Chile. "Há o risco de alguns mineiros não conseguirem lidar com tudo isto"

por Sara Sanz Pinto, Publicado em 16 de Outubro de 2010   
Psicólogo alerta para os perigos que os sobreviventes ainda correm: a recuperação será longa e difícil
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Dois dias depois do resgate, esperava-se que mais dez mineiros chilenos tivessem alta do Hospital de Copiapó. Segundo o "Diário de Atacama", o subdirector médico Jorge Montes adiantava que a situação era muito satisfatória e que tudo corria como era esperado, pelo que, pelo menos, dez mineiros teriam alta na sexta-feira. "Houve muitos problemas do ponto de vista médico, mas uns problemas respiratórios de um e oftalmológicos de outro mineiro estão resolvidos e não terão de ficar muito tempo no hospital". Alguns foram submetidos a cirurgias dentárias e dois deles, Mario Sepúlveda (segundo a ser resgatado) e Mario Gomez, de 63 anos, por sofrerem de silicose - problema respiratório frequente nos mineiros após a inalação da sílica presente no ar das minas - poderão ficar internados mais alguns dias.

Alberto Iturra, coordenador da equipa de psicólogos que acompanhou a operação de resgate, disse que os 33 homens saíram "muito esgotados e, nestes casos, a sensibilidade aumenta e as tolerâncias baixam. Agora necessitam de um período de descanso e adaptação. Têm de superar este processo de recuperação, mas, em geral, todos o vão conseguir fazer com êxito".

Mas, a avaliar pela recepção dos três primeiros mineiros a chegarem a casa, ainda na quinta-feira, os novos heróis chilenos serão recebidos num clima de euforia por familiares e amigos, numa festa que promete continuar durante o fim-de-semana.

Após um só dia de observações e exames, Edison Peña, de 34 anos, Samuel Avalos, de 43, e o boliviano Carlos Mamani Solís, de 23, deixaram o hospital numa carrinha branca. Peña, o 12.o a ser retirado da mina através da cápsula Fénix, ainda trazia os óculos escuros para se proteger da luz solar quando chegou à festa de boas-vindas que a família lhe tinha organizado. "Pensei que nunca iria regressar. Por isso é que estou maluco com esta recepção. Muito obrigado a todos. Obrigado por acreditarem que estávamos vivos", confessou. "Viva o Chile! Viva a Bolívia!", gritou Carlos Mamani à porta de casa, agradecendo a todo o povo chileno que esteve "tão bem no salvamento".

Phillip Hodson, membro da Associação Britânica para Aconselhamento e Psicoterapia, alerta agora para "uma longa e difícil jornada". À Sky News explicou que o novo estatuto de celebridade poderá ser "venenoso". "Há o risco de alguns destes homens não conseguirem lidar com tudo isto", explica o psicólogo. Porém reconhece a dureza dos chilenos: "Se puserem algumas pessoas da casa do Big Brother na mina não vão durar cinco minutos. Mas eles são de uma raça diferente", sublinhou. S. S. P.


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