem aparecer mais alguns. Zidane, assessor do Real Madrid, está na Alemanha para convencer o francês Franck Ribéry, apenas e só o melhor futebolista do campeonato alemão. Até Portugal está na mira espanhola: Bruno Alves, central goleador, encontra-se em rota para Barcelona. E há actores secundários com papéis sólidos em filmes de qualidade que estão também na órbita vizinha: Cesc Fàbregas, Xabi Alonso e Javier Mascherano. Jogam todos em Inglaterra. Curioso? Não. A transferência de poder não é uma curiosidade: é uma evidência.
Em tempo de crise acentuada, os espanhóis assumem o controlo operacional do futebol. Alex Ferguson, manager do Manchester United, engole em seco. "O Barcelona é a única equipa na Europa capaz de rivalizar com o poder da Premier League", dizia o escocês, antes de perder a Champions para o Barça. E Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. Assim, os outros, os que não são espanhóis, ficam mais pobres e periféricos; e eles, os espanhóis, mais ricos e nucleares.
Troféus São eles que materializam o ascendente de uns sobre outros. No século 21, as últimas cinco finais da Liga dos Campeões tiveram sempre equipas inglesas. Duas delas, ganharam: Liverpool em 2005 e Manchester em 2008 (já conquistara o troféu em 1999). Não foram poucos os jgoadores e treinadores a exaltar a Premier pelos seus espectáculos, feitos e dinheiro. Mas nesta última Champions, o super Barcelona de Guardiola, assente no génio de Messi e na criatividade de Xavi e Iniesta, suplantou os red devils. O que parecia ser uma manifestação de superioridade localizada é, então, um fenómeno conjuntural.
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