Banqueiros querem que Passos Coelho viabilize Orçamento

por Sónia Cerdeira, Publicado em 14 de Outubro de 2010   
Ricardo Salgado falou em nome dos quatro banqueiros e mostrou "confiança nos políticos do nosso país"
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Confiança numa solução que viabilize o Orçamento do Estado para 2011. Foi este o estado de espírito dos líderes dos quatro maiores bancos do país, após uma reunião de quase duas horas com Pedro Passos Coelho.

"Foi uma troca de impressões esclarecedora. Temos confiança, naturalmente, nos políticos do país para encontrar uma plataforma de entendimento", disse o CEO do BES, Ricardo Salgado, que falou em nome dos quatro banqueiros. "Houve uma troca de conhecimentos dentro das diferentes aéreas, como é óbvio. Posso apenas dizer que foram esclarecimentos importantes", acrescentou Salgado, não adiantando se ficaram esclarecidos quanto a uma eventual abstenção do PSD.

A imprensa adiantava que a reunião - a pedido dos banqueiros - tinha o objectivo de pressionar Passos Coelho para viabilizar o OE, para evitar dificuldades no crédito. No entanto, Ricardo Salgado garantiu que não foi exercida "pressão nenhuma". Questionado sobre se a situação do país piorava caso o OE não fosse aprovado, o CEO do BES disse tratar-se de "especulações".

Faria de Oliveira, líder da CGD, Santos Ferreira, do BCP, e Fernando Ulrich, do BPI, foram os outros banqueiros presentes na reunião com o líder do PSD. À entrada foram poucas as palavras. "Há que ter confiança no futuro", afirmava então Ricardo Salgado. Já Ulrich disse que a reunião ia servir para "esclarecer pontos de vista". E acrescentou: "A situação [do país] é séria, mas estamos todos a trabalhar." Faria de Oliveira não fez declarações e Santos Ferreira, questionado sobre o porquê da reunião, desabafou: "Nada de especial."

Depois do chumbo assumido pelo líder do PSD, a dois dias da data prevista para o governo entregar o Orçamento, o secretário- -geral do partido, Miguel Relvas, foi mais comedido nas palavras. "Vamos conhecer o Orçamento", afirmou ontem Relvas à saída da sede nacional do PSD, apesar de não ter participado na reunião (só lá estava Passos Coelho). Fugindo à pergunta sobre se o PSD iria viabilizar o Orçamento, Relvas respondeu que não o conhecia e por isso ia esperar pela apresentação do diploma na sexta-feira. Contudo, questionado sobre se o Orçamento seria mau para o país, como aliás já Passos Coelho referiu por diversas vezes, Relvas confirmou: "Os indicadores apontam nesse sentido."

"O PSD não pode deixar de ajudar a melhorar a situação do país, mas deixar passar um OE como aquele que o governo manifestou intenção de apresentar não é melhorar a situação" do país, disse Passos, na cerimónia do lançamento do segundo volume dos "Textos de Francisco Sá Carneiro". Para o líder social-democrata, se o governo não quiser ouvir as suas propostas, então que "não venham dizer que a responsabilidade é do PSD". Não desvendando o sentido de voto, Passos Coelho espera que "o partido se reveja na posição" que vai tomar.

Passos Coelho partiu ontem rumo à Madeira, onde se reúne hoje com o PPE. Às "trocas de impressões" com os banqueiros vão juntar-se mais "trocas", agora com os senhores da Europa. Todas no mesmo sentido: que Passos deixe passar o Orçamento.

Também ontem o líder do PSD reuniu com Pina Moura. "Há que garantir que o debate e as decisões orçamentais ocorram num quadro vivo, mas de tranquilidade institucional, evitando que a opinião pública confunda o debate com uma espécie de balbúrdia orçamental em discussão", defendeu o ex-ministro em declarações ao "Negócios". Com F. P. C.


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