Orçamento. PCP quer cortar no desperdício
por Sónia Cerdeira, Publicado em 12 de Outubro de 2010
Jerónimo de Sousa recusa um Orçamento de recessão e uma política que só serve para "acalmar os mercados"
O PCP recusa um Orçamento do Estado (OE) que leve ao "desastre já anunciado da recessão", garantiu ontem o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Como alternativa ao OE do governo, que visa o corte de salários e o aumento de impostos, o PCP quer cortar no desperdício.
As propostas dos comunistas terão em conta "o combate ao desperdício, às despesas supérfluas e sumptuárias, aos serviços de consultadorias em detrimento da capacidade de resposta dos recursos da Administração Pública", afirmou o secretário-geral do partido, na abertura das Jornadas Parlamentares que encerram hoje em Santarém.
"Um sério contributo do grande capital, banca, grandes fortunas, nomeadamente com a taxação das transacções em bolsa e das transferências financeiras para os paraísos fiscais" são propostas antigas dos comunistas que serão reforçadas mais uma vez contra um Orçamento que é "mais uma escalada na ofensiva contra os salários", garante Jerónimo. E acrescenta: "Este não pode ser mais um Orçamento concebido para o povo continuar a pagar a factura de uma crise para a qual em nada contribuiu, tal como não deve ser o Orçamento trampolim para cavalgar na onda do rebaixamento geral dos salários".
A receita para resolver o défice das contas públicas, o desemprego e a dívida externa tem de passar por "apoiar e valorizar o Portugal que produz", ressalva Jerónimo de Sousa. O país precisa de uma "política de rigor, que dê segurança ao povo e não apenas para "acalmar os mercados".
A sujeição aos mercados internacionais foi mais uma vez criticada, com Jerónimo a destacar a existência de "um poder político incapaz, por opção própria, de quebrar as amarras que prendem o país ao círculo vicioso dessa subordinação e dependência que está a bloquear o desenvolvimento do país".
crise política PS e PSD "falam da crise política como um problema, mas ambos parecem querê-la. Falam em nome do interesse nacional mas o interesse é partidário", acusa Jerónimo. Toda a dramatização em torno da aprovação do Orçamento do Estado serve afinal para "iludir as pessoas" uma vez que ambos os partidos "estão de acordo com o fundamental das políticas seguidas", afirma o secretário-geral comunista. São só "sistemáticos jogos de palavras e ataques recíprocos", conclui.
"Não há certeza se o Orçamento é ou não viabilizado. Em última análise quem decidirá não são os executantes mas os mandantes. Já pouco lhes importa a substância do Orçamento. Interessa é se há ou não há Orçamento, mesmo que o país ande para trás, mesmo que o povo fique pior", diz Jerónimo. As jornadas do PCP terminam hoje com a apresentação de mais propostas alternativas ao OE do governo.
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: Orçamento. PCP quer cortar no desperdício
Actividade em ionline