A previsão do governo para o crescimento da economia em 2011 aponta para uma quase estagnação, isto é, um aumento de 0,2% do produto interno bruto (PIB) no próximo ano, mas na previsão de receita de impostos as Finanças estão a contar com uma recessão pronunciada na economia, mostram os dados publicados no relatório do Orçamento do Estado para 2011, que apontam, neste caso, para uma contracção de 0,7% no PIB.
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, não nega que a previsão de receita fiscal (um dos grandes pilares para a redução brutal do défice público em 2011) está totalmente protegida contra um cenário de recessão: os impostos vão crescer, mesmo que a economia registe um retrocesso de 0,7%. Isto porque os cálculos da receita fiscal estão construídos sobre a hipótese da economia crescer apenas 1% em termo nominais; como o deflator do PIB estimado é de 1,7%, significa que, neste caso, o governo está a assumir uma recessão de 0,7%. No cenário oficialmente assumido, o governo aponta para um crescimento nominal de 1,9% o que, descontando o deflator, dá o tal crescimento real de 0,2% em 2011.
Teixeira dos Santos admitiu que "o risco de termos uma receita fiscal irrealista está coberto com essa hipótese de crescimento nominal de 1%". Disse também que, no caso da projecção da receita fiscal, "é preciso cinto e suspensórios" para que esta não caia.
Se as coisas correrem pior do que assume oficialmente, o desemprego será ainda mais grave do que os 10,8% da população activa previstos. Idem para a destruição de emprego, que tenderá a ser mais pronunciada do que os -0,4% inscritos no cenário macroeconómico, para o empobrecimento das famílias e para o agravamento das desigualdades.




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